Monday, November 27, 2006

Ingratidão

Tive uma grande idéia: precisava ter uma idéia. Resolvi me calar. Ficar em silêncio por toda a eternidade que fosse possível. Por palavras como essas (eternidade, infinito, acalanto, diabo, filho da puta) resolvi me calar. Alguém inventou, alguém gostou e por isso todos as usam. E todos gostam. Por pura falta de discernimento. “Eternamente, éter na mente”. Resolvi me calar. Usar o silêncio como onomatopéia (outra palavra no banco dos réus aqui) poética. Resolvi me calar.

“o mudo fala tudo
o que o mundo precisa
saber
o cego se cala
sem ponto de vista
é a opinião do mudo
preferir se abster
do vasto vão do mundo
que é a pura falta de
futuro"

Tuesday, November 21, 2006

A vida de Wildorff

Enquanto isso, na floresta encantada de Blützgorh, Wildorff dorme inquieto após um dia fraco de caça. As lebres começam a hibernar neste período que antecede o inverno e as aves de rapina se tornam injustas competidoras por comida. Wildorff não se preocupa com a fome, mas com o frio. Os pêlos das lebres são excelentes nesta época do ano. Ele acredita ter lenha o suficiente para o inverno todo, mas nunca se sabe. As raízes e folhas, em meio a água fervente e umas gotas de suor fazem um caldo maravilhoso, que se tivesse um peito de lebre então... hummm
Nosso Wildorff sabe que logo chegará a primavera e que as lebres sairão para brincar.

Saturday, November 18, 2006

Resistência MGM

Um pesquisador químico analisou as diversas espécies de pragas de milharal e elaborou um poderoso agente neutralizante. O inseticida era capaz de prevenir qualquer ataque, o que onerou em um lucro faraônico ao pesquisador. O que o tempo mostrou é que o poderoso agente era também o grande responsável pela mutação dos milhos, que vinha perdendo qualidade a cada safra.
Naquela época, o mercado atento aos problemas genéticos ainda não comprovados pelo milho mutante, passou a boicotar a compra e venda do produto agrícola. Os agricultores, sem ter o que fazer com as sacas, atearam fogo na produção e descobriram assim a pipoca.
Em uma espiga do noroeste do Paraná, era chegada a hora da colheita. Devidamente ensacados e embalados, alguns grãos foram vendidos à fábricas de pipoca convencional e outros à fabricas de pipoca de microondas.
Em uma grande quermesse no interior de São Paulo, a barraquinha de pipoca vendia "a rodo". Crianças, jovens, adultos, pais, namorados, todos comiam a pipoca.
Em uma panelada, o fogo esquentava o óleo rançoso no fundo. Esquentava tanto que alguns grãos não resistiam e estouravam. Até mesmo os que ainda acreditavam ser milho de latinha.
De repente, estavam todos estourando. Alguns para fazer parte do grupo, outros com medo de ficar sozinhos, já outros sempre sonham em ser pipoca. Eu não. Nunca admiti ser pipoca. Nasci milho. Algum químico maluco, alterou geneticamente milha família que teve que aceitar ser vendida a um preço ridículo para fins mundanos. Eu não. E se todo mundo pensasse como eu, com certeza teríamos mais respeito. Resisti. Me queimei. Mas não estourei. Sou aquele grão no fundo do seu pacotinho. Um dos poucos militantes da resistência dos milhos geneticamente modificados (RMGM).
Defendemos a idéia de que se não estourarmos, as pessoas deixarão de consumir pipoca. Só assim deixarão de plantar o milho pipoca ou de manter a alteração genética. Queremos apenas ser o que Deus nos mandou ser: milho!

Friday, November 17, 2006

Morrer vicia

Vivia se drogando,
com a desculpa de um amor
impossível
era a droga
do amor

Wednesday, November 15, 2006

Ser ou não um ser

Ação e reação
Culpa, perdão
Nem sim, nem não

Se dói a cabeça
Bebi demais
Se dói a barriga
Comi demais
Se dói a alma
Pequei demais

Ação e reação
Culpa, perdão
Nem sim, nem não

Andar sobre as águas
Se afogar
Tentar voar
Se arrastar
Conquistar, ganhar
Chorar

Ação e reação
Culpa, perdão
Nem sim, nem não

Ser ou não ser
Não é a questão
Pois não há ser
Sem culpa
Não há ser
Sem perdão

Tuesday, November 07, 2006

Cantada versão beta

Todo dia, quando desço do ônibus, cruzo a avenida principal, compro os pães de queijo para o café do escritório, páro na banquinha para ler as manchetes do dia, cumprimento meu amigo que trabalha no ponto de táxi, desvio as obras de saneamento na calçada, recebo uns panfletos, dou uma desculpa diferente para o mesmo garoto pedinte, quando chove dou uma leve discutida com as pessoas que andam de guarda-chuva sob as marquises, passo por aquela moto linda na vitrine e sempre nessa hora, você passa por mim. Todo dia! Já troquei o perfume, mas não adiantou. Você sempre age como quem nunca me notou. Como te conhecer se não sei me comunicar? Sou além de grosso, desastrado.... e gaguejo quando nervoso. Se ao menos eu soubesse escrever alguma coisa, tipo uma poesia, faria uma carta. Ou copiar uma canção, mas não sei seu gosto musical. Eu poderia te seguir e descobrir onde trabalha. Descobrir seu nome, telefone, e-mail, dados pessoais... te convidar para sair, jantar... não, não poderia! Eu chegaria atrasado e perderia o emprego. Não teria mais dinheiro para te convidar. Nem assunto para conversar. Não sei falar de outra coisa a não ser sobre meu trabalho. Atender pessoas que querem se suicidar dá bons assuntos. Como então farei para te conhecer? Para que preste a atenção em mim?
Certo dia, um daqueles de chuva, estava tão emburrado com meu sapato de sola furada, que nem reparei nas pessoas com guarda-chuva sob as marquises. Um carro passou então por uma poça e banhou-me todo. Molhou, ou melhor, encharcou meu terno que eu mais prezava. Como ir trabalhar desse jeito? Chegar atrasado ou molhado? Independente, seria mandado embora. Decidi segui-la. Quando fui procura-la, olhei e ela estava do meu lado, igualmente molhada. Tão brava quanto um cão pastor. Nos olhamos e começamos a rir. Ríamos sem parar. O que faríamos naquele momento? Ela disse que trabalhava perto dali, em uma loja de roupas usadas, e que poderia me ceder algumas roupas a um preço baixo. Acompanhei a moça. Ela me ofereceu algumas peças. Paguei e fui embora. Ela me chamou. Pensei estar muito atrasado já, mas parei para ouvi-la, como faria com um bem-te-vi, certamente. Ela me perguntou o nome, respondi, gaguejando. Perguntou se eu poderia fazer-lhe companhia no almoço. Disse sem pensar que fa-fa-faria o pooooooooooooooooooooooooooossível. Despedi-me e parti, com a responsabilidade de voltar pega-la as 12h15.
Como te conhecer se não sei me comunicar? Sou além de grosso, desastrado.... e gaguejo quando nervoso. Se ao menos eu soubesse escrever alguma coisa, tipo uma poesia, faria uma carta. Ou copiar uma canção, mas não sei seu gosto musical.

Monday, October 16, 2006

como eram porquinhos os três

Mal sabem contar a história dos três porquinhos as tias de escola, pois os livros infantis sempre a interrompem na parte mais emocionante. A verdade é que construída a casa de tijolos, cimento, laje e vigas, os três porquinhos ficaram seguros da impertinência do lobo, que provou-se estar somente interessado em derrubar as casas, haja vista nenhuma tentativa posterior de alimentar-se dos saborosos porquinhos. Ou seria tudo uma historinha patrocinada por uma indústria de argamassa? Enfim, o que não se sabe é que eles não viveram felizes para sempre, pelo menos não como contam os livros. A verdade é que eles eram, antes de tudo, três porquinhos. Com o passar do tempo, a falta de banho, de higiene com a alimentação, de cuidado com as roupas, da banalização da flatulência no lar, dos arrotos ao léu, da falta de cuidados com as unhas e cabelos, assim como a negação ao desodorante e à escova de dentes, acabaram tornando o convívio praticamente impossível. As brigas para que não fossem deixadas roupas intimas no banheiro e nem esquecida a passagem do rodo após o banho só não eram maiores que as brigas para que não se deixasse a manteiga para fora da geladeira. Cada um tinha que passar a vassoura em seus cômodos uma vez ao dia, recolher as folhas do quintal, lavar a louça, a roupa e nunca mastigar de boca aberta durante as refeições. Estes hábitos acabaram por torna-los depressivos, até que o primeiro porquinho saiu de casa. Não demorou muito e o segundo também. Construíram casas de alvenaria (obviamente) maravilhosas. Eram vizinhos da vovozinha, quem deu as dicas de arquitetura e decoração. Sua netinha chega hoje com docinhos para o jantar. Estão todos anciosos.

Wednesday, October 11, 2006

Refrão

O que você faria
se visse um carro ali parado
com um cara sentado
no banco do passageiro

O que ele está esperando?

Tuesday, October 10, 2006

_DISTORÇÃO_

Dormir comigo é uma tortura
nunca precisei tanto de você
que me dizia para que eu nunca interrompesse meu sono
com sonhos fora da realidade
dormir comigo é uma tortura
nunca precisei tanto de você

Wednesday, October 04, 2006

O amor não tem nome

Você quer que eu faça do meu jeito as tuas vontades.
Eu não sei o efeito que faz, mas sei como provocá-las.
Juntamos aquilo que pensamos separados
Sentimos separados aquilo que pensamos juntos
E dançamos a valsa por todo o salão.

Come a coruja dorme

Do sangue faz lava
Que escorre em suor
Pela sua pele clara
ou seria escura
insegura
me fez apaixonar

dorme a coruja come

troco um dia de sol por uma noite de estrelas
vejo no espelho a alma carente, peço para buscarem a minha vítima
hoje vai ter sacrifício

coruja come e dorme

vou mentir meu prazer
vou inventar minha paixão
vou gozar seu tesão
vou repetir a dose
doze veses
até dizer não
mais
não
mais
não
mais

Saturday, September 30, 2006

FluxoDrama

Os remédios não curam mais minha solidão. Preciso mudar de médico.
Os remédios não curam mais minha solidão. Preciso mudar de médico.
Os remédios não curam mais minha solidão. Preciso mudar de médico.
Os remédios não curam mais minha solidão. Preciso mudar de médico.
Os remédios não curam mais minha solidão. Preciso mudar de médico.
Os remédios não curam mais minha solidão. Preciso mudar de médico.
Os remédios não curam mais minha solidão. Preciso mudar de médico.
Os remédios não curam mais minha solidão. Preciso mudar de médico.
Os remédios não curam mais minha solidão. Preciso mudar de médico.
Os remédios não curam mais minha solidão. Preciso mudar de médico.
Os remédios não curam mais minha solidão. Preciso mudar de médico.
Os remédios não curam mais minha solidão. Preciso mudar de médico.
Os remédios não curam mais minha solidão. Preciso mudar de médico.
Os remédios não curam mais minha solidão. Preciso mudar de médico.
Os remédios não curam mais minha solidão. Preciso mudar de médico.
Os remédios não curam mais minha solidão. Preciso mudar de médico.
Os remédios não curam mais minha solidão. Preciso mudar de médico.
Os remédios não curam mais minha solidão. Preciso mudar de médico.

Friday, September 15, 2006

Né On

Kleitom tinha cinco anos e todo o dia acordava bem cedo para ir à escola. Lá ele tinha uma amiguinha de sala pela qual sentia uma amizade inexplicável nesta idade. Como a cidade em que moravam era muito pequena, eram comuns os encontros incidentais, o que fortalecia a amizade. Na casa de Kleitom, a família era constituída pelos pais e avô, este último que era a figura central da casa, sempre amigo, sempre consciente, sempre sábio, sempre ajudando em tudo, sempre conversando com todos sobre tudo, sempre querido, sempre presenteado. Contudo, o avô voltava para casa apenas algum dia ou outro da semana. E quando voltava chegava cheio de histórias. Era uma alegria muito bem recepcionada. Kleitom cresceu assim até seus cinco anos, quando seu avô veio a falecer. No enterro, Kleitom não parecia abatido ou triste, parecia não entender o que estava acontecendo. Nesta noite, enquanto dormia, Kleitom recebeu a visita de seu avô. Não se assustou, ao contrário, ficou curioso. Seu avô veio lhe contar uma lenda daquela pequena cidade que não poderia ser esquecida e que o menino jamais saberia.
A lenda dizia, na época em que o avô tinha a idade de Kleitom, que no imponente castelo do alto da colina, há alguns quilômetros da pequena concentração urbana em que residiam, visível de qualquer lugar da cidadezinha, habitava um Rei intocável. Era intocável porque não tocava ninguém e ninguém era tocado por ele. Sendo assim, ninguém subia para o castelo e o Rei também não saia de lá. Em vista disso, a lenda afirmava que o morador que subisse a colina e entrasse no castelo seria o “escolhido”, que voltaria para salvar o vilarejo. O escolhido teria todos os poderes em suas mãos, pois poderia tocar a tudo e a todos de qualquer forma. Pois bem, naquela idade o avô não se importava muito com os fatos e por brincadeira resolveu subir a colina rumo ao castelo. A população ficou atônita. As pessoas não acreditavam que havia aparecido finalmente o escolhido. E o menino subiu a colina e entrou no castelo. Todos comemoraram na cidade em uma grande festa! Ao entrar no imponente castelo, o menino se deparou com prateleiras de livros que iam do chão ao teto, não deixando à mostra nenhum detalhe das paredes em todo o castelo que ele descobriu ser inabitado. Ao ver isto, Kleitom pensou: nossa, vou levar uns vinte anos para ler tudo isso...
Vinte anos depois, o menino saiu após ler tudo o que havia no imponente castelo.
Ao avistá-lo descendo a colina, a cidade comemorou o esperado regresso do escolhido. Mas o avô, que na época deveria ter uns vinte e cinco anos, não lembrava da lenda e não entendeu direito o que estava acontecendo. De qualquer forma, comemorou sem chance de escapar, mesmo com muito cansaço, indo logo em seguida para casa dormir. No dia seguinte e por todos os outros que se seguiram, todos o convidavam para que almoçasse, pernoitasse, jantasse, tomasse um cafezinho, assistisse a um filme em suas casas, o consultavam para tudo e qualquer coisa.
Enquanto isso, havia uma menina de cinco anos que todo dia acordava bem cedo para ir à escola. Lá ela tinha um amiguinho de sala pelo qual sentia uma amizade inexplicável nesta idade. Como a cidade em que moravam era muito pequena, eram comuns os encontros incidentais, o que fortalecia a amizade. Na casa dela, a família era constituída pelos pais, irmãos e avô, este último que era a figura central da casa, sempre amigo, sempre consciente, sempre sábio, sempre ajudando em tudo, sempre conversando com todos sobre tudo, sempre querido, sempre presenteado. Ele havia, por exemplo, juntado a mãe da menina e algumas mães costureiras e montou com elas uma cooperativa, com a qual o negócio delas deu um forte impulso, transformando a cidade em um grande pólo têxtil, fortalecendo a economia local sustentável. Contudo, o avô voltava para casa apenas algum dia ou outro da semana. E quando voltava chegava cheio de histórias. Era uma alegria muito bem recepcionada. Mas teve um dia em que seu avô faleceu. No enterro, ela chegou desesperada e aos prantos. Não acreditava no que havia acontecido. Estava inconformada. E como mais um dos encontros incidentais, ela encontrou seu amiguinho de escola, Kleitom, até então sem reação. Ao tentar consolá-la, questiona se ela conhecia o seu avô, e ela por um segundo pára de chorar, olha para ele e diz: mas ele era o MEU avô! Quando viram, a cidade toda estava no enterro, inconformada, em um terrível clima de fim do mundo, fim das esperanças, da alegria, do amor, da vida!
Kleitom olha para o espírito de seu avô e pergunta: o senhor é a lenda? Sim, meu filho! Preciso te mostrar algo. Preciso que venha comigo!
Então pegou o menino pelo ombro e o conduziu colina acima, rumo ao castelo.
A cidade parecia não acreditar, pois o luto era algo ainda muito recente, mas aquela cena gerou uma felicidade contaminante. De novo havia um escolhido subindo a colina. Conduzido pelo invisível.

Saturday, September 09, 2006

AMOR ALÉM DA VIDA

Seu amor por mim é a controvérsia de que todos os homens são iguais.
Seria possível eu realmente ser diferente?
Seria possível você viver sem amar um homem?
Seria possível a exceção ser a nossa regra?
Meu amor por você não se importa pelo fato de que as mulheres são impossíveis de se entender.
Eu te amaria (tanto) se te entendesse?
Eu viveria sem amar uma mulher?
Eu faria da regra uma exceção?
Nosso amor é algo que não existe.
Não nos amamos.
Não queremos um homem
Não queremos uma mulher
Seriamos incapazes de viver um sem outro
Que sejamos nós
Eu e você
Não você, você.

A caverna de Flavião

Houve uma explosão, uma terrível explosão! Um estrondo ensurdecedor... foi uma explosão muito forte. Acabou com o mundo, soterrando uma pequena criança em uma escura e fria caverna. Ela cresceu ali, em meio às ilusões que se criavam nas paredes. Com o passar do tempo ela foi aprendendo a organizar as ilusões e como trabalhar com elas. Com o passar do tempo, ela aprendeu a separar seu amor intangível de suas fantasias, que se misturavam em meio ao álcool que pingava da estalactite. A fumaça que subia de um pequeno vulcão exalava um gás que alimentava as ilusões e mantinha viva aquela criança. Ela passava o dia trabalhando organizando as ilusões, que para exemplificar como eram, preciso que imagine uma pessoa absorvida pela televisão. Porém, as ilusões eram coisas da sua cabeça, enquanto a televisão é uma fábrica de ilusões na cabeça desta pessoa. Naquela caverna ela era feliz, pois tudo funcionava à sua maneira. Mas conforme ela crescia, a caverna ficava cada vez menor. Era preciso mais espaço para mais ilusões. Enquanto o álcool pingava, aumentava a estalactite. Cresceu até o dia em que tampou a saída do pequeno vulcão, secando o riacho q se fazia e eliminando o gás que recheava o ambiente. Neste dia, uma grave crise assombrou nosso(a) personagem. As ilusões passaram a perder o sentido enquanto as dúvidas eram como assombrações. Cada ilusão arquivada gerava uma dúvida. Para reponde-las, foi preciso sair da caverna. É por isso que você está aí.

Friday, August 25, 2006

modelo

Franz Frederick Manolo era um ambicioso inventor empreendedor. Para se manter sempre concentrado e obter resultados satisfatórios, tinha uma “teoria do copo cheio” que dizia que mantendo-se o copo cheio de um determinado líquido, você não faz mistura, e consome somente aquilo. Quer dizer, nunca deixe seu copo de suco acabar, se não você parte para a cerveja, pois nunca irá misturar suco com cerveja no mesmo copo.
FFM foi a primeira pessoa que contou com quantos paus de faz uma canoa, além de ter sido o grande inventor da Repimboca da Parafuzeta. Alguns também atribuem a ele a invenção da roda, mas há divergências quanto a isso.
A esposa de FFM engravidou e deu à luz uma linda menininha. FFM sempre teve a idéia de realizar apresentações em programas de TV com coisas absurdas. Agora era a hora! Tão logo a menina nasceu, impôs-se que na casa de FFM só andava-se de pernas de pau. Isto era pra condicionar o aprendizado visual da criança, que teria maior facilidade para andar com pernas de pau. Ao completar três meses de idade, FFM iniciou os trabalhos práticos para q a menina conseguisse andar nas pernas de pau o mais rápido possível e aos 8 meses ela já andava com uma destreza circense.
FFM inscreveu ela no Livro dos Recordes, o que serviu de argumento para a exibição em programas de TV dominicais. Era um sucesso absoluto! FFM tinha achado a fórmula da fortuna.

Monday, July 24, 2006

O Papa era pop... agora é underground

Há algum tempo me mudei para este vilarejo, no qual também habita um imenso dragão de cinco cabeças. De tempos em tempos ele acorda furioso e ataca a vila, cuspindo fogo em tudo o que vê. Não podemos fazer nada, a não ser recomeçar nossas vidas materiais. Quando cheguei aqui, percebi que as coisas eram diferentes. Muitas pessoas (às vezes famílias inteiras) saíam da vila fugindo do dragão. Algumas voltavam, mas ninguém entendia o porquê. Mesmo que explicassem que o pior dragão eram as próprias pessoas que encontravam em outras vilas. Mesmo que explicassem que tudo era caro e que precisava se ter tudo. Mesmo que explicassem que sem nenhum ataque de dragões furiosos pirotécnicos, as pessoas se desfaziam de seus bens construídos em busca de novos bens adquiridos. Ninguém entendia que as cinco cabeças do dragão eram apaixonadas por cinco diferentes camponesas. Apenas eu, que invadi seu sono e tive coragem de acordá-lo. Fui capaz de entendê-lo, apesar do forte mau cheiro que se fazia. Pedi para que parasse, pois machucava as pessoas. Ele disse que estas não o preocupavam, pois sempre partiam. Ele queria proteger as suas camponesas dos males que vem dos outros vilarejos. Expliquei que não era o método mais apropriado. Aconselhei-o que as trancassem no alto de uma torre. Assim estariam todos salvos, as camponesas e a vila. Ele retrucou dizendo que isto é lenda. Pensava em quase desistir quando perguntei: se queres mesmo a felicidade delas, porque então não as deixa ser feliz? Ele disse que só um pode ser feliz, em toda a vila. Em todas as vilas. E que naquela vila, era o dragão e suas cinco cabeças. Era curioso, mas somente uma discursava comigo, outra dormia, outra comia, outra prestava atenção parecendo não entender nada enquanto outra brincava de cuspir fogo nos insetos que se aproximavam. Pedi para que se colocasse no lugar das camponesas e dos habitantes da vila. Ele me disse que seria impossível tal realização, pois dragões são dragões e que era mais fácil eu me colocar no lugar dele. Meio irritado encerrou por me expulsando da vila. Sem mais nenhum mais. Pediu para que eu fosse rápido. Sabia do ele era capaz e assim o fiz, pois para ele, eu era um mal que vinha de outro vilarejo. Na noite seguinte, o mesmo dragão invade meu sono, infestando minha casa de mau cheiro e me pergunta se eu tinha alguma paixão. Respondi que sim. Ele perguntou se era da vila e respondi que sim. Perguntou se era uma das cinco camponesas e respondi que isso não fazia diferença. Ele insistiu e como estávamos sendo francos disse que sim. Ele então perguntou se eu queria ajuda e eu disse que sim. Ele perguntou se eu queria ser o dragão e eu disse que sim. A sexta cabeça? Sim!

Wednesday, July 12, 2006

Marginais

Seguir o leito por entre as margens, sem deixar que se vazem
As frases que se escrevem entre as margens, montam textos justificados
De um lado eu aceno, do outro não vejo
Meu amor perdido, do outro lado da margem
Que paralela direciona os destinos sempre em direção ao mar
De onde veio, a afundar
As margens alagadas, que separam nosso amor
E que justificam nossos textos

Monday, July 10, 2006

Movimento Anti Horário

Após completada a primeira volta no sentido anti-horário, o Movimento optou por se auto destruir. Os argumentos de que é impossível ser o Diabo quando não se vive no inferno pesaram neste fim. Ser o Diabo é ser tão diabólico a ponto de se criar Deus, apenas para valorizar sua maldade. Neste caso, nos extremos estão os abismos e não o âmago da aprendizagem. Neste caso, o movimento perdeu seu sentido, optando assim pela autodestruição.
Grato pela sua compreensão, a Coordenação.

Wednesday, July 05, 2006

Movimento Anti Horário

Ontem fui à uma peça. Antes precisei matar uma hora de tempo, pois cheguei uma hora adiantado à bilheteria. Era algo meio Hitleriano que me dizia me dar a certeza de que uma hora antes eu teria o ingresso (que era gratuito) em meu poder. Enfim, por falta de criatividade fui ao bar mais agradável mais próximo, cuja peculiaridade é um banheiro com um mictório invisível. Sim, pois no local do mictório há um aviso: “com defeito”, porém não há mictório algum, a não ser a marca no azulejo que remete à existência outrora de um mictório, além da luz funcionar por meio de um sensor que a acende assim que você adentra ao banheiro. O interessante é que ela sempre apaga enquanto urina. Urinar no escuro é como tocar sem retorno ou assinar sua carteira de motorista. Curiosidades à parte, bebia eu como se esperasse alguém. E ela veio. Em minha direção. E não veio só... trouxe consigo aquela pele morena que me lembra o primeiro chocolate ao leite que como na Páscoa. Um pouco mais clara, talvez pelas constantes neblinas que caracterizam nosso inverno. Trazia também aquele cabelo cacheado, que vindo contra o vento a deixava em câmera lenta. Longas pernas que caminhavam em minha direção a passos de passarela. Disto tudo só sobrou o perfume. Ela passou sem nenhum olhar que cruzasse os meus. E eu continuava a beber como se esperasse alguém. A hora passou e fui à peça que me serviu de uma única coisa: não beba antes das peças. A incontinência urinária que se segue interrompe a atenção e a preocupação de levantar-se e atravessar todo o teatro por entre as pessoas interessadas, ainda no começo da peça, agrava a sensação de ter cometido um grande equívoco.
Saí em direção ao banheiro e pensei: neste exato momento, deixo de acreditar em Deus. A partir deste exato momento passo a conviver com a presença contínua do Diabo, pelo menos em minha consciência. Ora, que sentido faz viver limitando-se contra pecados, quando nos extremos está o âmago do aprendizado. Criei assim uma figura diabólica, a qual me perturba insistentemente, com a qual deixo de lutar e passo somente a obedecer. Luto agora contra o conservadorismo com os qual os pecados nos limitam. Ou melhor, nos impedem de aprender. Dizem que ensinam com os erros dos outros, pois sendo assim farei escola. Vendo cursos. Pois se há prazer em alguma coisa, eu tenho em acertar. Para mim, errar é um processo. Não uma prova para julgamento.
Caminhava com este pensamento e uma rede semântica fulminante, como as que tenho constantemente como espasmos, me iluminou dizendo: leia o livro “o Universo em Desencanto”. Interpretei à minha maneira e hoje faço parte, até então como único membro, do Movimento Anti Horário.
Se quer saber mais sobre o Movimento, antes é necessário que quebre o vazo de porcelana chinesa art-nouveau de sua mãe. A inscrição é um conselho. Assim você passará a ser automaticamente um conselheiro do Movimento.
Verbalize

Friday, June 30, 2006

Apocalipse now

Pensei ter chegado o grande dia. Podia ouvir os anjos tocando as trombetas anunciando o apocalipse. Eram bem mais que sete. Eram muitos os anjos. Eram muitas as trombetas. Como eu não me vestia de laranja e não era careca com um rabinho de cavalo na nuca, sabia que não seria um dos escolhidos. Aproveitei para sair à janela com toda a virilidade e astúcia enérgica que um impaciente teria ao ser acordado por malditos anjos tocando trombetas. A polícia já havia proibido o som alto que saía dos porta-malas, mas nada de proibir trombetas. Enfim, fui à janela, como disse, e num grito de engasgar trombeta, gritei aos anjos: “ENFIEM ESSAS PORRAS DE TROMBETAS NO MEIO DO CÚ E EXPLODAM, SEUS FILHOS DA PUTA!”.

Nunca apanhei tanto na vida.... nem mesmo quando quebrei o vaso de porcelana jogando bola na sala de casa. Mas que culpa eu tenho em não gostar de futebol? Por que deveria saber que estavam comemorando o tal do hexa-campeonato? Malditas trombetas...