Habitante de Curitiba, cidade natal, “capital ecológica”, sede em 2006 do COP8 e do MOP3, cidadão politicamente correto, escrevo abaixo um roteiro de campanha em defesa da (bio)diversidade. O título deste post é um incentivo à cópia da idéia, caso alguém tenha poder de produzi-la.
Narração masculina, mostrando um garotinho com diversas tampinhas de garrafas: Pedrinho tem uma coleção desde 1932 com mais de três mil tampinhas que herdou de seu avô. Se perder alguma, nunca mais poderá voltar no tempo para recuperá-la. Seu Alceu tem uma coleção de selos. Dona Eliete tem uma coleção de moedas. Carlos tem uma coleção muita rara de revista em quadrinhos. Nos museus estão as coleções originais de arte mais antigas dos melhores artistas. Se por descuido alguém perder uma obra, jamais alguém fará igual.
Até aqui vinham imagens das pessoas e suas respectivas coleções. Quando começamos a falar dos museus, começam imagens de obras famosas, como Monalisa, Guernica, a Merlin Monroe de Andy Warhol e alguma outra importante q não me recordo agora. Seguidas de imagens de maravilhas do mundo (sendo) destruídas, como a muralha da China, esfinge, pirâmides do egito, Taj Mahal, Machu Pichu, Cristo Redentor e alguma outra importante q não me recordo agora, e fecha com a imagem da taça Jules Rimet sendo erguida no tricampenato de 70 (que fui roubada e derretida).
Com uma trilha emocionante e animadora, começam agora imagens de fauna rara e flora desmatada, seguida de belas imagens de fauna e flora e a seguinte narração: Todo ser humano tem uma coleção de espécies e todo ano muitas delas desaparecem para sempre. Não compre e não mate animais silvestres. Não compre e não derrube espécies nativas. Plante! Preservar é construir o mundo em que vivemos. Colecione.
Encerra com a cena saindo de uma cena de TV e indo para a família sentada no sofá assistindo, em plano seqüência e sem som. Corte seco final.
Não somos obrigados a ter que tocar sempre as mesmas notas, nem por isso somos obrigados a improvisar.
Wednesday, May 23, 2007
Thursday, May 17, 2007
De trás pra frente
Hélio tinha um prazer em trabalhar com os números de deixar a esposa com ciúmes do ábaco. Para Hélio, tudo era convertido em números. O tamanho, o peso, a velocidade, o formato, a quantidade, a idade, o valor, o dia, o ano, a hora, os andares, os degraus, o telefone, o fax, o documento, o protocolo, a medida, a página, o conteúdo, o comprimento, os graus, a latitude, a longitude, o tempo, o espaço, a distância, os itens, subitens, o volume, a área, altura, largura, percentagem, a edição, a ordem, o CEP, o endereço, o cadastro, o registro, o ramal, a sinuca, o bingo, o baralho, a validade, o lote, o código de barras, o valor nutricional, as calorias, as refeições, a geometria, trigonometria, o sexo, o salário, a rádio, a música, o ranking, o placar, a profundidade, os habitantes, a população, a amostra, as inserções, a freqüência, a abrangência, o silicone, a dívida, o empréstimo, os juros, o risco, a probabilidade, o canal, o candidato, as vitórias e derrotas, os namoros, os impostos, a senha, o rebanho, a aposentadoria, a coleção, a safra, os lados, o estágio, a penitência, a pressão, o ritmo, o recorde. Tudo convertido em números. Ficou famoso ao dar nome ao gás.
Wednesday, May 02, 2007
DESTINO
É como sair de casa e ver um gato branco cruzar seu caminho. Ligar o som ou a tv logo cedo e ver a previsão do tempo dizendo para que saia agasalhado, mas com uma regata por baixo e não esqueça o guarda-chuva, por favor, estou avisando! Enfim, é assim que acontece. Falaremos um pouco sobre o destino. Se existe e como funciona. Peguemos o exemplo do Zé Mané, cidadão de bem (quando nascer), trabalhador (quando encontrar um), bom pai (quando for), estudioso (quando foi), fiel em seu relacionamento (quando tiver). Sobre o destino: s. m., concatenamento supostamente necessário de factos e suas causas; fim pré-determinado que orienta as acções e os acontecimentos na vida dos homens; fatalidade; sina, sorte; futuro, porvir; fim, aplicação a que se destina alguma coisa; lugar onde alguém se dirige ou onde se manda ou se deve entregar alguma coisa; direcção, rumo; propósito, tenção (fonte: http://www.priberam.pt/dlpo/definir_resultados.aspx).
Logo, podemos dizer que o destino de Zé está traçado, pois assim que ele sai de casa, pega o ônibus na porta de casa que o entrega na porta do trabalho. Nenhum congestionamento, acidente, ameaça de bomba, obra na rua é capaz de desviar seu rumo. Isto obriga que ele conviva com as mesmas pessoas que coincidentemente tem o mesmo destino naqueles vinte minutos. Em especial, a Zé Mané. Cidadã cuja qual não se sabe absolutamente nada. Apenas seu apreço por calças apertadas e decotes que jamais a deixaria desempregada. Quando se faz necessário, descem do ônibus e param no sinaleiro antes de atravessar a rua, evitando assim um eventual atropelamento. Não há outra opção se não aguardar o elevador que o leve os 12 andares acima. Até aí, seu destino estava traçado. Ao chegar no escritório, um e-mail cobrando um relatório que era para quarta, mas o chefe vai ter que viajar para São Paulo hoje a tarde e o Zé que se vire. O telefone toca, é da escola de seu filho, dizendo que apanhou de um gordinho e que é para comparecer urgentemente ao pronto-socorro do hospital Pequeno Príncipe. O relatório que se foda.... o chefe que vá para o inferno... horas depois, retorna ao escritório e a secretária - que está quase aceitando seu convite para jantar – diz em tom suave que tem uma correspondência para ele e entrega um envelope desses grandes, em papel kraft. É um currículo, de rapaz recém chegado da Europa, com cursos de todos os níveis (como ele teve tanto tempo assim?). Bem mais novo, mais cheio de gás, mais cheio de criatividade e podendo cobrar um pouco menos... ideal... se não fosse para o cargo do Zé! Quando foi rasgar o papel, o chefe, que olhava pelo aquário da sua sala, interrompe com um olhar e o chama para ver o papel. Levou e confessou covardemente que queria sair porque acreditava que aquele rapaz seria um profissional bem melhor para a empresa. O chefe analisou e lhe deu razão. Até aí estaria tudo traçado? Mesmo a morte da Zé?
Logo, podemos dizer que o destino de Zé está traçado, pois assim que ele sai de casa, pega o ônibus na porta de casa que o entrega na porta do trabalho. Nenhum congestionamento, acidente, ameaça de bomba, obra na rua é capaz de desviar seu rumo. Isto obriga que ele conviva com as mesmas pessoas que coincidentemente tem o mesmo destino naqueles vinte minutos. Em especial, a Zé Mané. Cidadã cuja qual não se sabe absolutamente nada. Apenas seu apreço por calças apertadas e decotes que jamais a deixaria desempregada. Quando se faz necessário, descem do ônibus e param no sinaleiro antes de atravessar a rua, evitando assim um eventual atropelamento. Não há outra opção se não aguardar o elevador que o leve os 12 andares acima. Até aí, seu destino estava traçado. Ao chegar no escritório, um e-mail cobrando um relatório que era para quarta, mas o chefe vai ter que viajar para São Paulo hoje a tarde e o Zé que se vire. O telefone toca, é da escola de seu filho, dizendo que apanhou de um gordinho e que é para comparecer urgentemente ao pronto-socorro do hospital Pequeno Príncipe. O relatório que se foda.... o chefe que vá para o inferno... horas depois, retorna ao escritório e a secretária - que está quase aceitando seu convite para jantar – diz em tom suave que tem uma correspondência para ele e entrega um envelope desses grandes, em papel kraft. É um currículo, de rapaz recém chegado da Europa, com cursos de todos os níveis (como ele teve tanto tempo assim?). Bem mais novo, mais cheio de gás, mais cheio de criatividade e podendo cobrar um pouco menos... ideal... se não fosse para o cargo do Zé! Quando foi rasgar o papel, o chefe, que olhava pelo aquário da sua sala, interrompe com um olhar e o chama para ver o papel. Levou e confessou covardemente que queria sair porque acreditava que aquele rapaz seria um profissional bem melhor para a empresa. O chefe analisou e lhe deu razão. Até aí estaria tudo traçado? Mesmo a morte da Zé?
Monday, April 23, 2007
Tuesday, April 17, 2007
Seres abduzidos
Ontem algumas coisas me tiraram do sério: logo cedo o gordo joga a embalagem do Bis na calçada. Pela tarde, a gordinha (outra coincidência) joga o copo do suco pela janela do ônibus. À noite, um piá que andava em um bando pixa a fachada de loja. Juro que me senti um E.T. Quero voltar pra casa. Telefone.
Mas enquanto o maloqueiro (esse é o termo) pixava, eu andava de skate na rua. A incansável prática de acertar aquela manobra. Até a camiseta dissolver em suor. Foi quando um garoto, rapaz, transeunte, não sei, me chama a atenção e me dá uma aula. Me mostra os erros e como acertar. Confesso que não certei, mas hoje eu vou acertar, nem que minhas pernas travem de câimbra.
Senti como se a nave mãe tivesse vindo me buscar. Mostrar que não estou no mundo errado. Só num universo paralelo em que as almas vivem junto.
Mas enquanto o maloqueiro (esse é o termo) pixava, eu andava de skate na rua. A incansável prática de acertar aquela manobra. Até a camiseta dissolver em suor. Foi quando um garoto, rapaz, transeunte, não sei, me chama a atenção e me dá uma aula. Me mostra os erros e como acertar. Confesso que não certei, mas hoje eu vou acertar, nem que minhas pernas travem de câimbra.
Senti como se a nave mãe tivesse vindo me buscar. Mostrar que não estou no mundo errado. Só num universo paralelo em que as almas vivem junto.
Monday, April 02, 2007
Tudo bem?
Obedeci ao chamado. Fui ao pé da colina ouvir a profecia. Todos sabiam porque estavam lá, certo que alguns ainda tentavam descobrir. Ao fim, pedi colo aos meus joelhos. Fugir? Pra onde? Lentamente anoiteceu. O silêncio começava a se transformar em medo. Eram os ruídos longínquos da morte. Aos poucos estávamos sendo invadidos. Assim foi. Sem resistência. Sem choro. Sem perguntas.
Wednesday, March 28, 2007
5º dia útil
Algumas empresas pagam – algumas sistematicamente, outras nem tanto - seus funcionários apenas no 5º dia útil do mês. Isto quer dizer – e parece bem justo – que dia útil é apenas contabilizado como o dia trabalhado. Ora, o desempregado só tem dias inúteis, tanto é que não recebe.... se assim for, vejamos: se levarmos em conta que o funcionário só recebe por “dia útil”, ele só pode gastar seu salário em ‘dia útil”, caso contrário estará no prejuízo ou tendo de fazer economias. Explico: pagando o funcionário por cada dia do mês (ou da semana, como em países de economia mais sustentável) este pode desfrutar do seu domingo para ir ao estádio de futebol, ao cinema, ao circo, ao teatro, ao shopping, à feirinha, à praia, ao raio que o parta! Enfim, não precisará ir na casa da sogra, encher a cara com o cunhado e assistir Faustão. Logo, estará injetando mais dinheiro no mercado, aumentando a economia e gerando mais empregos. Caso só receba por dia útil, terá que guardar a grana da semana para fazê-lo. Mas e a pizza pras crianças? E o novo DVD da Xuxa que a criança viu na TV? O pão? O leite? A escola? O condomínio? A gasolina? O almoço? A janta? O conserto no banheiro? O terno na lavanderia? O livro para a prova? A suspensão que quebrou? O dente que doeu? Enfim... tudo isso entra como despesa ganha por dia útil trabalhado. Se ganhar também pelo dia que não trabalha, terá mais tempo para a família, terá filhos menos problemáticos, será menos corno, será mais culto e mais feliz. Fará mais viagens e terá mais e melhores amigos. No mínimo terá mais dinheiro para investir e fazer planos materiais. É esse funcionário que quero na minha empresa. Feliz e disposto. Sentindo que todo dia é útil. Pois na vida, o que conta, não são os dias trabalhados, mas sim os verdadeiros dias úteis. Os dias realmente vividos, com a família e com os amigos.
Friday, March 23, 2007
Monday, March 19, 2007
PIXTO – TAKE IT
Daqui pra frente, você vai me ouvir falar muito sobre PIXTO - TAKE IT.
PIXTO - TAKE IT é uma sugestão. Para ser um Pixto, basta ser bom em seu coração. Pode ser qualquer pessoa. Pode fazer o que quiser. Não há doutrinas. Não há deuses. Sendo bom em seu coração, você estará protegido pelos "Seres Supremos", que funcionam como uma camada de força, camuflagem, armadura, vacina, sei-lá. São a sua defesa. Caso você não seja bom em seu coração em algum momento, corre o risco de perder o poder pleno dessa proteção. Mas é algo que se regenera com o tempo, conforme você volta a ser bom em seu coração. Como saber se é bom em seu coração? Só você sabe... e os Seres Supremos tbm... Enfim, eles também te dão toda a força que for necessária. Força é uma coisa que você não tem, pois é humano(a). Basta evocar (mesmo que inconscientemente) e terás a força que quiser, a qualquer momento. Mas lembre-se, não utilize quando não houver necessidade, ou os Seres Supremos lhe deixarão na mão, pois eles só protegem os Pixtos (o tempo ensinará qual é a hora certa). Mas porque eles protegem os Pixtos? (Bem, agora vem a parte que eu viajo, pois não posso ter certeza do que acontece depois da morte, por motivos óbvios). Os Seres Supremos são seres que vivem no "Estágio 2". Um lugar para onde só vão os Pixtos. Um lugar onde todos são bons em seu coração. A idéia não é necessariamente ir para o Estágio 2, mas é ser bom em seu coração. Sempre. Estar protegido e depois de morrer torcer para que o Estágio 2 exista, para conviver com pessoas e seres de bom coração. Qual é a opinião de(o)(a) PIXTO – TAKE IT com relação às drogas? PIXTO – TAKE IT é a favor da descoberta, já que é fruto de uma descoberta. Faça como quiser para alcançar a sua descoberta. Basta ser bom em seu coração. Para saber sobre felicidade, tristesa, sofrimento, futuro, passado ou outras perguntas freqüentes, PIXTO – TAKE IT não tira dúvidas, apenas sugere para que você seja bom em seu coração.
TAKE IT
PIXTO - TAKE IT é uma sugestão. Para ser um Pixto, basta ser bom em seu coração. Pode ser qualquer pessoa. Pode fazer o que quiser. Não há doutrinas. Não há deuses. Sendo bom em seu coração, você estará protegido pelos "Seres Supremos", que funcionam como uma camada de força, camuflagem, armadura, vacina, sei-lá. São a sua defesa. Caso você não seja bom em seu coração em algum momento, corre o risco de perder o poder pleno dessa proteção. Mas é algo que se regenera com o tempo, conforme você volta a ser bom em seu coração. Como saber se é bom em seu coração? Só você sabe... e os Seres Supremos tbm... Enfim, eles também te dão toda a força que for necessária. Força é uma coisa que você não tem, pois é humano(a). Basta evocar (mesmo que inconscientemente) e terás a força que quiser, a qualquer momento. Mas lembre-se, não utilize quando não houver necessidade, ou os Seres Supremos lhe deixarão na mão, pois eles só protegem os Pixtos (o tempo ensinará qual é a hora certa). Mas porque eles protegem os Pixtos? (Bem, agora vem a parte que eu viajo, pois não posso ter certeza do que acontece depois da morte, por motivos óbvios). Os Seres Supremos são seres que vivem no "Estágio 2". Um lugar para onde só vão os Pixtos. Um lugar onde todos são bons em seu coração. A idéia não é necessariamente ir para o Estágio 2, mas é ser bom em seu coração. Sempre. Estar protegido e depois de morrer torcer para que o Estágio 2 exista, para conviver com pessoas e seres de bom coração. Qual é a opinião de(o)(a) PIXTO – TAKE IT com relação às drogas? PIXTO – TAKE IT é a favor da descoberta, já que é fruto de uma descoberta. Faça como quiser para alcançar a sua descoberta. Basta ser bom em seu coração. Para saber sobre felicidade, tristesa, sofrimento, futuro, passado ou outras perguntas freqüentes, PIXTO – TAKE IT não tira dúvidas, apenas sugere para que você seja bom em seu coração.
TAKE IT
Friday, March 16, 2007
Condecoração
Vestiu seu uniforme. Caiu como uma farda. Estavam todos lutando, em busca de um mundo melhor. Nesta batalha, muitos morreram, todos tiveram seus bustos em praça pública, feriados, datas comemorativas, nomes em rua, escola. Ou outra medalha. Não que quem estivesse sem uniforme não quisesse lutar. Eram grandes soldados. Um forte clã. Contra eles, eram poucos. Eram muito fortes. Aqueles não acreditavam em nada. Nem neles.
Na rádio do vizinho
Embeleza
com creme
a tua face
Lambuza
de creme
a tua parte
Uiva
a saudade
à tempestade
O cão ladra
ao ladrão
de ladrilho
Na casa
ao lado
do vizinho
mas se essa
fosse minha
não precisava roubar
Mandava
essa rua
ladrilhar
com creme
a tua face
Lambuza
de creme
a tua parte
Uiva
a saudade
à tempestade
O cão ladra
ao ladrão
de ladrilho
Na casa
ao lado
do vizinho
mas se essa
fosse minha
não precisava roubar
Mandava
essa rua
ladrilhar
Saturday, March 10, 2007
Ditadura
Tuesday, February 27, 2007
DOMINGO NO PARQUE
Este domingo que passou, levei José e João para um passeio no parque. Estava um belo dia de sol e o calor fazia com que as crianças parecessem cardumes em fuga. Falei a eles que aquilo tudo não passava de uma exposição fotográfica. O pai que empurrava a filhinha na bicicleta. O cão que atrapalhava o jogo de futebol. A namorada que caiu de patins. As senhoras que caminhavam a passos largos. O atleta que treinava sua corrida. Os amigos que brincavam de frescobol. O sorveteiro que parecia não vencer a multidão encalorada. O jacaré que banhava-se ao sol.
José e João, depois de alguns minutos na fila, conseguem comprar um sorvete. Logo em seguida, o atleta que treinava sua corrida tromba com José, que acaba por derrubar o sorvete em João. A cena chamou a atenção de um dos amigos que brincavam de frescobol, fazendo com que este errasse o lance e jogasse a bolinha na ciclovia, por onde vinha a namorada de patins. A bolinha entrou na frente do pé de apoio, desequilibrando-a. As senhoras que caminhavam a passos largos tentaram ajudá-la. No jogo de futebol, a bola também espirrou para a ciclovia. O pai que empurrava a filhinha de bicicleta tenta ajudar e chuta a bola para devolvê-la. O cão que atrapalhava o jogo corre atrás da bola, atropelando as senhoras que tentavam levantar a namorada que caiu de patins. A bola acabou tomando velocidade e indo parar próxima ao lago, onde o jacaré banhava-se ao sol.
Tiraram o jacaré do parque.
José e João, depois de alguns minutos na fila, conseguem comprar um sorvete. Logo em seguida, o atleta que treinava sua corrida tromba com José, que acaba por derrubar o sorvete em João. A cena chamou a atenção de um dos amigos que brincavam de frescobol, fazendo com que este errasse o lance e jogasse a bolinha na ciclovia, por onde vinha a namorada de patins. A bolinha entrou na frente do pé de apoio, desequilibrando-a. As senhoras que caminhavam a passos largos tentaram ajudá-la. No jogo de futebol, a bola também espirrou para a ciclovia. O pai que empurrava a filhinha de bicicleta tenta ajudar e chuta a bola para devolvê-la. O cão que atrapalhava o jogo corre atrás da bola, atropelando as senhoras que tentavam levantar a namorada que caiu de patins. A bola acabou tomando velocidade e indo parar próxima ao lago, onde o jacaré banhava-se ao sol.
Tiraram o jacaré do parque.
Wednesday, February 14, 2007
Eu Amo Carnaval
Eu me mudei para a cidade porque não agüentava mais aquele galo. Cheguei na cidade e tinha um cachorro que latia a noite toda, em vão, solitário, na casa ao lado à que aluguei. “Ah, que saudades do galo!!, ele me acordava cedo, mas pelo menos me deixava dormir um pouco...” pensava durante as noites mal dormidas que já começavam a me deixar de mal-humor. Tempos depois, começaram umas obras da prefeitura na minha rua. Os tratores tinham que trabalhar durante a madrugada, para não atrapalhar o trânsito. Os moradores até q reclamaram (e bastante), mas diziam que os resultados eram em benefício da cidade e que alguns velhos aposentados não seriam obstáculo para uma obra daquela importância. Enfim, só lembro que os ruídos dos tratores durante a madrugada entravam nos meus ouvidos como spray de pimenta nos olhos. Como eu sentia falta do cão do vizinho. Em um domingo, o time rival ganhou o campeonato. Como era domingo, os tratores não trabalhavam e a torcida adversária veio comemorar na minha rua, em frente à minha casa. Não acreditei. “Que saudade dos tratores!” pensei...
Quando finalmente inauguraram as obras, de tarde realizaram a solenidade e na mesma noite já era o desfile de carnaval. Na minha rua. Bem em frente à minha casa. Eu, como tradicional curitibano que sou, me indignei. Pensava: “porra, que saudades dos coxas!” . nessa hora eu pensei melhor, desci as escadas e caí na avenida. Com os indicadores gangorreando ao alto eu gritava: “Eu Amo o Carnaval”!!!!
Tum dum, tiqui tudum dum….
Quando finalmente inauguraram as obras, de tarde realizaram a solenidade e na mesma noite já era o desfile de carnaval. Na minha rua. Bem em frente à minha casa. Eu, como tradicional curitibano que sou, me indignei. Pensava: “porra, que saudades dos coxas!” . nessa hora eu pensei melhor, desci as escadas e caí na avenida. Com os indicadores gangorreando ao alto eu gritava: “Eu Amo o Carnaval”!!!!
Tum dum, tiqui tudum dum….
Thursday, February 01, 2007
Vamos fugir?
Cândido estava prezo a uma cadeira de rodas. Não, não estava deficiente, apenas prezo no congestionamento (acho q me expressei mal). O seu celular toca, era a empregada dizendo que precisava ir embora, pegar o filho na escola e que aguardava apenas o dinheiro do ônibus que Cândido insistia em esquecer. Naquele momento um motoqueiro leva seu retrovisor com o qual se distraia com as bundas que desciam a rua (pela calçada). Sem rádio no veículo, subtraído num furto recente, o sangue lhe ferve as vísceras e acaba por despedir a empregada, orientando grosseiramente que volte outro dia pegar o maldito dinheiro do ônibus e o restante do acerto. No mesmo instante, um garotinho vem lhe cobrar pelo show de malabarismos no sinaleiro, que de nada adiantava em ficar verde. Cândido, furioso, indaga: quanto ganha por dia, garoto? Por sinal, qual é o seu nome? Vander, doutor. Ganho em média R$ 60,00 por dia. Em média? Sabe calcular a média, Vander? Sim doutor. É o tanto que preciso para que não falte nada em casa. Ok, garoto. Sabe que me leva R$ 1,00 por dia, né?! Logo, R$ 5,00 por semana. Isso dá R$ 20,00 no mês. Pago R$ 20,00 por mês pra sua família e o governo oferece R$ 15,00 de bolsa-família. Vocês ganham bolsa-família? Sim, doutor. Então, eu te pago R$ 20,00 por mês mais impostos. Eu deveria matá-lo, não acha? Não doutor, deveria me oferecer uma oportunidade. É só o que preciso. Sei... quanto quer pelas bolinhas, para que não precise mais voltar aqui? Troco pelo seu carro, Doutor, para que não precise mais passar por aqui. Ganhamos os dois, doutor. Finalmente comovido, Cândido convida o moleque, ou melhor, Vander, para entrar no carro. Vander teria sua oportunidade. Mas antes que isso acontecesse, dois policiais a cavalo encheram as costas do garotinho de hematomas com seus cassetetes e o botaram para correr. Cândido não pôde nem reagir, pois o trânsito começava a andar e os carros de trás, igualmente impacientes fizeram-no andar na base da buzinada. Cândido não pôde ver o que acontecera com Vander em virtude do espelho quebrado. No dia seguinte, outro garoto fazia o show no mesmo sinaleiro, enquanto a nova empregada ligava no seu celular...
Wednesday, January 17, 2007
Shakespeare dizia que...
Sim
Eu apareço
Eu me pareço
Com você
Sim
Tu és
como
Tu te vês
Um homem
Que se aproxima
de uma dama
que procura um homem
Nem um dos dois reclama
das suas próprias intenções
Até parece que se amam
A lua e o lobisomem.
Eu apareço
Eu me pareço
Com você
Sim
Tu és
como
Tu te vês
Um homem
Que se aproxima
de uma dama
que procura um homem
Nem um dos dois reclama
das suas próprias intenções
Até parece que se amam
A lua e o lobisomem.
Monday, January 08, 2007
Despertar
Eu sempre imaginava, sempre soube, que chegava uma hora na vida em que tínhamos que optar por alguma coisa, alguma situação. É maravilhoso esse jogo da vida que nos faz viver. Que nos faz sentir vivos. As opções. Quando duas, já são um problema, mas não dá para reclamar, afinal, grande maioria das pessoas nem mesmo tem opções. Grande maioria tem imposições.
Até o dia em que enviei uma carta ao grande senhor dos sonhos. Ele respondeu me questionando se eu realmente tinha aquele sonho, ou se eu queria uma realidade. Sonhar é fácil! Realizar é acordar e conviver com ele. Convidei então o grande senhor dos sonhos para vir à minha casa, conversar melhor sobre, pois quando escrevi achei estar sendo bem claro quanto ao meu sonho. Porque me questionava? Ele veio. Sentamos. Lhe servi chá. Alguns biscoitos e uma cadeira bamba. Ele trouxe uma maleta. Abriu e tirou dela uma grande roleta. Lhe mostrei a tomada. Ela acedeu várias luzes. Eram várias opções. Era muito barulho. Me pediu para que a girasse. Eu não aceitei entregar meu sonho à sorte. Não era à sorte, disse. Eu tinha de concordar que meu sonho alterava meu destino. Eu não aceitei. Ele me fez então uma oferta. Neguei. Jamais venderia a alma. Outra opção. Igualmente impossível de se aceitar. O grande senhor dos sonhos era um grande vendedor de dúvidas. Girei a roda dos sonhos. Ela rodava como uma biruta na tempestade. Começou a parar lentamente. Antes que ela parasse, cochilei. Não vi onde parou. Quando acordei, o grande senhor dos sonhos já havia se retirado com seus pertences. Na mesa, um bilhete: "parabéns!".
Até o dia em que enviei uma carta ao grande senhor dos sonhos. Ele respondeu me questionando se eu realmente tinha aquele sonho, ou se eu queria uma realidade. Sonhar é fácil! Realizar é acordar e conviver com ele. Convidei então o grande senhor dos sonhos para vir à minha casa, conversar melhor sobre, pois quando escrevi achei estar sendo bem claro quanto ao meu sonho. Porque me questionava? Ele veio. Sentamos. Lhe servi chá. Alguns biscoitos e uma cadeira bamba. Ele trouxe uma maleta. Abriu e tirou dela uma grande roleta. Lhe mostrei a tomada. Ela acedeu várias luzes. Eram várias opções. Era muito barulho. Me pediu para que a girasse. Eu não aceitei entregar meu sonho à sorte. Não era à sorte, disse. Eu tinha de concordar que meu sonho alterava meu destino. Eu não aceitei. Ele me fez então uma oferta. Neguei. Jamais venderia a alma. Outra opção. Igualmente impossível de se aceitar. O grande senhor dos sonhos era um grande vendedor de dúvidas. Girei a roda dos sonhos. Ela rodava como uma biruta na tempestade. Começou a parar lentamente. Antes que ela parasse, cochilei. Não vi onde parou. Quando acordei, o grande senhor dos sonhos já havia se retirado com seus pertences. Na mesa, um bilhete: "parabéns!".
Thursday, December 21, 2006
Tuesday, December 12, 2006
Uma tequila e um cigarro
Não sei se é culpa dos filmes que venho assistindo ou se faz parte da minha índole mesmo, só sei que estou com um instinto criminoso bem aflorado. Comecei a pensar em ser bandido, ter muito dinheiro, muitas mulheres e uma vida curta. Pra que mais? Pensei em ser político. Ia engordar até não mais poder, tomar muito whisky, morar na zona, andar sempre alinhado, ter carros de luxo e uma mansão. Viver às custas do povo sem precisar matar ninguém. Mas o fato de engordar muito não me agrada. Prefiro o estilo que mata a todos. Sem piedade. Por esporte. Leva tudo o que pode. Porte atlético e muita cocaína. Mas ter uma vida nas escuras também não me agrada. Queria mesmo ser um puxa-saco. Lobista. Traficante de informações e favores. Estar entre os nomes da alta sociedade, freqüentando grandes eventos em camarotes e com entradas VIP. Muitas mulheres, drogas, mortes, tramas, dinheiro e documentos falsos. Mas não gosto muito da alta sociedade e sua fedida hipocrisia. Acho que mataria a todas às minhas galinhas dos ovos de ouro e seria descoberto muito fácil. Eu poderia corromper policiais para facilitar meus negócios, caso negassem mataria suas famílias. Poderia viver chantageando alguém também, extorquindo muito dinheiro. Mas não. Eu poderia ser o policial corrompido. Mataria qualquer pessoa que imaginasse a fonte de minha fortuna. Poderia vender seguros sem nunca pagar ninguém. O importante é que tenha morte, prostitutas e muita cocaína. O legal é cheirar com a mesma caneta bic que furou o pescoço da vagabunda.
Mas meus planos eram tão ruins que não passaram na seleção de nenhuma produtora, editora, nem mesmo consegui vender nenhum fanzine xerocado.
Mas meus planos eram tão ruins que não passaram na seleção de nenhuma produtora, editora, nem mesmo consegui vender nenhum fanzine xerocado.
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