Não somos obrigados a ter que tocar sempre as mesmas notas, nem por isso somos obrigados a improvisar.
Wednesday, June 27, 2007
Cientista Maluco.
Resolvi passar uma noite em claro, montando diversos crachás. Uns azuis claro, com a identificação DW265, outros azuis mais escuros escrito UY743, alguns rosa LZ559, um tanto de verde SQ489, sobrou tempo para montar um punhado de laranjas HFT3 e uns vermelhos O+777. Fui bem cedo até a Rua XV (para quem não conhece é o local mais democrático do Planeta, onde você pode encontrar todo tipo de pessoa a qualquer momento em toda a sua extensão. Dizem que é nessa rua que se realizam as pesquisas eleitorais das quais você nunca participa e que acabam por decidir o resultado das eleições). Passei o dia indo de lá para cá distribuindo os crachás, convencendo as pessoas a nunca mais tirarem e sempre andarem com ele à mostra. Comecei a monitorá-las à distância. Alguns montaram grupos de encontro de determinado crachá pela internet, outros montaram festivais de tudo quanto é coisa a fim de misturar todos os grupos. Chegaram até a montar um movimento de “troque seu crachá com a primeira pessoa que encontrar de crachá diferente e sinta um outro lado da vida”. Mas a maioria já se sentia como o reflexo da imagem do crachá e evitava esse tipo de atitude. Formaram-se bairros, bares, escolas, centros culturais, religiões, universidades, economia, tudo peculiar a cada grupo de crachá. A quantidade de pessoas nem sempre queria dizer que determinada cor era mais evoluída. Nem a proporção de sexo determinava qual sigla era pior. A combinação dos números também não indicavam sorte ou azar. Nada melhorou ou piorou. Mas a intenção com certeza não era essa. Eu só queria que as pessoas tirassem os crachás assim que me dessem as costas!
Wednesday, June 13, 2007
JANELA INDISCRETA
Eu sei que muita gente já escreveu sobre isso, mas eu não posso deixar de relatar o meu ponto de vista.
Admirava a lua, como todas as noites daquele seco inverno. Iluminava a rua, os telhados, as casas. Já se fazia a hora de ficar acordado. Como se conversasse com os anjos. E como um reflexo na água, eu vejo a imagem da sedução. Um corpo perfeito, meio escondido, distraído, por trás da cortina, adora uma água gelada nas madrugadas secas de inverno. Eu queria ser aquela sede. Passei a observá-la. Sempre com sede. Sempre interrompendo minha conversa com os anjos. Notei sua sombra que parecia me vigiar. Te fazia insinuar. Me fazia acreditar, que era você quem estava a me observar.
Admirava a lua, como todas as noites daquele seco inverno. Iluminava a rua, os telhados, as casas. Já se fazia a hora de ficar acordado. Como se conversasse com os anjos. E como um reflexo na água, eu vejo a imagem da sedução. Um corpo perfeito, meio escondido, distraído, por trás da cortina, adora uma água gelada nas madrugadas secas de inverno. Eu queria ser aquela sede. Passei a observá-la. Sempre com sede. Sempre interrompendo minha conversa com os anjos. Notei sua sombra que parecia me vigiar. Te fazia insinuar. Me fazia acreditar, que era você quem estava a me observar.
Tuesday, June 12, 2007
Um minuto de infelicidade que pode durar uma vida toda...
Trouxe a lua nova
para te iluminar
como uma estrela cadente
a me guiar
dois corações carentes
a se encontrar
nesta noite fria
num balcão de bar
eu seria um estúpido
em te amar
jogue suas cartas
e continue a jogar
não me importo em perder
só não quero te largar.
para te iluminar
como uma estrela cadente
a me guiar
dois corações carentes
a se encontrar
nesta noite fria
num balcão de bar
eu seria um estúpido
em te amar
jogue suas cartas
e continue a jogar
não me importo em perder
só não quero te largar.
Saturday, June 09, 2007
Por sorte!
Peguei a estrada errada
com paisagens lindas
eram pensamentos tão sinceros
eram pensamentos tão vagos
Parecia tudo tão certo
naquela estrada
nem me parecia mais errada
com paisagens lindas
que deixavam vagas na memória
que me fizeram lembrar você
naquela estrada errada
com paisagens lindas
eram pensamentos tão sinceros
eram pensamentos tão vagos
Parecia tudo tão certo
naquela estrada
nem me parecia mais errada
com paisagens lindas
que deixavam vagas na memória
que me fizeram lembrar você
naquela estrada errada
Wednesday, May 23, 2007
Chupe Aqui
Habitante de Curitiba, cidade natal, “capital ecológica”, sede em 2006 do COP8 e do MOP3, cidadão politicamente correto, escrevo abaixo um roteiro de campanha em defesa da (bio)diversidade. O título deste post é um incentivo à cópia da idéia, caso alguém tenha poder de produzi-la.
Narração masculina, mostrando um garotinho com diversas tampinhas de garrafas: Pedrinho tem uma coleção desde 1932 com mais de três mil tampinhas que herdou de seu avô. Se perder alguma, nunca mais poderá voltar no tempo para recuperá-la. Seu Alceu tem uma coleção de selos. Dona Eliete tem uma coleção de moedas. Carlos tem uma coleção muita rara de revista em quadrinhos. Nos museus estão as coleções originais de arte mais antigas dos melhores artistas. Se por descuido alguém perder uma obra, jamais alguém fará igual.
Até aqui vinham imagens das pessoas e suas respectivas coleções. Quando começamos a falar dos museus, começam imagens de obras famosas, como Monalisa, Guernica, a Merlin Monroe de Andy Warhol e alguma outra importante q não me recordo agora. Seguidas de imagens de maravilhas do mundo (sendo) destruídas, como a muralha da China, esfinge, pirâmides do egito, Taj Mahal, Machu Pichu, Cristo Redentor e alguma outra importante q não me recordo agora, e fecha com a imagem da taça Jules Rimet sendo erguida no tricampenato de 70 (que fui roubada e derretida).
Com uma trilha emocionante e animadora, começam agora imagens de fauna rara e flora desmatada, seguida de belas imagens de fauna e flora e a seguinte narração: Todo ser humano tem uma coleção de espécies e todo ano muitas delas desaparecem para sempre. Não compre e não mate animais silvestres. Não compre e não derrube espécies nativas. Plante! Preservar é construir o mundo em que vivemos. Colecione.
Encerra com a cena saindo de uma cena de TV e indo para a família sentada no sofá assistindo, em plano seqüência e sem som. Corte seco final.
Narração masculina, mostrando um garotinho com diversas tampinhas de garrafas: Pedrinho tem uma coleção desde 1932 com mais de três mil tampinhas que herdou de seu avô. Se perder alguma, nunca mais poderá voltar no tempo para recuperá-la. Seu Alceu tem uma coleção de selos. Dona Eliete tem uma coleção de moedas. Carlos tem uma coleção muita rara de revista em quadrinhos. Nos museus estão as coleções originais de arte mais antigas dos melhores artistas. Se por descuido alguém perder uma obra, jamais alguém fará igual.
Até aqui vinham imagens das pessoas e suas respectivas coleções. Quando começamos a falar dos museus, começam imagens de obras famosas, como Monalisa, Guernica, a Merlin Monroe de Andy Warhol e alguma outra importante q não me recordo agora. Seguidas de imagens de maravilhas do mundo (sendo) destruídas, como a muralha da China, esfinge, pirâmides do egito, Taj Mahal, Machu Pichu, Cristo Redentor e alguma outra importante q não me recordo agora, e fecha com a imagem da taça Jules Rimet sendo erguida no tricampenato de 70 (que fui roubada e derretida).
Com uma trilha emocionante e animadora, começam agora imagens de fauna rara e flora desmatada, seguida de belas imagens de fauna e flora e a seguinte narração: Todo ser humano tem uma coleção de espécies e todo ano muitas delas desaparecem para sempre. Não compre e não mate animais silvestres. Não compre e não derrube espécies nativas. Plante! Preservar é construir o mundo em que vivemos. Colecione.
Encerra com a cena saindo de uma cena de TV e indo para a família sentada no sofá assistindo, em plano seqüência e sem som. Corte seco final.
Thursday, May 17, 2007
De trás pra frente
Hélio tinha um prazer em trabalhar com os números de deixar a esposa com ciúmes do ábaco. Para Hélio, tudo era convertido em números. O tamanho, o peso, a velocidade, o formato, a quantidade, a idade, o valor, o dia, o ano, a hora, os andares, os degraus, o telefone, o fax, o documento, o protocolo, a medida, a página, o conteúdo, o comprimento, os graus, a latitude, a longitude, o tempo, o espaço, a distância, os itens, subitens, o volume, a área, altura, largura, percentagem, a edição, a ordem, o CEP, o endereço, o cadastro, o registro, o ramal, a sinuca, o bingo, o baralho, a validade, o lote, o código de barras, o valor nutricional, as calorias, as refeições, a geometria, trigonometria, o sexo, o salário, a rádio, a música, o ranking, o placar, a profundidade, os habitantes, a população, a amostra, as inserções, a freqüência, a abrangência, o silicone, a dívida, o empréstimo, os juros, o risco, a probabilidade, o canal, o candidato, as vitórias e derrotas, os namoros, os impostos, a senha, o rebanho, a aposentadoria, a coleção, a safra, os lados, o estágio, a penitência, a pressão, o ritmo, o recorde. Tudo convertido em números. Ficou famoso ao dar nome ao gás.
Wednesday, May 02, 2007
DESTINO
É como sair de casa e ver um gato branco cruzar seu caminho. Ligar o som ou a tv logo cedo e ver a previsão do tempo dizendo para que saia agasalhado, mas com uma regata por baixo e não esqueça o guarda-chuva, por favor, estou avisando! Enfim, é assim que acontece. Falaremos um pouco sobre o destino. Se existe e como funciona. Peguemos o exemplo do Zé Mané, cidadão de bem (quando nascer), trabalhador (quando encontrar um), bom pai (quando for), estudioso (quando foi), fiel em seu relacionamento (quando tiver). Sobre o destino: s. m., concatenamento supostamente necessário de factos e suas causas; fim pré-determinado que orienta as acções e os acontecimentos na vida dos homens; fatalidade; sina, sorte; futuro, porvir; fim, aplicação a que se destina alguma coisa; lugar onde alguém se dirige ou onde se manda ou se deve entregar alguma coisa; direcção, rumo; propósito, tenção (fonte: http://www.priberam.pt/dlpo/definir_resultados.aspx).
Logo, podemos dizer que o destino de Zé está traçado, pois assim que ele sai de casa, pega o ônibus na porta de casa que o entrega na porta do trabalho. Nenhum congestionamento, acidente, ameaça de bomba, obra na rua é capaz de desviar seu rumo. Isto obriga que ele conviva com as mesmas pessoas que coincidentemente tem o mesmo destino naqueles vinte minutos. Em especial, a Zé Mané. Cidadã cuja qual não se sabe absolutamente nada. Apenas seu apreço por calças apertadas e decotes que jamais a deixaria desempregada. Quando se faz necessário, descem do ônibus e param no sinaleiro antes de atravessar a rua, evitando assim um eventual atropelamento. Não há outra opção se não aguardar o elevador que o leve os 12 andares acima. Até aí, seu destino estava traçado. Ao chegar no escritório, um e-mail cobrando um relatório que era para quarta, mas o chefe vai ter que viajar para São Paulo hoje a tarde e o Zé que se vire. O telefone toca, é da escola de seu filho, dizendo que apanhou de um gordinho e que é para comparecer urgentemente ao pronto-socorro do hospital Pequeno Príncipe. O relatório que se foda.... o chefe que vá para o inferno... horas depois, retorna ao escritório e a secretária - que está quase aceitando seu convite para jantar – diz em tom suave que tem uma correspondência para ele e entrega um envelope desses grandes, em papel kraft. É um currículo, de rapaz recém chegado da Europa, com cursos de todos os níveis (como ele teve tanto tempo assim?). Bem mais novo, mais cheio de gás, mais cheio de criatividade e podendo cobrar um pouco menos... ideal... se não fosse para o cargo do Zé! Quando foi rasgar o papel, o chefe, que olhava pelo aquário da sua sala, interrompe com um olhar e o chama para ver o papel. Levou e confessou covardemente que queria sair porque acreditava que aquele rapaz seria um profissional bem melhor para a empresa. O chefe analisou e lhe deu razão. Até aí estaria tudo traçado? Mesmo a morte da Zé?
Logo, podemos dizer que o destino de Zé está traçado, pois assim que ele sai de casa, pega o ônibus na porta de casa que o entrega na porta do trabalho. Nenhum congestionamento, acidente, ameaça de bomba, obra na rua é capaz de desviar seu rumo. Isto obriga que ele conviva com as mesmas pessoas que coincidentemente tem o mesmo destino naqueles vinte minutos. Em especial, a Zé Mané. Cidadã cuja qual não se sabe absolutamente nada. Apenas seu apreço por calças apertadas e decotes que jamais a deixaria desempregada. Quando se faz necessário, descem do ônibus e param no sinaleiro antes de atravessar a rua, evitando assim um eventual atropelamento. Não há outra opção se não aguardar o elevador que o leve os 12 andares acima. Até aí, seu destino estava traçado. Ao chegar no escritório, um e-mail cobrando um relatório que era para quarta, mas o chefe vai ter que viajar para São Paulo hoje a tarde e o Zé que se vire. O telefone toca, é da escola de seu filho, dizendo que apanhou de um gordinho e que é para comparecer urgentemente ao pronto-socorro do hospital Pequeno Príncipe. O relatório que se foda.... o chefe que vá para o inferno... horas depois, retorna ao escritório e a secretária - que está quase aceitando seu convite para jantar – diz em tom suave que tem uma correspondência para ele e entrega um envelope desses grandes, em papel kraft. É um currículo, de rapaz recém chegado da Europa, com cursos de todos os níveis (como ele teve tanto tempo assim?). Bem mais novo, mais cheio de gás, mais cheio de criatividade e podendo cobrar um pouco menos... ideal... se não fosse para o cargo do Zé! Quando foi rasgar o papel, o chefe, que olhava pelo aquário da sua sala, interrompe com um olhar e o chama para ver o papel. Levou e confessou covardemente que queria sair porque acreditava que aquele rapaz seria um profissional bem melhor para a empresa. O chefe analisou e lhe deu razão. Até aí estaria tudo traçado? Mesmo a morte da Zé?
Monday, April 23, 2007
Tuesday, April 17, 2007
Seres abduzidos
Ontem algumas coisas me tiraram do sério: logo cedo o gordo joga a embalagem do Bis na calçada. Pela tarde, a gordinha (outra coincidência) joga o copo do suco pela janela do ônibus. À noite, um piá que andava em um bando pixa a fachada de loja. Juro que me senti um E.T. Quero voltar pra casa. Telefone.
Mas enquanto o maloqueiro (esse é o termo) pixava, eu andava de skate na rua. A incansável prática de acertar aquela manobra. Até a camiseta dissolver em suor. Foi quando um garoto, rapaz, transeunte, não sei, me chama a atenção e me dá uma aula. Me mostra os erros e como acertar. Confesso que não certei, mas hoje eu vou acertar, nem que minhas pernas travem de câimbra.
Senti como se a nave mãe tivesse vindo me buscar. Mostrar que não estou no mundo errado. Só num universo paralelo em que as almas vivem junto.
Mas enquanto o maloqueiro (esse é o termo) pixava, eu andava de skate na rua. A incansável prática de acertar aquela manobra. Até a camiseta dissolver em suor. Foi quando um garoto, rapaz, transeunte, não sei, me chama a atenção e me dá uma aula. Me mostra os erros e como acertar. Confesso que não certei, mas hoje eu vou acertar, nem que minhas pernas travem de câimbra.
Senti como se a nave mãe tivesse vindo me buscar. Mostrar que não estou no mundo errado. Só num universo paralelo em que as almas vivem junto.
Monday, April 02, 2007
Tudo bem?
Obedeci ao chamado. Fui ao pé da colina ouvir a profecia. Todos sabiam porque estavam lá, certo que alguns ainda tentavam descobrir. Ao fim, pedi colo aos meus joelhos. Fugir? Pra onde? Lentamente anoiteceu. O silêncio começava a se transformar em medo. Eram os ruídos longínquos da morte. Aos poucos estávamos sendo invadidos. Assim foi. Sem resistência. Sem choro. Sem perguntas.
Wednesday, March 28, 2007
5º dia útil
Algumas empresas pagam – algumas sistematicamente, outras nem tanto - seus funcionários apenas no 5º dia útil do mês. Isto quer dizer – e parece bem justo – que dia útil é apenas contabilizado como o dia trabalhado. Ora, o desempregado só tem dias inúteis, tanto é que não recebe.... se assim for, vejamos: se levarmos em conta que o funcionário só recebe por “dia útil”, ele só pode gastar seu salário em ‘dia útil”, caso contrário estará no prejuízo ou tendo de fazer economias. Explico: pagando o funcionário por cada dia do mês (ou da semana, como em países de economia mais sustentável) este pode desfrutar do seu domingo para ir ao estádio de futebol, ao cinema, ao circo, ao teatro, ao shopping, à feirinha, à praia, ao raio que o parta! Enfim, não precisará ir na casa da sogra, encher a cara com o cunhado e assistir Faustão. Logo, estará injetando mais dinheiro no mercado, aumentando a economia e gerando mais empregos. Caso só receba por dia útil, terá que guardar a grana da semana para fazê-lo. Mas e a pizza pras crianças? E o novo DVD da Xuxa que a criança viu na TV? O pão? O leite? A escola? O condomínio? A gasolina? O almoço? A janta? O conserto no banheiro? O terno na lavanderia? O livro para a prova? A suspensão que quebrou? O dente que doeu? Enfim... tudo isso entra como despesa ganha por dia útil trabalhado. Se ganhar também pelo dia que não trabalha, terá mais tempo para a família, terá filhos menos problemáticos, será menos corno, será mais culto e mais feliz. Fará mais viagens e terá mais e melhores amigos. No mínimo terá mais dinheiro para investir e fazer planos materiais. É esse funcionário que quero na minha empresa. Feliz e disposto. Sentindo que todo dia é útil. Pois na vida, o que conta, não são os dias trabalhados, mas sim os verdadeiros dias úteis. Os dias realmente vividos, com a família e com os amigos.
Friday, March 23, 2007
Monday, March 19, 2007
PIXTO – TAKE IT
Daqui pra frente, você vai me ouvir falar muito sobre PIXTO - TAKE IT.
PIXTO - TAKE IT é uma sugestão. Para ser um Pixto, basta ser bom em seu coração. Pode ser qualquer pessoa. Pode fazer o que quiser. Não há doutrinas. Não há deuses. Sendo bom em seu coração, você estará protegido pelos "Seres Supremos", que funcionam como uma camada de força, camuflagem, armadura, vacina, sei-lá. São a sua defesa. Caso você não seja bom em seu coração em algum momento, corre o risco de perder o poder pleno dessa proteção. Mas é algo que se regenera com o tempo, conforme você volta a ser bom em seu coração. Como saber se é bom em seu coração? Só você sabe... e os Seres Supremos tbm... Enfim, eles também te dão toda a força que for necessária. Força é uma coisa que você não tem, pois é humano(a). Basta evocar (mesmo que inconscientemente) e terás a força que quiser, a qualquer momento. Mas lembre-se, não utilize quando não houver necessidade, ou os Seres Supremos lhe deixarão na mão, pois eles só protegem os Pixtos (o tempo ensinará qual é a hora certa). Mas porque eles protegem os Pixtos? (Bem, agora vem a parte que eu viajo, pois não posso ter certeza do que acontece depois da morte, por motivos óbvios). Os Seres Supremos são seres que vivem no "Estágio 2". Um lugar para onde só vão os Pixtos. Um lugar onde todos são bons em seu coração. A idéia não é necessariamente ir para o Estágio 2, mas é ser bom em seu coração. Sempre. Estar protegido e depois de morrer torcer para que o Estágio 2 exista, para conviver com pessoas e seres de bom coração. Qual é a opinião de(o)(a) PIXTO – TAKE IT com relação às drogas? PIXTO – TAKE IT é a favor da descoberta, já que é fruto de uma descoberta. Faça como quiser para alcançar a sua descoberta. Basta ser bom em seu coração. Para saber sobre felicidade, tristesa, sofrimento, futuro, passado ou outras perguntas freqüentes, PIXTO – TAKE IT não tira dúvidas, apenas sugere para que você seja bom em seu coração.
TAKE IT
PIXTO - TAKE IT é uma sugestão. Para ser um Pixto, basta ser bom em seu coração. Pode ser qualquer pessoa. Pode fazer o que quiser. Não há doutrinas. Não há deuses. Sendo bom em seu coração, você estará protegido pelos "Seres Supremos", que funcionam como uma camada de força, camuflagem, armadura, vacina, sei-lá. São a sua defesa. Caso você não seja bom em seu coração em algum momento, corre o risco de perder o poder pleno dessa proteção. Mas é algo que se regenera com o tempo, conforme você volta a ser bom em seu coração. Como saber se é bom em seu coração? Só você sabe... e os Seres Supremos tbm... Enfim, eles também te dão toda a força que for necessária. Força é uma coisa que você não tem, pois é humano(a). Basta evocar (mesmo que inconscientemente) e terás a força que quiser, a qualquer momento. Mas lembre-se, não utilize quando não houver necessidade, ou os Seres Supremos lhe deixarão na mão, pois eles só protegem os Pixtos (o tempo ensinará qual é a hora certa). Mas porque eles protegem os Pixtos? (Bem, agora vem a parte que eu viajo, pois não posso ter certeza do que acontece depois da morte, por motivos óbvios). Os Seres Supremos são seres que vivem no "Estágio 2". Um lugar para onde só vão os Pixtos. Um lugar onde todos são bons em seu coração. A idéia não é necessariamente ir para o Estágio 2, mas é ser bom em seu coração. Sempre. Estar protegido e depois de morrer torcer para que o Estágio 2 exista, para conviver com pessoas e seres de bom coração. Qual é a opinião de(o)(a) PIXTO – TAKE IT com relação às drogas? PIXTO – TAKE IT é a favor da descoberta, já que é fruto de uma descoberta. Faça como quiser para alcançar a sua descoberta. Basta ser bom em seu coração. Para saber sobre felicidade, tristesa, sofrimento, futuro, passado ou outras perguntas freqüentes, PIXTO – TAKE IT não tira dúvidas, apenas sugere para que você seja bom em seu coração.
TAKE IT
Friday, March 16, 2007
Condecoração
Vestiu seu uniforme. Caiu como uma farda. Estavam todos lutando, em busca de um mundo melhor. Nesta batalha, muitos morreram, todos tiveram seus bustos em praça pública, feriados, datas comemorativas, nomes em rua, escola. Ou outra medalha. Não que quem estivesse sem uniforme não quisesse lutar. Eram grandes soldados. Um forte clã. Contra eles, eram poucos. Eram muito fortes. Aqueles não acreditavam em nada. Nem neles.
Na rádio do vizinho
Embeleza
com creme
a tua face
Lambuza
de creme
a tua parte
Uiva
a saudade
à tempestade
O cão ladra
ao ladrão
de ladrilho
Na casa
ao lado
do vizinho
mas se essa
fosse minha
não precisava roubar
Mandava
essa rua
ladrilhar
com creme
a tua face
Lambuza
de creme
a tua parte
Uiva
a saudade
à tempestade
O cão ladra
ao ladrão
de ladrilho
Na casa
ao lado
do vizinho
mas se essa
fosse minha
não precisava roubar
Mandava
essa rua
ladrilhar
Saturday, March 10, 2007
Ditadura
Tuesday, February 27, 2007
DOMINGO NO PARQUE
Este domingo que passou, levei José e João para um passeio no parque. Estava um belo dia de sol e o calor fazia com que as crianças parecessem cardumes em fuga. Falei a eles que aquilo tudo não passava de uma exposição fotográfica. O pai que empurrava a filhinha na bicicleta. O cão que atrapalhava o jogo de futebol. A namorada que caiu de patins. As senhoras que caminhavam a passos largos. O atleta que treinava sua corrida. Os amigos que brincavam de frescobol. O sorveteiro que parecia não vencer a multidão encalorada. O jacaré que banhava-se ao sol.
José e João, depois de alguns minutos na fila, conseguem comprar um sorvete. Logo em seguida, o atleta que treinava sua corrida tromba com José, que acaba por derrubar o sorvete em João. A cena chamou a atenção de um dos amigos que brincavam de frescobol, fazendo com que este errasse o lance e jogasse a bolinha na ciclovia, por onde vinha a namorada de patins. A bolinha entrou na frente do pé de apoio, desequilibrando-a. As senhoras que caminhavam a passos largos tentaram ajudá-la. No jogo de futebol, a bola também espirrou para a ciclovia. O pai que empurrava a filhinha de bicicleta tenta ajudar e chuta a bola para devolvê-la. O cão que atrapalhava o jogo corre atrás da bola, atropelando as senhoras que tentavam levantar a namorada que caiu de patins. A bola acabou tomando velocidade e indo parar próxima ao lago, onde o jacaré banhava-se ao sol.
Tiraram o jacaré do parque.
José e João, depois de alguns minutos na fila, conseguem comprar um sorvete. Logo em seguida, o atleta que treinava sua corrida tromba com José, que acaba por derrubar o sorvete em João. A cena chamou a atenção de um dos amigos que brincavam de frescobol, fazendo com que este errasse o lance e jogasse a bolinha na ciclovia, por onde vinha a namorada de patins. A bolinha entrou na frente do pé de apoio, desequilibrando-a. As senhoras que caminhavam a passos largos tentaram ajudá-la. No jogo de futebol, a bola também espirrou para a ciclovia. O pai que empurrava a filhinha de bicicleta tenta ajudar e chuta a bola para devolvê-la. O cão que atrapalhava o jogo corre atrás da bola, atropelando as senhoras que tentavam levantar a namorada que caiu de patins. A bola acabou tomando velocidade e indo parar próxima ao lago, onde o jacaré banhava-se ao sol.
Tiraram o jacaré do parque.
Wednesday, February 14, 2007
Eu Amo Carnaval
Eu me mudei para a cidade porque não agüentava mais aquele galo. Cheguei na cidade e tinha um cachorro que latia a noite toda, em vão, solitário, na casa ao lado à que aluguei. “Ah, que saudades do galo!!, ele me acordava cedo, mas pelo menos me deixava dormir um pouco...” pensava durante as noites mal dormidas que já começavam a me deixar de mal-humor. Tempos depois, começaram umas obras da prefeitura na minha rua. Os tratores tinham que trabalhar durante a madrugada, para não atrapalhar o trânsito. Os moradores até q reclamaram (e bastante), mas diziam que os resultados eram em benefício da cidade e que alguns velhos aposentados não seriam obstáculo para uma obra daquela importância. Enfim, só lembro que os ruídos dos tratores durante a madrugada entravam nos meus ouvidos como spray de pimenta nos olhos. Como eu sentia falta do cão do vizinho. Em um domingo, o time rival ganhou o campeonato. Como era domingo, os tratores não trabalhavam e a torcida adversária veio comemorar na minha rua, em frente à minha casa. Não acreditei. “Que saudade dos tratores!” pensei...
Quando finalmente inauguraram as obras, de tarde realizaram a solenidade e na mesma noite já era o desfile de carnaval. Na minha rua. Bem em frente à minha casa. Eu, como tradicional curitibano que sou, me indignei. Pensava: “porra, que saudades dos coxas!” . nessa hora eu pensei melhor, desci as escadas e caí na avenida. Com os indicadores gangorreando ao alto eu gritava: “Eu Amo o Carnaval”!!!!
Tum dum, tiqui tudum dum….
Quando finalmente inauguraram as obras, de tarde realizaram a solenidade e na mesma noite já era o desfile de carnaval. Na minha rua. Bem em frente à minha casa. Eu, como tradicional curitibano que sou, me indignei. Pensava: “porra, que saudades dos coxas!” . nessa hora eu pensei melhor, desci as escadas e caí na avenida. Com os indicadores gangorreando ao alto eu gritava: “Eu Amo o Carnaval”!!!!
Tum dum, tiqui tudum dum….
Thursday, February 01, 2007
Vamos fugir?
Cândido estava prezo a uma cadeira de rodas. Não, não estava deficiente, apenas prezo no congestionamento (acho q me expressei mal). O seu celular toca, era a empregada dizendo que precisava ir embora, pegar o filho na escola e que aguardava apenas o dinheiro do ônibus que Cândido insistia em esquecer. Naquele momento um motoqueiro leva seu retrovisor com o qual se distraia com as bundas que desciam a rua (pela calçada). Sem rádio no veículo, subtraído num furto recente, o sangue lhe ferve as vísceras e acaba por despedir a empregada, orientando grosseiramente que volte outro dia pegar o maldito dinheiro do ônibus e o restante do acerto. No mesmo instante, um garotinho vem lhe cobrar pelo show de malabarismos no sinaleiro, que de nada adiantava em ficar verde. Cândido, furioso, indaga: quanto ganha por dia, garoto? Por sinal, qual é o seu nome? Vander, doutor. Ganho em média R$ 60,00 por dia. Em média? Sabe calcular a média, Vander? Sim doutor. É o tanto que preciso para que não falte nada em casa. Ok, garoto. Sabe que me leva R$ 1,00 por dia, né?! Logo, R$ 5,00 por semana. Isso dá R$ 20,00 no mês. Pago R$ 20,00 por mês pra sua família e o governo oferece R$ 15,00 de bolsa-família. Vocês ganham bolsa-família? Sim, doutor. Então, eu te pago R$ 20,00 por mês mais impostos. Eu deveria matá-lo, não acha? Não doutor, deveria me oferecer uma oportunidade. É só o que preciso. Sei... quanto quer pelas bolinhas, para que não precise mais voltar aqui? Troco pelo seu carro, Doutor, para que não precise mais passar por aqui. Ganhamos os dois, doutor. Finalmente comovido, Cândido convida o moleque, ou melhor, Vander, para entrar no carro. Vander teria sua oportunidade. Mas antes que isso acontecesse, dois policiais a cavalo encheram as costas do garotinho de hematomas com seus cassetetes e o botaram para correr. Cândido não pôde nem reagir, pois o trânsito começava a andar e os carros de trás, igualmente impacientes fizeram-no andar na base da buzinada. Cândido não pôde ver o que acontecera com Vander em virtude do espelho quebrado. No dia seguinte, outro garoto fazia o show no mesmo sinaleiro, enquanto a nova empregada ligava no seu celular...
Wednesday, January 17, 2007
Shakespeare dizia que...
Sim
Eu apareço
Eu me pareço
Com você
Sim
Tu és
como
Tu te vês
Um homem
Que se aproxima
de uma dama
que procura um homem
Nem um dos dois reclama
das suas próprias intenções
Até parece que se amam
A lua e o lobisomem.
Eu apareço
Eu me pareço
Com você
Sim
Tu és
como
Tu te vês
Um homem
Que se aproxima
de uma dama
que procura um homem
Nem um dos dois reclama
das suas próprias intenções
Até parece que se amam
A lua e o lobisomem.
Monday, January 08, 2007
Despertar
Eu sempre imaginava, sempre soube, que chegava uma hora na vida em que tínhamos que optar por alguma coisa, alguma situação. É maravilhoso esse jogo da vida que nos faz viver. Que nos faz sentir vivos. As opções. Quando duas, já são um problema, mas não dá para reclamar, afinal, grande maioria das pessoas nem mesmo tem opções. Grande maioria tem imposições.
Até o dia em que enviei uma carta ao grande senhor dos sonhos. Ele respondeu me questionando se eu realmente tinha aquele sonho, ou se eu queria uma realidade. Sonhar é fácil! Realizar é acordar e conviver com ele. Convidei então o grande senhor dos sonhos para vir à minha casa, conversar melhor sobre, pois quando escrevi achei estar sendo bem claro quanto ao meu sonho. Porque me questionava? Ele veio. Sentamos. Lhe servi chá. Alguns biscoitos e uma cadeira bamba. Ele trouxe uma maleta. Abriu e tirou dela uma grande roleta. Lhe mostrei a tomada. Ela acedeu várias luzes. Eram várias opções. Era muito barulho. Me pediu para que a girasse. Eu não aceitei entregar meu sonho à sorte. Não era à sorte, disse. Eu tinha de concordar que meu sonho alterava meu destino. Eu não aceitei. Ele me fez então uma oferta. Neguei. Jamais venderia a alma. Outra opção. Igualmente impossível de se aceitar. O grande senhor dos sonhos era um grande vendedor de dúvidas. Girei a roda dos sonhos. Ela rodava como uma biruta na tempestade. Começou a parar lentamente. Antes que ela parasse, cochilei. Não vi onde parou. Quando acordei, o grande senhor dos sonhos já havia se retirado com seus pertences. Na mesa, um bilhete: "parabéns!".
Até o dia em que enviei uma carta ao grande senhor dos sonhos. Ele respondeu me questionando se eu realmente tinha aquele sonho, ou se eu queria uma realidade. Sonhar é fácil! Realizar é acordar e conviver com ele. Convidei então o grande senhor dos sonhos para vir à minha casa, conversar melhor sobre, pois quando escrevi achei estar sendo bem claro quanto ao meu sonho. Porque me questionava? Ele veio. Sentamos. Lhe servi chá. Alguns biscoitos e uma cadeira bamba. Ele trouxe uma maleta. Abriu e tirou dela uma grande roleta. Lhe mostrei a tomada. Ela acedeu várias luzes. Eram várias opções. Era muito barulho. Me pediu para que a girasse. Eu não aceitei entregar meu sonho à sorte. Não era à sorte, disse. Eu tinha de concordar que meu sonho alterava meu destino. Eu não aceitei. Ele me fez então uma oferta. Neguei. Jamais venderia a alma. Outra opção. Igualmente impossível de se aceitar. O grande senhor dos sonhos era um grande vendedor de dúvidas. Girei a roda dos sonhos. Ela rodava como uma biruta na tempestade. Começou a parar lentamente. Antes que ela parasse, cochilei. Não vi onde parou. Quando acordei, o grande senhor dos sonhos já havia se retirado com seus pertences. Na mesa, um bilhete: "parabéns!".
Thursday, December 21, 2006
Tuesday, December 12, 2006
Uma tequila e um cigarro
Não sei se é culpa dos filmes que venho assistindo ou se faz parte da minha índole mesmo, só sei que estou com um instinto criminoso bem aflorado. Comecei a pensar em ser bandido, ter muito dinheiro, muitas mulheres e uma vida curta. Pra que mais? Pensei em ser político. Ia engordar até não mais poder, tomar muito whisky, morar na zona, andar sempre alinhado, ter carros de luxo e uma mansão. Viver às custas do povo sem precisar matar ninguém. Mas o fato de engordar muito não me agrada. Prefiro o estilo que mata a todos. Sem piedade. Por esporte. Leva tudo o que pode. Porte atlético e muita cocaína. Mas ter uma vida nas escuras também não me agrada. Queria mesmo ser um puxa-saco. Lobista. Traficante de informações e favores. Estar entre os nomes da alta sociedade, freqüentando grandes eventos em camarotes e com entradas VIP. Muitas mulheres, drogas, mortes, tramas, dinheiro e documentos falsos. Mas não gosto muito da alta sociedade e sua fedida hipocrisia. Acho que mataria a todas às minhas galinhas dos ovos de ouro e seria descoberto muito fácil. Eu poderia corromper policiais para facilitar meus negócios, caso negassem mataria suas famílias. Poderia viver chantageando alguém também, extorquindo muito dinheiro. Mas não. Eu poderia ser o policial corrompido. Mataria qualquer pessoa que imaginasse a fonte de minha fortuna. Poderia vender seguros sem nunca pagar ninguém. O importante é que tenha morte, prostitutas e muita cocaína. O legal é cheirar com a mesma caneta bic que furou o pescoço da vagabunda.
Mas meus planos eram tão ruins que não passaram na seleção de nenhuma produtora, editora, nem mesmo consegui vender nenhum fanzine xerocado.
Mas meus planos eram tão ruins que não passaram na seleção de nenhuma produtora, editora, nem mesmo consegui vender nenhum fanzine xerocado.
Monday, November 27, 2006
Ingratidão
Tive uma grande idéia: precisava ter uma idéia. Resolvi me calar. Ficar em silêncio por toda a eternidade que fosse possível. Por palavras como essas (eternidade, infinito, acalanto, diabo, filho da puta) resolvi me calar. Alguém inventou, alguém gostou e por isso todos as usam. E todos gostam. Por pura falta de discernimento. “Eternamente, éter na mente”. Resolvi me calar. Usar o silêncio como onomatopéia (outra palavra no banco dos réus aqui) poética. Resolvi me calar.
“o mudo fala tudo
o que o mundo precisa
saber
o cego se cala
sem ponto de vista
é a opinião do mudo
preferir se abster
do vasto vão do mundo
que é a pura falta de
futuro"
“o mudo fala tudo
o que o mundo precisa
saber
o cego se cala
sem ponto de vista
é a opinião do mudo
preferir se abster
do vasto vão do mundo
que é a pura falta de
futuro"
Tuesday, November 21, 2006
A vida de Wildorff
Enquanto isso, na floresta encantada de Blützgorh, Wildorff dorme inquieto após um dia fraco de caça. As lebres começam a hibernar neste período que antecede o inverno e as aves de rapina se tornam injustas competidoras por comida. Wildorff não se preocupa com a fome, mas com o frio. Os pêlos das lebres são excelentes nesta época do ano. Ele acredita ter lenha o suficiente para o inverno todo, mas nunca se sabe. As raízes e folhas, em meio a água fervente e umas gotas de suor fazem um caldo maravilhoso, que se tivesse um peito de lebre então... hummm
Nosso Wildorff sabe que logo chegará a primavera e que as lebres sairão para brincar.
Nosso Wildorff sabe que logo chegará a primavera e que as lebres sairão para brincar.
Saturday, November 18, 2006
Resistência MGM
Um pesquisador químico analisou as diversas espécies de pragas de milharal e elaborou um poderoso agente neutralizante. O inseticida era capaz de prevenir qualquer ataque, o que onerou em um lucro faraônico ao pesquisador. O que o tempo mostrou é que o poderoso agente era também o grande responsável pela mutação dos milhos, que vinha perdendo qualidade a cada safra.
Naquela época, o mercado atento aos problemas genéticos ainda não comprovados pelo milho mutante, passou a boicotar a compra e venda do produto agrícola. Os agricultores, sem ter o que fazer com as sacas, atearam fogo na produção e descobriram assim a pipoca.
Em uma espiga do noroeste do Paraná, era chegada a hora da colheita. Devidamente ensacados e embalados, alguns grãos foram vendidos à fábricas de pipoca convencional e outros à fabricas de pipoca de microondas.
Em uma grande quermesse no interior de São Paulo, a barraquinha de pipoca vendia "a rodo". Crianças, jovens, adultos, pais, namorados, todos comiam a pipoca.
Em uma panelada, o fogo esquentava o óleo rançoso no fundo. Esquentava tanto que alguns grãos não resistiam e estouravam. Até mesmo os que ainda acreditavam ser milho de latinha.
De repente, estavam todos estourando. Alguns para fazer parte do grupo, outros com medo de ficar sozinhos, já outros sempre sonham em ser pipoca. Eu não. Nunca admiti ser pipoca. Nasci milho. Algum químico maluco, alterou geneticamente milha família que teve que aceitar ser vendida a um preço ridículo para fins mundanos. Eu não. E se todo mundo pensasse como eu, com certeza teríamos mais respeito. Resisti. Me queimei. Mas não estourei. Sou aquele grão no fundo do seu pacotinho. Um dos poucos militantes da resistência dos milhos geneticamente modificados (RMGM).
Defendemos a idéia de que se não estourarmos, as pessoas deixarão de consumir pipoca. Só assim deixarão de plantar o milho pipoca ou de manter a alteração genética. Queremos apenas ser o que Deus nos mandou ser: milho!
Naquela época, o mercado atento aos problemas genéticos ainda não comprovados pelo milho mutante, passou a boicotar a compra e venda do produto agrícola. Os agricultores, sem ter o que fazer com as sacas, atearam fogo na produção e descobriram assim a pipoca.
Em uma espiga do noroeste do Paraná, era chegada a hora da colheita. Devidamente ensacados e embalados, alguns grãos foram vendidos à fábricas de pipoca convencional e outros à fabricas de pipoca de microondas.
Em uma grande quermesse no interior de São Paulo, a barraquinha de pipoca vendia "a rodo". Crianças, jovens, adultos, pais, namorados, todos comiam a pipoca.
Em uma panelada, o fogo esquentava o óleo rançoso no fundo. Esquentava tanto que alguns grãos não resistiam e estouravam. Até mesmo os que ainda acreditavam ser milho de latinha.
De repente, estavam todos estourando. Alguns para fazer parte do grupo, outros com medo de ficar sozinhos, já outros sempre sonham em ser pipoca. Eu não. Nunca admiti ser pipoca. Nasci milho. Algum químico maluco, alterou geneticamente milha família que teve que aceitar ser vendida a um preço ridículo para fins mundanos. Eu não. E se todo mundo pensasse como eu, com certeza teríamos mais respeito. Resisti. Me queimei. Mas não estourei. Sou aquele grão no fundo do seu pacotinho. Um dos poucos militantes da resistência dos milhos geneticamente modificados (RMGM).
Defendemos a idéia de que se não estourarmos, as pessoas deixarão de consumir pipoca. Só assim deixarão de plantar o milho pipoca ou de manter a alteração genética. Queremos apenas ser o que Deus nos mandou ser: milho!
Friday, November 17, 2006
Wednesday, November 15, 2006
Ser ou não um ser
Ação e reação
Culpa, perdão
Nem sim, nem não
Se dói a cabeça
Bebi demais
Se dói a barriga
Comi demais
Se dói a alma
Pequei demais
Ação e reação
Culpa, perdão
Nem sim, nem não
Andar sobre as águas
Se afogar
Tentar voar
Se arrastar
Conquistar, ganhar
Chorar
Ação e reação
Culpa, perdão
Nem sim, nem não
Ser ou não ser
Não é a questão
Pois não há ser
Sem culpa
Não há ser
Sem perdão
Culpa, perdão
Nem sim, nem não
Se dói a cabeça
Bebi demais
Se dói a barriga
Comi demais
Se dói a alma
Pequei demais
Ação e reação
Culpa, perdão
Nem sim, nem não
Andar sobre as águas
Se afogar
Tentar voar
Se arrastar
Conquistar, ganhar
Chorar
Ação e reação
Culpa, perdão
Nem sim, nem não
Ser ou não ser
Não é a questão
Pois não há ser
Sem culpa
Não há ser
Sem perdão
Tuesday, November 07, 2006
Cantada versão beta
Todo dia, quando desço do ônibus, cruzo a avenida principal, compro os pães de queijo para o café do escritório, páro na banquinha para ler as manchetes do dia, cumprimento meu amigo que trabalha no ponto de táxi, desvio as obras de saneamento na calçada, recebo uns panfletos, dou uma desculpa diferente para o mesmo garoto pedinte, quando chove dou uma leve discutida com as pessoas que andam de guarda-chuva sob as marquises, passo por aquela moto linda na vitrine e sempre nessa hora, você passa por mim. Todo dia! Já troquei o perfume, mas não adiantou. Você sempre age como quem nunca me notou. Como te conhecer se não sei me comunicar? Sou além de grosso, desastrado.... e gaguejo quando nervoso. Se ao menos eu soubesse escrever alguma coisa, tipo uma poesia, faria uma carta. Ou copiar uma canção, mas não sei seu gosto musical. Eu poderia te seguir e descobrir onde trabalha. Descobrir seu nome, telefone, e-mail, dados pessoais... te convidar para sair, jantar... não, não poderia! Eu chegaria atrasado e perderia o emprego. Não teria mais dinheiro para te convidar. Nem assunto para conversar. Não sei falar de outra coisa a não ser sobre meu trabalho. Atender pessoas que querem se suicidar dá bons assuntos. Como então farei para te conhecer? Para que preste a atenção em mim?
Certo dia, um daqueles de chuva, estava tão emburrado com meu sapato de sola furada, que nem reparei nas pessoas com guarda-chuva sob as marquises. Um carro passou então por uma poça e banhou-me todo. Molhou, ou melhor, encharcou meu terno que eu mais prezava. Como ir trabalhar desse jeito? Chegar atrasado ou molhado? Independente, seria mandado embora. Decidi segui-la. Quando fui procura-la, olhei e ela estava do meu lado, igualmente molhada. Tão brava quanto um cão pastor. Nos olhamos e começamos a rir. Ríamos sem parar. O que faríamos naquele momento? Ela disse que trabalhava perto dali, em uma loja de roupas usadas, e que poderia me ceder algumas roupas a um preço baixo. Acompanhei a moça. Ela me ofereceu algumas peças. Paguei e fui embora. Ela me chamou. Pensei estar muito atrasado já, mas parei para ouvi-la, como faria com um bem-te-vi, certamente. Ela me perguntou o nome, respondi, gaguejando. Perguntou se eu poderia fazer-lhe companhia no almoço. Disse sem pensar que fa-fa-faria o pooooooooooooooooooooooooooossível. Despedi-me e parti, com a responsabilidade de voltar pega-la as 12h15.
Como te conhecer se não sei me comunicar? Sou além de grosso, desastrado.... e gaguejo quando nervoso. Se ao menos eu soubesse escrever alguma coisa, tipo uma poesia, faria uma carta. Ou copiar uma canção, mas não sei seu gosto musical.
Certo dia, um daqueles de chuva, estava tão emburrado com meu sapato de sola furada, que nem reparei nas pessoas com guarda-chuva sob as marquises. Um carro passou então por uma poça e banhou-me todo. Molhou, ou melhor, encharcou meu terno que eu mais prezava. Como ir trabalhar desse jeito? Chegar atrasado ou molhado? Independente, seria mandado embora. Decidi segui-la. Quando fui procura-la, olhei e ela estava do meu lado, igualmente molhada. Tão brava quanto um cão pastor. Nos olhamos e começamos a rir. Ríamos sem parar. O que faríamos naquele momento? Ela disse que trabalhava perto dali, em uma loja de roupas usadas, e que poderia me ceder algumas roupas a um preço baixo. Acompanhei a moça. Ela me ofereceu algumas peças. Paguei e fui embora. Ela me chamou. Pensei estar muito atrasado já, mas parei para ouvi-la, como faria com um bem-te-vi, certamente. Ela me perguntou o nome, respondi, gaguejando. Perguntou se eu poderia fazer-lhe companhia no almoço. Disse sem pensar que fa-fa-faria o pooooooooooooooooooooooooooossível. Despedi-me e parti, com a responsabilidade de voltar pega-la as 12h15.
Como te conhecer se não sei me comunicar? Sou além de grosso, desastrado.... e gaguejo quando nervoso. Se ao menos eu soubesse escrever alguma coisa, tipo uma poesia, faria uma carta. Ou copiar uma canção, mas não sei seu gosto musical.
Monday, October 16, 2006
como eram porquinhos os três
Mal sabem contar a história dos três porquinhos as tias de escola, pois os livros infantis sempre a interrompem na parte mais emocionante. A verdade é que construída a casa de tijolos, cimento, laje e vigas, os três porquinhos ficaram seguros da impertinência do lobo, que provou-se estar somente interessado em derrubar as casas, haja vista nenhuma tentativa posterior de alimentar-se dos saborosos porquinhos. Ou seria tudo uma historinha patrocinada por uma indústria de argamassa? Enfim, o que não se sabe é que eles não viveram felizes para sempre, pelo menos não como contam os livros. A verdade é que eles eram, antes de tudo, três porquinhos. Com o passar do tempo, a falta de banho, de higiene com a alimentação, de cuidado com as roupas, da banalização da flatulência no lar, dos arrotos ao léu, da falta de cuidados com as unhas e cabelos, assim como a negação ao desodorante e à escova de dentes, acabaram tornando o convívio praticamente impossível. As brigas para que não fossem deixadas roupas intimas no banheiro e nem esquecida a passagem do rodo após o banho só não eram maiores que as brigas para que não se deixasse a manteiga para fora da geladeira. Cada um tinha que passar a vassoura em seus cômodos uma vez ao dia, recolher as folhas do quintal, lavar a louça, a roupa e nunca mastigar de boca aberta durante as refeições. Estes hábitos acabaram por torna-los depressivos, até que o primeiro porquinho saiu de casa. Não demorou muito e o segundo também. Construíram casas de alvenaria (obviamente) maravilhosas. Eram vizinhos da vovozinha, quem deu as dicas de arquitetura e decoração. Sua netinha chega hoje com docinhos para o jantar. Estão todos anciosos.
Wednesday, October 11, 2006
Refrão
O que você faria
se visse um carro ali parado
com um cara sentado
no banco do passageiro
O que ele está esperando?
se visse um carro ali parado
com um cara sentado
no banco do passageiro
O que ele está esperando?
Tuesday, October 10, 2006
_DISTORÇÃO_
Dormir comigo é uma tortura
nunca precisei tanto de você
que me dizia para que eu nunca interrompesse meu sono
com sonhos fora da realidade
dormir comigo é uma tortura
nunca precisei tanto de você
nunca precisei tanto de você
que me dizia para que eu nunca interrompesse meu sono
com sonhos fora da realidade
dormir comigo é uma tortura
nunca precisei tanto de você
Wednesday, October 04, 2006
O amor não tem nome
Você quer que eu faça do meu jeito as tuas vontades.
Eu não sei o efeito que faz, mas sei como provocá-las.
Juntamos aquilo que pensamos separados
Sentimos separados aquilo que pensamos juntos
E dançamos a valsa por todo o salão.
Come a coruja dorme
Do sangue faz lava
Que escorre em suor
Pela sua pele clara
ou seria escura
insegura
me fez apaixonar
dorme a coruja come
troco um dia de sol por uma noite de estrelas
vejo no espelho a alma carente, peço para buscarem a minha vítima
hoje vai ter sacrifício
coruja come e dorme
vou mentir meu prazer
vou inventar minha paixão
vou gozar seu tesão
vou repetir a dose
doze veses
até dizer não
mais
não
mais
não
mais
Eu não sei o efeito que faz, mas sei como provocá-las.
Juntamos aquilo que pensamos separados
Sentimos separados aquilo que pensamos juntos
E dançamos a valsa por todo o salão.
Come a coruja dorme
Do sangue faz lava
Que escorre em suor
Pela sua pele clara
ou seria escura
insegura
me fez apaixonar
dorme a coruja come
troco um dia de sol por uma noite de estrelas
vejo no espelho a alma carente, peço para buscarem a minha vítima
hoje vai ter sacrifício
coruja come e dorme
vou mentir meu prazer
vou inventar minha paixão
vou gozar seu tesão
vou repetir a dose
doze veses
até dizer não
mais
não
mais
não
mais
Saturday, September 30, 2006
FluxoDrama
Os remédios não curam mais minha solidão. Preciso mudar de médico.
Os remédios não curam mais minha solidão. Preciso mudar de médico.
Os remédios não curam mais minha solidão. Preciso mudar de médico.
Os remédios não curam mais minha solidão. Preciso mudar de médico.
Os remédios não curam mais minha solidão. Preciso mudar de médico.
Os remédios não curam mais minha solidão. Preciso mudar de médico.
Os remédios não curam mais minha solidão. Preciso mudar de médico.
Os remédios não curam mais minha solidão. Preciso mudar de médico.
Os remédios não curam mais minha solidão. Preciso mudar de médico.
Os remédios não curam mais minha solidão. Preciso mudar de médico.
Os remédios não curam mais minha solidão. Preciso mudar de médico.
Os remédios não curam mais minha solidão. Preciso mudar de médico.
Os remédios não curam mais minha solidão. Preciso mudar de médico.
Os remédios não curam mais minha solidão. Preciso mudar de médico.
Os remédios não curam mais minha solidão. Preciso mudar de médico.
Os remédios não curam mais minha solidão. Preciso mudar de médico.
Os remédios não curam mais minha solidão. Preciso mudar de médico.
Os remédios não curam mais minha solidão. Preciso mudar de médico.
Os remédios não curam mais minha solidão. Preciso mudar de médico.
Os remédios não curam mais minha solidão. Preciso mudar de médico.
Os remédios não curam mais minha solidão. Preciso mudar de médico.
Os remédios não curam mais minha solidão. Preciso mudar de médico.
Os remédios não curam mais minha solidão. Preciso mudar de médico.
Os remédios não curam mais minha solidão. Preciso mudar de médico.
Os remédios não curam mais minha solidão. Preciso mudar de médico.
Os remédios não curam mais minha solidão. Preciso mudar de médico.
Os remédios não curam mais minha solidão. Preciso mudar de médico.
Os remédios não curam mais minha solidão. Preciso mudar de médico.
Os remédios não curam mais minha solidão. Preciso mudar de médico.
Os remédios não curam mais minha solidão. Preciso mudar de médico.
Os remédios não curam mais minha solidão. Preciso mudar de médico.
Os remédios não curam mais minha solidão. Preciso mudar de médico.
Os remédios não curam mais minha solidão. Preciso mudar de médico.
Os remédios não curam mais minha solidão. Preciso mudar de médico.
Os remédios não curam mais minha solidão. Preciso mudar de médico.
Friday, September 15, 2006
Né On
Kleitom tinha cinco anos e todo o dia acordava bem cedo para ir à escola. Lá ele tinha uma amiguinha de sala pela qual sentia uma amizade inexplicável nesta idade. Como a cidade em que moravam era muito pequena, eram comuns os encontros incidentais, o que fortalecia a amizade. Na casa de Kleitom, a família era constituída pelos pais e avô, este último que era a figura central da casa, sempre amigo, sempre consciente, sempre sábio, sempre ajudando em tudo, sempre conversando com todos sobre tudo, sempre querido, sempre presenteado. Contudo, o avô voltava para casa apenas algum dia ou outro da semana. E quando voltava chegava cheio de histórias. Era uma alegria muito bem recepcionada. Kleitom cresceu assim até seus cinco anos, quando seu avô veio a falecer. No enterro, Kleitom não parecia abatido ou triste, parecia não entender o que estava acontecendo. Nesta noite, enquanto dormia, Kleitom recebeu a visita de seu avô. Não se assustou, ao contrário, ficou curioso. Seu avô veio lhe contar uma lenda daquela pequena cidade que não poderia ser esquecida e que o menino jamais saberia.
A lenda dizia, na época em que o avô tinha a idade de Kleitom, que no imponente castelo do alto da colina, há alguns quilômetros da pequena concentração urbana em que residiam, visível de qualquer lugar da cidadezinha, habitava um Rei intocável. Era intocável porque não tocava ninguém e ninguém era tocado por ele. Sendo assim, ninguém subia para o castelo e o Rei também não saia de lá. Em vista disso, a lenda afirmava que o morador que subisse a colina e entrasse no castelo seria o “escolhido”, que voltaria para salvar o vilarejo. O escolhido teria todos os poderes em suas mãos, pois poderia tocar a tudo e a todos de qualquer forma. Pois bem, naquela idade o avô não se importava muito com os fatos e por brincadeira resolveu subir a colina rumo ao castelo. A população ficou atônita. As pessoas não acreditavam que havia aparecido finalmente o escolhido. E o menino subiu a colina e entrou no castelo. Todos comemoraram na cidade em uma grande festa! Ao entrar no imponente castelo, o menino se deparou com prateleiras de livros que iam do chão ao teto, não deixando à mostra nenhum detalhe das paredes em todo o castelo que ele descobriu ser inabitado. Ao ver isto, Kleitom pensou: nossa, vou levar uns vinte anos para ler tudo isso...
Vinte anos depois, o menino saiu após ler tudo o que havia no imponente castelo.
Ao avistá-lo descendo a colina, a cidade comemorou o esperado regresso do escolhido. Mas o avô, que na época deveria ter uns vinte e cinco anos, não lembrava da lenda e não entendeu direito o que estava acontecendo. De qualquer forma, comemorou sem chance de escapar, mesmo com muito cansaço, indo logo em seguida para casa dormir. No dia seguinte e por todos os outros que se seguiram, todos o convidavam para que almoçasse, pernoitasse, jantasse, tomasse um cafezinho, assistisse a um filme em suas casas, o consultavam para tudo e qualquer coisa.
Enquanto isso, havia uma menina de cinco anos que todo dia acordava bem cedo para ir à escola. Lá ela tinha um amiguinho de sala pelo qual sentia uma amizade inexplicável nesta idade. Como a cidade em que moravam era muito pequena, eram comuns os encontros incidentais, o que fortalecia a amizade. Na casa dela, a família era constituída pelos pais, irmãos e avô, este último que era a figura central da casa, sempre amigo, sempre consciente, sempre sábio, sempre ajudando em tudo, sempre conversando com todos sobre tudo, sempre querido, sempre presenteado. Ele havia, por exemplo, juntado a mãe da menina e algumas mães costureiras e montou com elas uma cooperativa, com a qual o negócio delas deu um forte impulso, transformando a cidade em um grande pólo têxtil, fortalecendo a economia local sustentável. Contudo, o avô voltava para casa apenas algum dia ou outro da semana. E quando voltava chegava cheio de histórias. Era uma alegria muito bem recepcionada. Mas teve um dia em que seu avô faleceu. No enterro, ela chegou desesperada e aos prantos. Não acreditava no que havia acontecido. Estava inconformada. E como mais um dos encontros incidentais, ela encontrou seu amiguinho de escola, Kleitom, até então sem reação. Ao tentar consolá-la, questiona se ela conhecia o seu avô, e ela por um segundo pára de chorar, olha para ele e diz: mas ele era o MEU avô! Quando viram, a cidade toda estava no enterro, inconformada, em um terrível clima de fim do mundo, fim das esperanças, da alegria, do amor, da vida!
Kleitom olha para o espírito de seu avô e pergunta: o senhor é a lenda? Sim, meu filho! Preciso te mostrar algo. Preciso que venha comigo!
Então pegou o menino pelo ombro e o conduziu colina acima, rumo ao castelo.
A cidade parecia não acreditar, pois o luto era algo ainda muito recente, mas aquela cena gerou uma felicidade contaminante. De novo havia um escolhido subindo a colina. Conduzido pelo invisível.
A lenda dizia, na época em que o avô tinha a idade de Kleitom, que no imponente castelo do alto da colina, há alguns quilômetros da pequena concentração urbana em que residiam, visível de qualquer lugar da cidadezinha, habitava um Rei intocável. Era intocável porque não tocava ninguém e ninguém era tocado por ele. Sendo assim, ninguém subia para o castelo e o Rei também não saia de lá. Em vista disso, a lenda afirmava que o morador que subisse a colina e entrasse no castelo seria o “escolhido”, que voltaria para salvar o vilarejo. O escolhido teria todos os poderes em suas mãos, pois poderia tocar a tudo e a todos de qualquer forma. Pois bem, naquela idade o avô não se importava muito com os fatos e por brincadeira resolveu subir a colina rumo ao castelo. A população ficou atônita. As pessoas não acreditavam que havia aparecido finalmente o escolhido. E o menino subiu a colina e entrou no castelo. Todos comemoraram na cidade em uma grande festa! Ao entrar no imponente castelo, o menino se deparou com prateleiras de livros que iam do chão ao teto, não deixando à mostra nenhum detalhe das paredes em todo o castelo que ele descobriu ser inabitado. Ao ver isto, Kleitom pensou: nossa, vou levar uns vinte anos para ler tudo isso...
Vinte anos depois, o menino saiu após ler tudo o que havia no imponente castelo.
Ao avistá-lo descendo a colina, a cidade comemorou o esperado regresso do escolhido. Mas o avô, que na época deveria ter uns vinte e cinco anos, não lembrava da lenda e não entendeu direito o que estava acontecendo. De qualquer forma, comemorou sem chance de escapar, mesmo com muito cansaço, indo logo em seguida para casa dormir. No dia seguinte e por todos os outros que se seguiram, todos o convidavam para que almoçasse, pernoitasse, jantasse, tomasse um cafezinho, assistisse a um filme em suas casas, o consultavam para tudo e qualquer coisa.
Enquanto isso, havia uma menina de cinco anos que todo dia acordava bem cedo para ir à escola. Lá ela tinha um amiguinho de sala pelo qual sentia uma amizade inexplicável nesta idade. Como a cidade em que moravam era muito pequena, eram comuns os encontros incidentais, o que fortalecia a amizade. Na casa dela, a família era constituída pelos pais, irmãos e avô, este último que era a figura central da casa, sempre amigo, sempre consciente, sempre sábio, sempre ajudando em tudo, sempre conversando com todos sobre tudo, sempre querido, sempre presenteado. Ele havia, por exemplo, juntado a mãe da menina e algumas mães costureiras e montou com elas uma cooperativa, com a qual o negócio delas deu um forte impulso, transformando a cidade em um grande pólo têxtil, fortalecendo a economia local sustentável. Contudo, o avô voltava para casa apenas algum dia ou outro da semana. E quando voltava chegava cheio de histórias. Era uma alegria muito bem recepcionada. Mas teve um dia em que seu avô faleceu. No enterro, ela chegou desesperada e aos prantos. Não acreditava no que havia acontecido. Estava inconformada. E como mais um dos encontros incidentais, ela encontrou seu amiguinho de escola, Kleitom, até então sem reação. Ao tentar consolá-la, questiona se ela conhecia o seu avô, e ela por um segundo pára de chorar, olha para ele e diz: mas ele era o MEU avô! Quando viram, a cidade toda estava no enterro, inconformada, em um terrível clima de fim do mundo, fim das esperanças, da alegria, do amor, da vida!
Kleitom olha para o espírito de seu avô e pergunta: o senhor é a lenda? Sim, meu filho! Preciso te mostrar algo. Preciso que venha comigo!
Então pegou o menino pelo ombro e o conduziu colina acima, rumo ao castelo.
A cidade parecia não acreditar, pois o luto era algo ainda muito recente, mas aquela cena gerou uma felicidade contaminante. De novo havia um escolhido subindo a colina. Conduzido pelo invisível.
Saturday, September 09, 2006
AMOR ALÉM DA VIDA
Seu amor por mim é a controvérsia de que todos os homens são iguais.
Seria possível eu realmente ser diferente?
Seria possível você viver sem amar um homem?
Seria possível a exceção ser a nossa regra?
Meu amor por você não se importa pelo fato de que as mulheres são impossíveis de se entender.
Eu te amaria (tanto) se te entendesse?
Eu viveria sem amar uma mulher?
Eu faria da regra uma exceção?
Nosso amor é algo que não existe.
Não nos amamos.
Não queremos um homem
Não queremos uma mulher
Seriamos incapazes de viver um sem outro
Que sejamos nós
Eu e você
Não você, você.
Seria possível eu realmente ser diferente?
Seria possível você viver sem amar um homem?
Seria possível a exceção ser a nossa regra?
Meu amor por você não se importa pelo fato de que as mulheres são impossíveis de se entender.
Eu te amaria (tanto) se te entendesse?
Eu viveria sem amar uma mulher?
Eu faria da regra uma exceção?
Nosso amor é algo que não existe.
Não nos amamos.
Não queremos um homem
Não queremos uma mulher
Seriamos incapazes de viver um sem outro
Que sejamos nós
Eu e você
Não você, você.
A caverna de Flavião
Houve uma explosão, uma terrível explosão! Um estrondo ensurdecedor... foi uma explosão muito forte. Acabou com o mundo, soterrando uma pequena criança em uma escura e fria caverna. Ela cresceu ali, em meio às ilusões que se criavam nas paredes. Com o passar do tempo ela foi aprendendo a organizar as ilusões e como trabalhar com elas. Com o passar do tempo, ela aprendeu a separar seu amor intangível de suas fantasias, que se misturavam em meio ao álcool que pingava da estalactite. A fumaça que subia de um pequeno vulcão exalava um gás que alimentava as ilusões e mantinha viva aquela criança. Ela passava o dia trabalhando organizando as ilusões, que para exemplificar como eram, preciso que imagine uma pessoa absorvida pela televisão. Porém, as ilusões eram coisas da sua cabeça, enquanto a televisão é uma fábrica de ilusões na cabeça desta pessoa. Naquela caverna ela era feliz, pois tudo funcionava à sua maneira. Mas conforme ela crescia, a caverna ficava cada vez menor. Era preciso mais espaço para mais ilusões. Enquanto o álcool pingava, aumentava a estalactite. Cresceu até o dia em que tampou a saída do pequeno vulcão, secando o riacho q se fazia e eliminando o gás que recheava o ambiente. Neste dia, uma grave crise assombrou nosso(a) personagem. As ilusões passaram a perder o sentido enquanto as dúvidas eram como assombrações. Cada ilusão arquivada gerava uma dúvida. Para reponde-las, foi preciso sair da caverna. É por isso que você está aí.
Friday, August 25, 2006
modelo
Franz Frederick Manolo era um ambicioso inventor empreendedor. Para se manter sempre concentrado e obter resultados satisfatórios, tinha uma “teoria do copo cheio” que dizia que mantendo-se o copo cheio de um determinado líquido, você não faz mistura, e consome somente aquilo. Quer dizer, nunca deixe seu copo de suco acabar, se não você parte para a cerveja, pois nunca irá misturar suco com cerveja no mesmo copo.
FFM foi a primeira pessoa que contou com quantos paus de faz uma canoa, além de ter sido o grande inventor da Repimboca da Parafuzeta. Alguns também atribuem a ele a invenção da roda, mas há divergências quanto a isso.
A esposa de FFM engravidou e deu à luz uma linda menininha. FFM sempre teve a idéia de realizar apresentações em programas de TV com coisas absurdas. Agora era a hora! Tão logo a menina nasceu, impôs-se que na casa de FFM só andava-se de pernas de pau. Isto era pra condicionar o aprendizado visual da criança, que teria maior facilidade para andar com pernas de pau. Ao completar três meses de idade, FFM iniciou os trabalhos práticos para q a menina conseguisse andar nas pernas de pau o mais rápido possível e aos 8 meses ela já andava com uma destreza circense.
FFM inscreveu ela no Livro dos Recordes, o que serviu de argumento para a exibição em programas de TV dominicais. Era um sucesso absoluto! FFM tinha achado a fórmula da fortuna.
FFM foi a primeira pessoa que contou com quantos paus de faz uma canoa, além de ter sido o grande inventor da Repimboca da Parafuzeta. Alguns também atribuem a ele a invenção da roda, mas há divergências quanto a isso.
A esposa de FFM engravidou e deu à luz uma linda menininha. FFM sempre teve a idéia de realizar apresentações em programas de TV com coisas absurdas. Agora era a hora! Tão logo a menina nasceu, impôs-se que na casa de FFM só andava-se de pernas de pau. Isto era pra condicionar o aprendizado visual da criança, que teria maior facilidade para andar com pernas de pau. Ao completar três meses de idade, FFM iniciou os trabalhos práticos para q a menina conseguisse andar nas pernas de pau o mais rápido possível e aos 8 meses ela já andava com uma destreza circense.
FFM inscreveu ela no Livro dos Recordes, o que serviu de argumento para a exibição em programas de TV dominicais. Era um sucesso absoluto! FFM tinha achado a fórmula da fortuna.
Monday, July 24, 2006
O Papa era pop... agora é underground
Há algum tempo me mudei para este vilarejo, no qual também habita um imenso dragão de cinco cabeças. De tempos em tempos ele acorda furioso e ataca a vila, cuspindo fogo em tudo o que vê. Não podemos fazer nada, a não ser recomeçar nossas vidas materiais. Quando cheguei aqui, percebi que as coisas eram diferentes. Muitas pessoas (às vezes famílias inteiras) saíam da vila fugindo do dragão. Algumas voltavam, mas ninguém entendia o porquê. Mesmo que explicassem que o pior dragão eram as próprias pessoas que encontravam em outras vilas. Mesmo que explicassem que tudo era caro e que precisava se ter tudo. Mesmo que explicassem que sem nenhum ataque de dragões furiosos pirotécnicos, as pessoas se desfaziam de seus bens construídos em busca de novos bens adquiridos. Ninguém entendia que as cinco cabeças do dragão eram apaixonadas por cinco diferentes camponesas. Apenas eu, que invadi seu sono e tive coragem de acordá-lo. Fui capaz de entendê-lo, apesar do forte mau cheiro que se fazia. Pedi para que parasse, pois machucava as pessoas. Ele disse que estas não o preocupavam, pois sempre partiam. Ele queria proteger as suas camponesas dos males que vem dos outros vilarejos. Expliquei que não era o método mais apropriado. Aconselhei-o que as trancassem no alto de uma torre. Assim estariam todos salvos, as camponesas e a vila. Ele retrucou dizendo que isto é lenda. Pensava em quase desistir quando perguntei: se queres mesmo a felicidade delas, porque então não as deixa ser feliz? Ele disse que só um pode ser feliz, em toda a vila. Em todas as vilas. E que naquela vila, era o dragão e suas cinco cabeças. Era curioso, mas somente uma discursava comigo, outra dormia, outra comia, outra prestava atenção parecendo não entender nada enquanto outra brincava de cuspir fogo nos insetos que se aproximavam. Pedi para que se colocasse no lugar das camponesas e dos habitantes da vila. Ele me disse que seria impossível tal realização, pois dragões são dragões e que era mais fácil eu me colocar no lugar dele. Meio irritado encerrou por me expulsando da vila. Sem mais nenhum mais. Pediu para que eu fosse rápido. Sabia do ele era capaz e assim o fiz, pois para ele, eu era um mal que vinha de outro vilarejo. Na noite seguinte, o mesmo dragão invade meu sono, infestando minha casa de mau cheiro e me pergunta se eu tinha alguma paixão. Respondi que sim. Ele perguntou se era da vila e respondi que sim. Perguntou se era uma das cinco camponesas e respondi que isso não fazia diferença. Ele insistiu e como estávamos sendo francos disse que sim. Ele então perguntou se eu queria ajuda e eu disse que sim. Ele perguntou se eu queria ser o dragão e eu disse que sim. A sexta cabeça? Sim!
Wednesday, July 12, 2006
Marginais
Seguir o leito por entre as margens, sem deixar que se vazem
As frases que se escrevem entre as margens, montam textos justificados
De um lado eu aceno, do outro não vejo
Meu amor perdido, do outro lado da margem
Que paralela direciona os destinos sempre em direção ao mar
De onde veio, a afundar
As margens alagadas, que separam nosso amor
E que justificam nossos textos
As frases que se escrevem entre as margens, montam textos justificados
De um lado eu aceno, do outro não vejo
Meu amor perdido, do outro lado da margem
Que paralela direciona os destinos sempre em direção ao mar
De onde veio, a afundar
As margens alagadas, que separam nosso amor
E que justificam nossos textos
Monday, July 10, 2006
Movimento Anti Horário
Após completada a primeira volta no sentido anti-horário, o Movimento optou por se auto destruir. Os argumentos de que é impossível ser o Diabo quando não se vive no inferno pesaram neste fim. Ser o Diabo é ser tão diabólico a ponto de se criar Deus, apenas para valorizar sua maldade. Neste caso, nos extremos estão os abismos e não o âmago da aprendizagem. Neste caso, o movimento perdeu seu sentido, optando assim pela autodestruição.
Grato pela sua compreensão, a Coordenação.
Grato pela sua compreensão, a Coordenação.
Wednesday, July 05, 2006
Movimento Anti Horário
Ontem fui à uma peça. Antes precisei matar uma hora de tempo, pois cheguei uma hora adiantado à bilheteria. Era algo meio Hitleriano que me dizia me dar a certeza de que uma hora antes eu teria o ingresso (que era gratuito) em meu poder. Enfim, por falta de criatividade fui ao bar mais agradável mais próximo, cuja peculiaridade é um banheiro com um mictório invisível. Sim, pois no local do mictório há um aviso: “com defeito”, porém não há mictório algum, a não ser a marca no azulejo que remete à existência outrora de um mictório, além da luz funcionar por meio de um sensor que a acende assim que você adentra ao banheiro. O interessante é que ela sempre apaga enquanto urina. Urinar no escuro é como tocar sem retorno ou assinar sua carteira de motorista. Curiosidades à parte, bebia eu como se esperasse alguém. E ela veio. Em minha direção. E não veio só... trouxe consigo aquela pele morena que me lembra o primeiro chocolate ao leite que como na Páscoa. Um pouco mais clara, talvez pelas constantes neblinas que caracterizam nosso inverno. Trazia também aquele cabelo cacheado, que vindo contra o vento a deixava em câmera lenta. Longas pernas que caminhavam em minha direção a passos de passarela. Disto tudo só sobrou o perfume. Ela passou sem nenhum olhar que cruzasse os meus. E eu continuava a beber como se esperasse alguém. A hora passou e fui à peça que me serviu de uma única coisa: não beba antes das peças. A incontinência urinária que se segue interrompe a atenção e a preocupação de levantar-se e atravessar todo o teatro por entre as pessoas interessadas, ainda no começo da peça, agrava a sensação de ter cometido um grande equívoco.
Saí em direção ao banheiro e pensei: neste exato momento, deixo de acreditar em Deus. A partir deste exato momento passo a conviver com a presença contínua do Diabo, pelo menos em minha consciência. Ora, que sentido faz viver limitando-se contra pecados, quando nos extremos está o âmago do aprendizado. Criei assim uma figura diabólica, a qual me perturba insistentemente, com a qual deixo de lutar e passo somente a obedecer. Luto agora contra o conservadorismo com os qual os pecados nos limitam. Ou melhor, nos impedem de aprender. Dizem que ensinam com os erros dos outros, pois sendo assim farei escola. Vendo cursos. Pois se há prazer em alguma coisa, eu tenho em acertar. Para mim, errar é um processo. Não uma prova para julgamento.
Caminhava com este pensamento e uma rede semântica fulminante, como as que tenho constantemente como espasmos, me iluminou dizendo: leia o livro “o Universo em Desencanto”. Interpretei à minha maneira e hoje faço parte, até então como único membro, do Movimento Anti Horário.
Se quer saber mais sobre o Movimento, antes é necessário que quebre o vazo de porcelana chinesa art-nouveau de sua mãe. A inscrição é um conselho. Assim você passará a ser automaticamente um conselheiro do Movimento.
Verbalize
Saí em direção ao banheiro e pensei: neste exato momento, deixo de acreditar em Deus. A partir deste exato momento passo a conviver com a presença contínua do Diabo, pelo menos em minha consciência. Ora, que sentido faz viver limitando-se contra pecados, quando nos extremos está o âmago do aprendizado. Criei assim uma figura diabólica, a qual me perturba insistentemente, com a qual deixo de lutar e passo somente a obedecer. Luto agora contra o conservadorismo com os qual os pecados nos limitam. Ou melhor, nos impedem de aprender. Dizem que ensinam com os erros dos outros, pois sendo assim farei escola. Vendo cursos. Pois se há prazer em alguma coisa, eu tenho em acertar. Para mim, errar é um processo. Não uma prova para julgamento.
Caminhava com este pensamento e uma rede semântica fulminante, como as que tenho constantemente como espasmos, me iluminou dizendo: leia o livro “o Universo em Desencanto”. Interpretei à minha maneira e hoje faço parte, até então como único membro, do Movimento Anti Horário.
Se quer saber mais sobre o Movimento, antes é necessário que quebre o vazo de porcelana chinesa art-nouveau de sua mãe. A inscrição é um conselho. Assim você passará a ser automaticamente um conselheiro do Movimento.
Verbalize
Friday, June 30, 2006
Apocalipse now
Pensei ter chegado o grande dia. Podia ouvir os anjos tocando as trombetas anunciando o apocalipse. Eram bem mais que sete. Eram muitos os anjos. Eram muitas as trombetas. Como eu não me vestia de laranja e não era careca com um rabinho de cavalo na nuca, sabia que não seria um dos escolhidos. Aproveitei para sair à janela com toda a virilidade e astúcia enérgica que um impaciente teria ao ser acordado por malditos anjos tocando trombetas. A polícia já havia proibido o som alto que saía dos porta-malas, mas nada de proibir trombetas. Enfim, fui à janela, como disse, e num grito de engasgar trombeta, gritei aos anjos: “ENFIEM ESSAS PORRAS DE TROMBETAS NO MEIO DO CÚ E EXPLODAM, SEUS FILHOS DA PUTA!”.
Nunca apanhei tanto na vida.... nem mesmo quando quebrei o vaso de porcelana jogando bola na sala de casa. Mas que culpa eu tenho em não gostar de futebol? Por que deveria saber que estavam comemorando o tal do hexa-campeonato? Malditas trombetas...
Nunca apanhei tanto na vida.... nem mesmo quando quebrei o vaso de porcelana jogando bola na sala de casa. Mas que culpa eu tenho em não gostar de futebol? Por que deveria saber que estavam comemorando o tal do hexa-campeonato? Malditas trombetas...
Saturday, June 17, 2006
Números Complexos
Hoje cedo, saindo de casa, um gato branco atravessou meu caminho. A previsão do tempo já havia me alertado sobre a entrada da frente fria. Um senhor que caminhava logo a frente deixou cair um papel. Assim que peguei, gritei para alertá-lo. Infelizmente, como tampa de caneta, sumiu rapidamente sem que pudesse fazê-lo. Só poderia certificar-me da importância do papel abrindo-o. Percebi que era uma espécie de mapa. Me guiava por aquele mesmo caminho até duas quadras adiante, quando eu deveria virar a esquerda e descer na estação do metrô. Havia também um horário: 13h45. Também uma espécie de senha: 06. Achei que fosse importante e segui o mapa pensando em seguir o senhor, podendo assim devolver o mapa. No horário marcado cheguei à estação. Entrei no metrô que aguardava. Entrei na sexta porta, pensando na "senha". Nada acontecia e na sexta estação desembarquei. Um rapaz franzino, com uma camiseta vermelha estampada com uma estrela de seis pontas amarela olhava atentamente para a sexta porta da qual desci. Cheguei para ele e disse: "seis"! "nove", respondeu. Achei estranho, pois não sabia o que dizer.... mas fui obrigado a dar muita risada. Ele manteve-se sério e indagou-me: é o seis? Sou o nove. Onde está o primo? Primo? Que primo? O dezessete. Puxou um telefone celular e me deu. Quero que o encontre, disse. Estarei na fila do Mc Donalds. Não perca a hora. Entrou no mesmo metrô e desapareceu. Neste instante pensei estar louco, esquizofrênico, paranóico ou algo parecido. Nada fazia sentido. Porque? Porque eu deveria encontrar o dezessete? Fui à rua, parei, olhei, escutei e assim que passou o trem algo me disse: décimo sétimo vagão! Contei e não tinha nada. Provavelmente não tinha nada a ver. Lembrei do celular. O que fazer com o celular? Fui para a agenda e todos estavam listados por um número. Primeiramente liguei para o seis. Algo vibra em meu bolso. Não. Não podia ser verdade. Mas era. Liguei para o dezessete. "Número inexistente". Eu insistia em discar e a gravação insistia e me dizer. Mas em qual Mc Donalds encontrar o nove? Não sei porque, mas fui direto a polícia. Contei a história ao delegado. O delegado me levou ao xadrez e me apresentou o numero um. Primeiro eu queria abraçá-lo, afinal era o "número um"! O delegado me pediu o celular. O número um disse que não podia ajudar, pois depois do "dois" ele foi preso e perdeu o total controle da situação. Era a hora de encerrar aquilo. Na verdade, nada tinha motivo ou ligação. Era apenas uma forma de intriga. Um jogo de dependência, no qual o número um era o único que ganhava, pois todos iriam a um local de encontro e pagariam a ele por uma passagem de volta. Mas como o mapa? O telefone? Descobrimos que o dezessete não existia. Tínhamos que inventa-lo e aguardá-lo no local combinado. Assim fizemos.
Na manhã seguinte, o carteiro deixa uma carta na caixa de correio do dezessete. Ele havia ganhado um brinde na loja de esportes da cidade. Surpreso e feliz chega ao estabelecimento e realiza a troca. Recebe como brinde uma camisa da seleção brasileira número dezessete nas costas e uma entrada para o teatro: 21h, poltrona 17 J. Presenteado, o dezessete foi à peça. Na poltrona 21h havia a mais linda mulher que pudera ter nascido. Ao fim da peça ela dirigiu-se ao Mc Donalds próximo ao teatro e pediu um número dois. Ele chegou ao lado dela e pediu um número quatro. O número nove aguardava na fila. A mulher disse que havia reparado nele na peça e pergunta onde estava sentado. Ele responde: 17 J. O número nove me chama e nos aproximamos do dezessete. O senhor não é felizardo da loja de esportes? Sim, acho que sou. Quer concorrer a outro bilhete de sorte? Vendemos rifas de festa junina para a Associação das Beatas Franciscanas da Comunidade do Rio do Bambuzal. O sorteio dará uma TV de plasma de 21 polegadas. O dezessete compra o bilhete, o lanche e a vinte e um. O nove me parabeniza e me agradece. Me dá uma percentagem, uns tapinhas nas costas que não quis contar e como uma tampa de caneta, desaparece na multidão.
Na manhã seguinte, o carteiro deixa uma carta na caixa de correio do dezessete. Ele havia ganhado um brinde na loja de esportes da cidade. Surpreso e feliz chega ao estabelecimento e realiza a troca. Recebe como brinde uma camisa da seleção brasileira número dezessete nas costas e uma entrada para o teatro: 21h, poltrona 17 J. Presenteado, o dezessete foi à peça. Na poltrona 21h havia a mais linda mulher que pudera ter nascido. Ao fim da peça ela dirigiu-se ao Mc Donalds próximo ao teatro e pediu um número dois. Ele chegou ao lado dela e pediu um número quatro. O número nove aguardava na fila. A mulher disse que havia reparado nele na peça e pergunta onde estava sentado. Ele responde: 17 J. O número nove me chama e nos aproximamos do dezessete. O senhor não é felizardo da loja de esportes? Sim, acho que sou. Quer concorrer a outro bilhete de sorte? Vendemos rifas de festa junina para a Associação das Beatas Franciscanas da Comunidade do Rio do Bambuzal. O sorteio dará uma TV de plasma de 21 polegadas. O dezessete compra o bilhete, o lanche e a vinte e um. O nove me parabeniza e me agradece. Me dá uma percentagem, uns tapinhas nas costas que não quis contar e como uma tampa de caneta, desaparece na multidão.
Monday, June 05, 2006
Um nó
“O mapa está errado! O mapa está errado!” repetia Lincon. “Como? Como?” Repetia Mara. “Não sei, não sei, mas este rio não está no mapa... não sei onde estamos... o mapa está errado!” “Como? Como?” estacionaram o jeep, olharam ao redor. Nada parecia com o roteiro que haviam planejado. Voltar? Começaram a abrir a mata, e próximo ao rio armaram a barraca. O som da natureza silenciava o casal, recém casado. O sol se pôs, e uma lua laranja de proporções imensas começou a invadir o céu. As estrelas pareciam purpurinas no lençol negro que os cobria. Pássaros de espécies raras para um leigo cantavam a serenata que embalava o amor de Lincon e Mara. Aos poucos a fogueira que haviam feito para se esquentarem e espantar animais selvagens foi se apagando a medida que o sono os dominava. Ao acordarem, um banho nu no rio e algumas dúvidas: o que fazer nos próximos 5 dias? Não havia ali perto, a princípio, local para a compra de comida, artigos de higiene ou mesmo distração. Optaram por encarar a aventura. Ficaram por ali pelos próximos 5 dias, economizando alimento, banho de ri, pouca distração, muito amor e muita leitura dos livros que levaram. O tempo colaborava com um calor ameno, uma brisa que só o interior da Mata Atlântica proporciona, com o ar mais puro que os pulmões podem respirar. Uma chuva caia ao fim das tardes, dando de beber às raízes fortes que alimentavam os pássaros que fomentavam o desenvolvimento. O diálogo aos poucos foi se esgotando ao passo que os assuntos eram infinitamente explorados. O humor já não era o de uma criança no parque de diversões. Nos livros eram felizes para sempre, mas a vontade era mesmo a de fumar tudo o que haviam levado e esquecer a impaciência de não ter paciência. Os dias e as noites já não tão indiferentes. Alguns passeios curtos pela mata, banhos de rio, músicas no violão... e a desilusão de não estar feliz. Ao fundo a preocupação era a de viverem o que haviam planejado: fotos juntos em famosos pontos turísticos pelo mundo, um apartamento moderno, um carro para cada, jantares a dois, cinemas, teatros, amigos, filhos e o desabafo do stress após um dia tenso de trabalho. Nada disso acontecia naqueles cinco dias de recém casados.
- “A culpa é sua que não sabe ler um mapa!”
- “ah, ta! E placa, você sabe?”
- “como você não sabe fazer um bife?”
- “e seu ovo, então, é pior que o da empregada que tive aos nove anos...”
- “Sério, se for assim pra sempre, não vai dar”
- “concordo, não vai dar... nem pro mesmo time torcemos”
- “ai não, né? nem venha, nem a pau que mudo de time ou ir ver o seu jogar”
- “Mas eu te amo tanto....”
- “será? Eu já não sei se era amor...”
- “o que?”
- “é, é isso mesmo. Não é isso que quero pra mim. É melhor tudo acabar agora que ficarmos nos desgastando tentando uma coisa que nunca vai dar certo. Foi muito bom você não saber ler mapa, porque já vi que nunca ia dar certo”
- “me ajude a desmontar a barraca”
- “apague a fogueira”
- “não esqueça as suas roupas perto do rio”
- “junte o lixo ali do lado”
Entaram no carro, voltaram para casa. Cada um para sua casa, para nunca mais se verem.
Pois é.... também fiquei de cara.
- “A culpa é sua que não sabe ler um mapa!”
- “ah, ta! E placa, você sabe?”
- “como você não sabe fazer um bife?”
- “e seu ovo, então, é pior que o da empregada que tive aos nove anos...”
- “Sério, se for assim pra sempre, não vai dar”
- “concordo, não vai dar... nem pro mesmo time torcemos”
- “ai não, né? nem venha, nem a pau que mudo de time ou ir ver o seu jogar”
- “Mas eu te amo tanto....”
- “será? Eu já não sei se era amor...”
- “o que?”
- “é, é isso mesmo. Não é isso que quero pra mim. É melhor tudo acabar agora que ficarmos nos desgastando tentando uma coisa que nunca vai dar certo. Foi muito bom você não saber ler mapa, porque já vi que nunca ia dar certo”
- “me ajude a desmontar a barraca”
- “apague a fogueira”
- “não esqueça as suas roupas perto do rio”
- “junte o lixo ali do lado”
Entaram no carro, voltaram para casa. Cada um para sua casa, para nunca mais se verem.
Pois é.... também fiquei de cara.
Tuesday, May 30, 2006
Cacofonia
Hoje eu quebrei a rotina e espalhei os cacos
Eram tantos cacos... todos atendiam pelo mesmo nome
Era impossível me desfazer da rotina, pois cada caco era parte dela
Estamos rodeados de cacos, pensei
Cada um ao nosso redor, é um caco
O animal, o vegetal, o mineral, o temporal, o atemporal, o social
Quanto mais um quebrava, mais cacos eu fazia
Mais aumentava minha rotina
Decidi juntar tudo
Colar os cacos e fazer um caco só
Ficou gigante
Um caco gigante
Uma rotina estressante, tudo eu tinha que anotar para não esquecer
Juntei tudo e joguei fora
Apaguei as anotações
dei um fim na rotina
não há mais caco(s) para onde olho
é como um museu sem obras
estava feliz assim, até que sem querer quebrei a rotina
um chute errado, mal direcionado
espalhou os cacos
tentei juntar e colar tudo antes que minha mãe chegasse do trabalho e visse
brigasse comigo, mas não deu tempo
apanhei até a aprender nunca mais quebrar a rotina
minha mãe guardou-a dentro do vaso de porcelana chinesa art-nouveau
Mas é estranho saber que hoje eu posso acordar, mudar tudo e dormir.
Acordar arrumar tudo e dormir.
Passar o dia dormindo
Passar o dia acordado
Fazer algo hoje e amanhã apenas lembrar
Fazer algo hoje apenas para lembrar
Viver o amanhã para justificar o hoje
Mudar o amanhã para justificar o ontem
Isto tudo está guardado dentro daquele vaso
Quanto vale aquele vaso?
Eram tantos cacos... todos atendiam pelo mesmo nome
Era impossível me desfazer da rotina, pois cada caco era parte dela
Estamos rodeados de cacos, pensei
Cada um ao nosso redor, é um caco
O animal, o vegetal, o mineral, o temporal, o atemporal, o social
Quanto mais um quebrava, mais cacos eu fazia
Mais aumentava minha rotina
Decidi juntar tudo
Colar os cacos e fazer um caco só
Ficou gigante
Um caco gigante
Uma rotina estressante, tudo eu tinha que anotar para não esquecer
Juntei tudo e joguei fora
Apaguei as anotações
dei um fim na rotina
não há mais caco(s) para onde olho
é como um museu sem obras
estava feliz assim, até que sem querer quebrei a rotina
um chute errado, mal direcionado
espalhou os cacos
tentei juntar e colar tudo antes que minha mãe chegasse do trabalho e visse
brigasse comigo, mas não deu tempo
apanhei até a aprender nunca mais quebrar a rotina
minha mãe guardou-a dentro do vaso de porcelana chinesa art-nouveau
Mas é estranho saber que hoje eu posso acordar, mudar tudo e dormir.
Acordar arrumar tudo e dormir.
Passar o dia dormindo
Passar o dia acordado
Fazer algo hoje e amanhã apenas lembrar
Fazer algo hoje apenas para lembrar
Viver o amanhã para justificar o hoje
Mudar o amanhã para justificar o ontem
Isto tudo está guardado dentro daquele vaso
Quanto vale aquele vaso?
Tuesday, May 23, 2006
Eu vos declaro
Você ainda espera minha cicatriz,
para viver e ser feliz.
Me encontra em cada canto
Negou o espanto, chora aos prantos.
Sente saudade
Passou da idade
Procura lealdade
A cura para uma morte
Insegura
O cinzeiro espera o cigarro
A nuvem a chuva
E o tempo que passa o calor da brasa
Mantêm fogueira aquela fogueira
Quero ser o prefeito desta cidade chamada Coração
Ser perfeito
Feito pro não.
o caroço da sua reação
o impulso do seu suicídio
o elo entre medo e o suplício
ser separado da vida
como óculos
indispensáveis
uns para os outros
calha na chuva
placa de estrada
tatuagem arrependida
nanquim
é você pra mim.
para viver e ser feliz.
Me encontra em cada canto
Negou o espanto, chora aos prantos.
Sente saudade
Passou da idade
Procura lealdade
A cura para uma morte
Insegura
O cinzeiro espera o cigarro
A nuvem a chuva
E o tempo que passa o calor da brasa
Mantêm fogueira aquela fogueira
Quero ser o prefeito desta cidade chamada Coração
Ser perfeito
Feito pro não.
o caroço da sua reação
o impulso do seu suicídio
o elo entre medo e o suplício
ser separado da vida
como óculos
indispensáveis
uns para os outros
calha na chuva
placa de estrada
tatuagem arrependida
nanquim
é você pra mim.
Monday, May 08, 2006
Uma postura inadequada
Não se vacine
Não se anestesie
Não se preocupe
E por favor, não assine
Você estudou
Trabalhou, treinou
Criou, praticou
Desenvolveu, conquistou
Comprou
Uma coisa é estudar
Uma coisa é trabalhar
Uma coisa é treinar
Uma coisa é criar
Uma coisa é praticar
Uma coisa é desenvolver
Sim senhor
Uma coisa é conquistar
Outra é comprar
Não senhor
Precisei conhecer a medicina
Passei a entender a medicina
Passei a estudar a medicina
Passei a trabalhar a medicina
Passei a criar a medicina
Passei a praticar a medicina
Passei a desenvolver a medicina
Passei a treinar a medicina
Passei a conquistar a medicina
Nunca tinha pensado em comprar
Medicina
Sim senhor, bom senhor
Não senhor; por favor, senhor
Se não sou senhor
Sou comprador
E agora, peçaPor favor
Não se anestesie
Não se preocupe
E por favor, não assine
Você estudou
Trabalhou, treinou
Criou, praticou
Desenvolveu, conquistou
Comprou
Uma coisa é estudar
Uma coisa é trabalhar
Uma coisa é treinar
Uma coisa é criar
Uma coisa é praticar
Uma coisa é desenvolver
Sim senhor
Uma coisa é conquistar
Outra é comprar
Não senhor
Precisei conhecer a medicina
Passei a entender a medicina
Passei a estudar a medicina
Passei a trabalhar a medicina
Passei a criar a medicina
Passei a praticar a medicina
Passei a desenvolver a medicina
Passei a treinar a medicina
Passei a conquistar a medicina
Nunca tinha pensado em comprar
Medicina
Sim senhor, bom senhor
Não senhor; por favor, senhor
Se não sou senhor
Sou comprador
E agora, peçaPor favor
Se doer, funciona.
Filhinho de peixe
peixinho é
Só que eu troquei as escamas
deixei as cores
Aumentei o brilho
E o reflexo
Verei cassado
E fui pescado
Pra sem cabeça
Fritar na manteiga
À milanesa
Com alcaparras
Acompanha arroz
Fritas e saladas
O cartão, amor
Obsessão, valor
Filme, terror
Sua turma - pagos
peixinho é
Só que eu troquei as escamas
deixei as cores
Aumentei o brilho
E o reflexo
Verei cassado
E fui pescado
Pra sem cabeça
Fritar na manteiga
À milanesa
Com alcaparras
Acompanha arroz
Fritas e saladas
O cartão, amor
Obsessão, valor
Filme, terror
Sua turma - pagos
Tuesday, March 28, 2006
Se ainda não conhece meu poder:
Um coração sangra um atentado. Sucumbe à esfera rígida de um grande amor. Pressionado, chora feito uma criança que ralou o joelho, de tanta dor. É o amor, diz o cantor. Papel e caneta sobre a mesa, bacardi lemon com gelo e energético a caminho da boca, Ema Thompson tragando os ouvidos, o cheiro da porção de calabresa quase saindo e no telão Assassinos por natureza. Apago o charuto, dou um gole na bebida, clico a bunda da caneta e ao papel desfiro minha cólera. Me alivia a angústia reprimida reler aquela autoria. Puxo debaixo da mesa um violão e componho o refrão. A caixa chora. O barman deixa cair a garrafa de bacardi que manipulava circensemente a preparar minha bebida. O segurança tapa os ouvidos em tom de recriminação. O casal na mesa ao lado noiva. Não era a minha intenção. As reações me confortaram em saber que compartilhavam do meu sofrer. Só assim eu puder ver que estava sem saída. Como trancado dentro da latrina. Ou se preferir: “na merda”. Não havia remédio ou solução. Não tinha mais como pedir perdão. Era uma questão de controle emocional do tempo. Era mais fácil do que eu imaginava. Rasgar e amassar, jogar fora, queimar o papel com a letra passada. Um novo futuro escrever a partir da consciência formada. Fingindo aprender sem levar porrada. E surpreender a sua alma penada!
Monday, March 27, 2006
Comida Caseira
A felicidade não existe. Por tanto, não a almeje!
Isto acontece porque tudo o que você almeja, você planeja. Quando consegue, comemora.
Logo, a felicidade está nas comemorações de suas realizações.
Ou seja, planeje a sua felicidade.
Quando for comemorar, me convida?!
Muitas Felicidades!
Isto acontece porque tudo o que você almeja, você planeja. Quando consegue, comemora.
Logo, a felicidade está nas comemorações de suas realizações.
Ou seja, planeje a sua felicidade.
Quando for comemorar, me convida?!
Muitas Felicidades!
Tuesday, March 14, 2006
Um final feliz, de propósito.
Estava sem tempero aquela maldita batatinha frita. Ainda por cima, muito gordurosa. Sem tempero e muito gordurosa. Fiquei imediatamente irritado, levantei-me e acenei ao garçom. O mesmo percebeu meu tom de fúria expressado pela minha face e acionou a outro garçom, como se este fosse o responsável pela minha mesa. Em todo caso, me irritei mais ainda, pois era nele que eu queria descontar minha ira por aquele transtorno. O garçom da minha mesa aproximou-se e cordialmente questiona-me se preciso de alguma coisa. Respiro fundo e ordeno para que se sirva de uma das minhas batatinhas fritas. Em tom de desentendimento ele recusa. Insisto. Recusa novamente. Obrigo. Desculpa-se e continua recusando. Pergunto o porque dele não querer a minha batatinha frita? E porque eu devo comer e pagar por aquela batatinha frita gordurosa e sem tempero?! Peço outra porção e que retire aquela da minha frente. Ou melhor. Só retire na chegada da outra (vai que devolve a mesma). Ele se nega argumentando que a outra virá igual. Sem tempero e gordurosa. Dou uma risada irônica. Ele me chicoteia dizendo que não encontrarei melhor na cidade. Caio em gargalhadas. Quero falar com o chef de cozinha. Consigo. Na cozinha, enquanto flambava em meio a uma labareda, o chef com sotaque francês me explica que a batatinha segue à mesa sem tempero para que o cliente o faça a gosto e que é gordurosa por natureza, já que é frita e é um pedido do cliente. Me explica também que as batatinhas fritas secas que conheço são industrializadas e cheias de produtos maléficos à saúde, para que possam ficar sequinhas e crocantes. Já as deles são secas à luz quente e escorridas, antes de passarem por um papel toalha. É a melhor da cidade. A menos gordurosa.
Um silêncio se segue até que o chef coloca na frigideira alguns camarões que fazem um barulho ensurdecedor de fritura. Aproveito para agradecer e me retirar. Pedi a conta, sem ao menos encostar na comida. Pensei estar fria.Me retirei do ambiente e voltei ao trabalho para mais uma tarde encalorada no escritório, perdendo minha atenção nas pernas cruzadas da secretária. Naquela tarde fiz mais um anúncio na minha vida. Mais um premiado como o melhor do ano. Este na categoria restaurantes, com o título “se a batatinha frita é segredo do chef, imagine o Camarão à Dougndues. Restaurante Jardim de Viena. O Melhor da Cidade.”
Um silêncio se segue até que o chef coloca na frigideira alguns camarões que fazem um barulho ensurdecedor de fritura. Aproveito para agradecer e me retirar. Pedi a conta, sem ao menos encostar na comida. Pensei estar fria.Me retirei do ambiente e voltei ao trabalho para mais uma tarde encalorada no escritório, perdendo minha atenção nas pernas cruzadas da secretária. Naquela tarde fiz mais um anúncio na minha vida. Mais um premiado como o melhor do ano. Este na categoria restaurantes, com o título “se a batatinha frita é segredo do chef, imagine o Camarão à Dougndues. Restaurante Jardim de Viena. O Melhor da Cidade.”
Wednesday, February 22, 2006
Deus madruga quem cedo ajuda
O sol já nasceu
O galo já cantou
Pássaros ainda cantam
É um bom dia que eu espero
O despertador agora toca
Como uma sirene que eu fujo
E me acorda
De um sonho bobo
Embora fujo
É um bom dia que eu espero
É uma batalha que eu luto
É um sonho embora bobo
É uma batalha da qual não fujo
Mas um dia
O dia acaba
A noite vem e nos corrompe
A pena é igual, pagar
Dormir, sonhar
E nunca esquecer de o despertador ligar
Wednesday, January 25, 2006
Friday, December 09, 2005
Um pouco de tudo
Meu sexo é a ebulição do meu amor
Meu erro é tentativa fatal
Meu santo é sem andor
Minha ressaca é carnaval
Minha trilha é sonora
Meu dia é construído
Minha vida é samba de roda
Minha noite é fora do trilho
Meu despertador é canibal
Minha viagem é psicossomática
Minha angústia é sobral
Minha inteligência é lunática
Minha regra é respeito
Meu choro é declaração de guerra
Meu dilema é pré-conceito
Meu medo é uma quimera
Minha arma é poesia
Meu vício é anestesia
Meu estilo é rima
Minha poesia é minha
Meu erro é tentativa fatal
Meu santo é sem andor
Minha ressaca é carnaval
Minha trilha é sonora
Meu dia é construído
Minha vida é samba de roda
Minha noite é fora do trilho
Meu despertador é canibal
Minha viagem é psicossomática
Minha angústia é sobral
Minha inteligência é lunática
Minha regra é respeito
Meu choro é declaração de guerra
Meu dilema é pré-conceito
Meu medo é uma quimera
Minha arma é poesia
Meu vício é anestesia
Meu estilo é rima
Minha poesia é minha
Tuesday, December 06, 2005
Você vai ver
O dia em que o Diabo se converter
Você vai ver
Tudo piorar
O mundo acabar
A alma penar
Você vai ver
O medo acalmar
A confiança aumentar
O choro estancar
A dúvida acalentar
A busca terminar
A felicidade alcançar
Você vai ver
O que vai acontecer
No dia em que o Diabo se converter
O blues sangrar
A igreja inflar
O quente esfriar
A raiva acalmar
Eu me suicidar
Não vou agüentar
Vou assumir e piorar
Serei o novo Diabo
Só pra te atazanar
Sua libido cutucar
Sua sede aumentar
Seu suor te molhar
Seu pensamento encurtar
Sua derme engordar
É de mim que você vai gostar
Procurar
Usar
Gozar
Vou me desconverter
O dia em que o Diabo se converter
Você vai ver
Você vai ver
Tudo piorar
O mundo acabar
A alma penar
Você vai ver
O medo acalmar
A confiança aumentar
O choro estancar
A dúvida acalentar
A busca terminar
A felicidade alcançar
Você vai ver
O que vai acontecer
No dia em que o Diabo se converter
O blues sangrar
A igreja inflar
O quente esfriar
A raiva acalmar
Eu me suicidar
Não vou agüentar
Vou assumir e piorar
Serei o novo Diabo
Só pra te atazanar
Sua libido cutucar
Sua sede aumentar
Seu suor te molhar
Seu pensamento encurtar
Sua derme engordar
É de mim que você vai gostar
Procurar
Usar
Gozar
Vou me desconverter
O dia em que o Diabo se converter
Você vai ver
Tuesday, November 22, 2005
Um Apartheid Ideológico
Angu não mata
Engorda o tutu
Carabina caça
Arrevoa garça
Corre tatu
Jovem esperança
Sombra descansa
Árvore dança
Rede balança
Céu azul
Bola corre
Criança corre
Carro corre
Corre ambulância
Leva Dudu
Susto passa
Uma salva
Vida salva
Salva tu
Reclama do trabalho
Do canto do canário
É cana salafrário
Que adoça o educandário
Já dizia Mussum
Camisa rasgada
Calça furada
Face suada
Gaguejadas
Não levam a lugar algum
Casa segura
Dia de chuva
Álcool com uva
Só falta mais um
Pouco de vontade
De idade
De coragem
Malandragem
Angu
Engorda o tutu
Carabina caça
Arrevoa garça
Corre tatu
Jovem esperança
Sombra descansa
Árvore dança
Rede balança
Céu azul
Bola corre
Criança corre
Carro corre
Corre ambulância
Leva Dudu
Susto passa
Uma salva
Vida salva
Salva tu
Reclama do trabalho
Do canto do canário
É cana salafrário
Que adoça o educandário
Já dizia Mussum
Camisa rasgada
Calça furada
Face suada
Gaguejadas
Não levam a lugar algum
Casa segura
Dia de chuva
Álcool com uva
Só falta mais um
Pouco de vontade
De idade
De coragem
Malandragem
Angu
Wednesday, November 16, 2005
Quando Fazemos Amor
Sabrina não gostava muito de trabalhar. Até porque não se adaptava muito bem às obrigações. Garantia-se na aproximação que tinha com os chefes. Aproximações que acumulavam várias horas extras de trabalho sexual. Certo dia engravidou de um dos chefes. O chefe não acreditou quando Sabrina disse que o filho era dele, pois imaginava que ela tivesse aquela conduta não só com ele e acabou por despedindo a moça. Grávida, sem conseguir trabalho com a barriga que crescia, tomou às ruas como sustento. A prática da venda do corpo já não tinha tantos bloqueios.
Seu Ernesto era um religioso senhor. Aposentado, adorava ir aos cultos evangélicos pregar. Sempre elegante, Seu Ernesto foi assaltado quando voltava para casa. No momento em que foi rendido pelo assaltante e teve que erguer as mãos ao alto, lhe veio à cabeça a cena diária dos cultos, momento em que ergue as mãos aos céus em louvor, enquanto o Pastor pede doações, que Seu Ernesto generosamente fazia em grandes quantias, já que não tinha netos nem parentes próximos. Associou o culto ao assalto e parou de freqüentar. Passou a ir na zona curtir o pouco de vida que lhe restava e gastar o suado dinheiro da aposentadoria. Foi abordado por uma linda garota. Muito meiga, simpática, de boa conversa. Ela, que estava ali a trabalho, e ele, que não estava ali a passeio, foram direto ao assunto. Em pouco tempo estavam no quarto, na cama, no chão, no banheiro, no sofá, no corredor... ha tanto tempo Seu Ernesto não dava uma que surpreendeu a moça, que também não era nenhuma amadora no assunto e colaborou para que o velhinho levantasse das cinzas. Cliente fiel, Sabrina e Seu Ernesto tinham uma amorosa relação de amor. Ele passava dias e noites na zona. Viajavam, saiam para jantar, para ir ao cinema, para ir ao parque. Pouco a pouco Sabrina se desvencilhava daquela vida. Passou a ter uma vida normal quando Seu Ernesto faleceu e deixou a aposentadoria para o então pequeno filho de Sabrina.
Seu Ernesto era um religioso senhor. Aposentado, adorava ir aos cultos evangélicos pregar. Sempre elegante, Seu Ernesto foi assaltado quando voltava para casa. No momento em que foi rendido pelo assaltante e teve que erguer as mãos ao alto, lhe veio à cabeça a cena diária dos cultos, momento em que ergue as mãos aos céus em louvor, enquanto o Pastor pede doações, que Seu Ernesto generosamente fazia em grandes quantias, já que não tinha netos nem parentes próximos. Associou o culto ao assalto e parou de freqüentar. Passou a ir na zona curtir o pouco de vida que lhe restava e gastar o suado dinheiro da aposentadoria. Foi abordado por uma linda garota. Muito meiga, simpática, de boa conversa. Ela, que estava ali a trabalho, e ele, que não estava ali a passeio, foram direto ao assunto. Em pouco tempo estavam no quarto, na cama, no chão, no banheiro, no sofá, no corredor... ha tanto tempo Seu Ernesto não dava uma que surpreendeu a moça, que também não era nenhuma amadora no assunto e colaborou para que o velhinho levantasse das cinzas. Cliente fiel, Sabrina e Seu Ernesto tinham uma amorosa relação de amor. Ele passava dias e noites na zona. Viajavam, saiam para jantar, para ir ao cinema, para ir ao parque. Pouco a pouco Sabrina se desvencilhava daquela vida. Passou a ter uma vida normal quando Seu Ernesto faleceu e deixou a aposentadoria para o então pequeno filho de Sabrina.
Sunday, October 30, 2005
Na cartomante do parque de diversões.
Concentre-se, feche os olhos. Vejo uma espécie de cárie no seu passado recente. Você sabe o que significa e as dimensões disso. Não posso fazer nada, foge aos meus poderes. Vejo em você uma pessoa muito pura, com anseios múltiplos e diversos amores. É sim... diversos, muito embora você diga que não. Vejo uma pessoa que te entende, te admira, te respeita e que investe em você, mas não é o papel dela. Ela deveria estar fazendo outra coisa, enquanto quem era para estar no lugar dela está frustrado. Isto está frustrando você e todas as pessoas ao redor dela. Enfim, falei isso porque senti que você precisava ouvir. Mas que fique claro que esta pessoa não representa problema, muito pelo contrário. Só que ela infelizmente não é apropriada para o que espera dela. Assim como diversas que passaram em sua vida. Mas dentro de suas limitações, que fique claro que ela faz o máximo. Isto você não precisava ouvir, mas falei para que você fique ciente do nível das suas relações de interdependência. Não se culpe por não fazer as coisas que queria quando não pode. Você não pode! Não adianta ficar almejando certas coisas que julga normal aos outros, porque não é normal. Todos mentem que é normal. Seu mistério é realmente um mistério. Sabemos que não há mistério, apenas bloqueios. Talvez se você criar linhas de ações imutáveis, invariáveis e que não fiquem se adaptando as circunstâncias em que se envolve, suas probabilidades de indignação tendem a ser mais remotas. Mas aviso: não será mais você. Vista sua camisa, mostre sua identidade, contamine com seu carisma, troque informações, ame amar, nunca se apaixone (você saberá quando está apaixonado). Não há o porquê ser agressivo, apesar de você ser agressivo. Você precisa urgentemente, assim que sair daqui, procurar uma atividade que libere sua agressividade. Você está uma nuvem negra carregada de energia agressiva. Isto não é perigoso nem prejudicial, porém te liberta. Vejo que a liberdade é o teu guia. Acredite, Liberdade é um orixá para você. Uma Entidade para a qual você deve muito. Não se preocupe com os pagamentos, ela não cobra, mas é assim que ela funciona: você faz as vontades dela, então ela sempre lhe retribuirá fortemente. É automático, é cru. Mas o importante é que você conhece seu poder. Leve isso mais a sério e terá muito mais energias positivas. Como por diversas vezes. Não se preocupe com números, eles são infinitos. Não se preocupe com pedras, elas regem o ambiente. Signo? Pra você não interessa. As cores emitem ondas que interferem em muitas coisas, mas não agem sozinhas. Pense nisso. Criar não é para poucos, mas não é fácil para muitos. Seu trabalho é criar. Mais que isso, sua missão na Terra é criar. Por isso é criativo. Treine isso. Aos poucos você está ganhando dependentes. Isto é natural da vida, é um processo de perpetuação. De mais importância para isto. Enfim, já passamos nossa hora em 10 minutos, mas não posso deixar que saia daqui sem uma mensagem: prossiga no leito rio, e quando vierem as pedras, a correnteza vai fazer com que desvie, mas não pode impedir o choque. Evite ir às margens, terá que remar para sair. Durma em lugar seguro. Mas durma. Vivo ou morto, não interessa, você está no jogo. Vença!
Obrigado pela consulta, não aceitamos cheques.
Obrigado pela consulta, não aceitamos cheques.
Wednesday, October 26, 2005
Monday, October 24, 2005
Saturday, October 22, 2005
Saturday, October 15, 2005
Tuesday, October 11, 2005
Monday, October 10, 2005
Dúvidas Freqüentes
Qual era o critério para que determinado casal subisse à Arca de Nóe para preservar sua espécie durante o dilúvio, deixando que os demais morressem afogados?
Friday, October 07, 2005
Galinha de encrusilhada
Desculpe, não chorei na sua morte.
Também, de novo te faltou sorte!
E que morte...
Bom, não viemos aqui falar disso, certo? Como você está?
Hã? Sério? Já falei pra você não esperar nada dos outros... dá nisso! E cospe esse chicletes. Presta atenção quando eu falo.
Viu só, agora você fica guardando rancor. O que adianta? Esquece... parte pra outra.
Quando você vai fazer aquela viagem? Nossa... já? Que bom! Pena, queria tanto ir junto... te ligo antes pra dar boa viagem, ok?! O que foi? Ta rindo do quê? Não dá nada, não podia ir mesmo...
E aquela dor, nunca mais voltou? Isso é foda, esses remédios acabam com agente. Mas fazer o que, né?! Bem, tenho que ir nessa... o que foi? Ah, sei, sei. O que que tem? Não acredito!!! Namorando? Você? Não pode... vocês não têm nada a ver... ã???? O que???? Casar??? Ta louco? Bebeu, de novo???? Puta que pariu. Então tá né... Padrinho?? Eu?? Fala sério meu?! Claro!!! Porra, como assim o que eu acho? Fiquei feliz pra caralho!!! Mas já sabe que não vou poder te dar um presente muito bom! Como assim não precisa de presente? Ah, é verdade, você ta indo viajar! Mas vocês vão juntos? Cara, é a viagem dos teus sonhos, meu! Pense bem... é, se você acha que ela é a pessoa que você ama a ponto de querer compartilhar estes momentos... é uma opção tua, quem sou eu pra falar alguma coisa?! Mas ela tem grana, também? Achava que ela nem tinha tanta grana.... ah não? Porra cara, você é louco mesmo, definitivamente. Daonde que você tirou essa? Onde já se viu isso, pagar tudo pra mulher.... mas a mulher é tua mesmo, a grana é tua, a vida é tua, foda-se.
Porra, então temos que fazer uma festa antes, pelo menos. Despedida (até) de solteiro... hahahahahahahahaha . beleza, eu ligo pra galera agitando. Vai ser uma puta quebradeira. Vamos chamar aquelas gurias da república, lembra? Topavam todas. Podemos chamar aquela banda de stripers, também... nossa, vai ser a festa... hahahaha. !!!!!Nossa cara, tô atrazadasso. Tenho que ir nessa. Onde você está? Trabalho? Desde quando você trabalha? Mas que merda, vai dizer que quando eu morrer também vou ter que trabalhar? Sacanagem. Agora fiquei de cara. E porque eu não posso viver pra sempre? Você vai voltar? Como? Não sei não, hein... acho que vão te pegar... mas o que acontece se te pegarem? Morre de vez? Putz... dae esqueça. Nem tente. Eu vou ter que ir ai mesmo pro seu casamento. Beleza? Falou então. Até mais.
Também, de novo te faltou sorte!
E que morte...
Bom, não viemos aqui falar disso, certo? Como você está?
Hã? Sério? Já falei pra você não esperar nada dos outros... dá nisso! E cospe esse chicletes. Presta atenção quando eu falo.
Viu só, agora você fica guardando rancor. O que adianta? Esquece... parte pra outra.
Quando você vai fazer aquela viagem? Nossa... já? Que bom! Pena, queria tanto ir junto... te ligo antes pra dar boa viagem, ok?! O que foi? Ta rindo do quê? Não dá nada, não podia ir mesmo...
E aquela dor, nunca mais voltou? Isso é foda, esses remédios acabam com agente. Mas fazer o que, né?! Bem, tenho que ir nessa... o que foi? Ah, sei, sei. O que que tem? Não acredito!!! Namorando? Você? Não pode... vocês não têm nada a ver... ã???? O que???? Casar??? Ta louco? Bebeu, de novo???? Puta que pariu. Então tá né... Padrinho?? Eu?? Fala sério meu?! Claro!!! Porra, como assim o que eu acho? Fiquei feliz pra caralho!!! Mas já sabe que não vou poder te dar um presente muito bom! Como assim não precisa de presente? Ah, é verdade, você ta indo viajar! Mas vocês vão juntos? Cara, é a viagem dos teus sonhos, meu! Pense bem... é, se você acha que ela é a pessoa que você ama a ponto de querer compartilhar estes momentos... é uma opção tua, quem sou eu pra falar alguma coisa?! Mas ela tem grana, também? Achava que ela nem tinha tanta grana.... ah não? Porra cara, você é louco mesmo, definitivamente. Daonde que você tirou essa? Onde já se viu isso, pagar tudo pra mulher.... mas a mulher é tua mesmo, a grana é tua, a vida é tua, foda-se.
Porra, então temos que fazer uma festa antes, pelo menos. Despedida (até) de solteiro... hahahahahahahahaha . beleza, eu ligo pra galera agitando. Vai ser uma puta quebradeira. Vamos chamar aquelas gurias da república, lembra? Topavam todas. Podemos chamar aquela banda de stripers, também... nossa, vai ser a festa... hahahaha. !!!!!Nossa cara, tô atrazadasso. Tenho que ir nessa. Onde você está? Trabalho? Desde quando você trabalha? Mas que merda, vai dizer que quando eu morrer também vou ter que trabalhar? Sacanagem. Agora fiquei de cara. E porque eu não posso viver pra sempre? Você vai voltar? Como? Não sei não, hein... acho que vão te pegar... mas o que acontece se te pegarem? Morre de vez? Putz... dae esqueça. Nem tente. Eu vou ter que ir ai mesmo pro seu casamento. Beleza? Falou então. Até mais.
Monday, October 03, 2005
O Grande Flerte
Nereu era uma das pessoas que aguardavam na fila para entrar na Vida. Deus era o cara encarregado de entregar as fichas de consumação. Sem perceber, Nereu recebeu uma ficha a mais grudada. Não sabe se foi de propósito, já que Deus sempre sabe o que faz, ou se foi vacilo mesmo. Só sei que hoje Nereu curte a vida adoidado, como se não precisasse pagar a conta no final. Uma verdadeira festa. Só não pode deixar que o s seguranças descubram...
Wednesday, September 28, 2005
Traumas de uma Criança Mimada.
Era uma maravilha as tardes na casa da avó. Passear de pônei no jardim, sentir o cheiro do bolo de nozes com chá de pétalas de hibisco, jogar bola com o cachorro desengonçado, subir na árvore centenária, soltar pipa até a linha a estourar, ouvir as histórias da infância de meus pais, da juventude do vovô, dos meus tios que moram no exterior, sem contar quando nevava nas férias. A lareira, o mesmo cobertor xadrez com um furo de traça no meio, as sopas de beldroega (que mal pareciam me fazer), os passeios de trenó nos dias de sol, os filmes regados a vodka (nunca me ofereciam), os animais silvestres que apareciam na janela com o cheiro do almoço. Os aniversários que lá aconteciam, todos reunidos, todos brincavam, todos cantavam, todos conversavam, todos ajudavam na louça, todos ajudavam a limpar a sala e o jardim. Ah! O jardim. Um imenso jardim. Minha avó trocava as plantas conforme se alternavam as estações do ano. Assim que chegava o outono, eu sentia uma inveja tremenda do caseiro que parecia se divertir no tratorzinho que cortava a grama. Será que um dia vovô deixaria eu cortar a grama com o tratorzinho? Enquanto isso eu passeava de pônei. Não lembro o nome do pônei, por sinal nem do cachorro desengonçado. Talvez isto explique o fato de eu tê-lo soltado no inverno o que o fez congelar, matando-o de frio. O cão.... bem, o cão... foi buscar a bolinha que eu havia jogado no lago, e não conseguiu voltar. Também morreu. Hum, o lago... quase me esqueci do lago! O lago ficava meio longe da casa, mas era sempre visita obrigatória. Tinha um barquinho que leva ao outro lado. Do outro lado tinha uma casinha abandonada. Quando fiquei mais velho era ali que eu fumava maconha. Parei quando descobri que ali se matou um padre por ter molestado um moleque vizinho, o qual era meu amigo de infância. Talvez por isso ele (o tal moleque) tenha me incentivado a soltar o pônei na neve... talvez por isso ele tenha me ensinado a jogar bola com o cão desengonçado. Enfim, nunca mais o vi. Me assustei quando o reencontrei me vendendo maconha. Quando fiquei mais velho fazia dessas coisas. Meu avós, morreram, meus pais adoeceram, meu tios nunca mais se corresponderam e meu vizinho foi preso. O caseiro ainda tomava conta da casa, do jardim, do lago, dos animais e eu acabei nunca cortando a grama com o tratorzinho. Por sinal, acho que foi por isso que acabei estragando o freio do tratorzinho. Talvez por isso ele tenha ido parar no lago, afundando com o caseiro que o dirigia, matando-o afogado, já que como o cão, não sabiam nadar. Conforme passavam as temporadas, o mato ficava cada vez maior. Passou a ficar impossível visitar o lago. Certa vez a polícia invadiu o terreno (já não havia mais jardim) em busca de um fugitivo. Encontraram meu ex-vizinho-ex-moleque escondido no matagal. Talvez por isso ele tivesse me convencido a estragar o freio do trator quando fui levar maconha para ele na cadeia. Uma empresa de empreendimentos imobiliários ofereceu uma boa quantia de dinheiro pelo terreno e vendi. Quando pensei estar rico, apareceram meus tios do exterior, levando quase toda a grana no rateio. Fiquei com um montante que não me permitia comprar nenhum imóvel, móvel ou automóvel. Por isto estou escrevendo esta carta, pois agora estou me matando. A vida passou a ser impraticável neste momento. Espero ter uma melhor sorte na próxima vez. Espero também ter aprendido. Espero ter ensinado. Espero que alguém leia e publique.
Wednesday, September 21, 2005
Como fazer da metade um inteiro.
Não quero mais esperar por alguém que não sei quem é. Cansei de procurar alguém que está por vir. Chega de dizer que não sei quem sou. Vou engolir meu umbigo e me cegar ao mundo vigilio. Vou acordar de manhã e ouvir os pássaros, como se fosse o paraíso. Tomar um café bem fervido. Andar a cavalo no campo comprido. Falar com as pessoas como se nada tivesse acontecido. Curar minha fadiga distraído. Encarar de frente o monstro assino e lutar bravamente em defesa do meu ninho.
Não quero mais esperar por alguém que não sei quem é. Cansei de procurar alguém que está por vir. Chega de dizer que não sei quem sou. Vou engolir meu umbigo e me cegar ao mundo vigilio. Não vou mais ouvir seus prantos. Não vou mais acalantar seus desencantos. Não pense que sou santo. Para que me amar tanto? Não confortarei mais seus confrontos. Quero que cresça como Janus.
Não quero mais esperar por alguém que não sei quem é. Cansei de procurar alguém que está por vir. Chega de dizer que não sei quem sou. Vou engolir meu umbigo e me cegar ao mundo vigilio. Vou respirar o seu cheiro. Mover-me na sua energia como um moinho de vento. Te servir de centeio. Ser quem posso, seu alheio. Completar minha metade, minha deficiência, meu tormento. Ver em você algo por inteiro. Como minha imagem no espelho.
Não quero mais esperar por alguém que não sei quem é. Cansei de procurar alguém que está por vir. Chega de dizer que não sei quem sou. Vou engolir meu umbigo e me cegar ao mundo vigilio. Pois em dias de sol quero jogar. Em noites de chuva quero cantar. Você só quer fumar, se embriagar. Sem saber aonde vamos parar. Sem saber se vamos nos encontrar. Sem temer o lobo uivar. Mas nunca deixe a fogueira apagar. Seguirei seu sinal, sem me cansar. Não quero mais esperar por alguém que não sei quem é. Cansei de procurar alguém que está por vir. Chega de dizer que não sei quem sou. Vou engolir meu umbigo e me cegar ao mundo vigilio. Vou me manter sem me render. Sem me entregar. Sem me vender. Sem te enganar.
Não quero mais esperar por alguém que não sei quem é. Cansei de procurar alguém que está por vir. Chega de dizer que não sei quem sou. Vou engolir meu umbigo e me cegar ao mundo vigilio. Não vou mais ouvir seus prantos. Não vou mais acalantar seus desencantos. Não pense que sou santo. Para que me amar tanto? Não confortarei mais seus confrontos. Quero que cresça como Janus.
Não quero mais esperar por alguém que não sei quem é. Cansei de procurar alguém que está por vir. Chega de dizer que não sei quem sou. Vou engolir meu umbigo e me cegar ao mundo vigilio. Vou respirar o seu cheiro. Mover-me na sua energia como um moinho de vento. Te servir de centeio. Ser quem posso, seu alheio. Completar minha metade, minha deficiência, meu tormento. Ver em você algo por inteiro. Como minha imagem no espelho.
Não quero mais esperar por alguém que não sei quem é. Cansei de procurar alguém que está por vir. Chega de dizer que não sei quem sou. Vou engolir meu umbigo e me cegar ao mundo vigilio. Pois em dias de sol quero jogar. Em noites de chuva quero cantar. Você só quer fumar, se embriagar. Sem saber aonde vamos parar. Sem saber se vamos nos encontrar. Sem temer o lobo uivar. Mas nunca deixe a fogueira apagar. Seguirei seu sinal, sem me cansar. Não quero mais esperar por alguém que não sei quem é. Cansei de procurar alguém que está por vir. Chega de dizer que não sei quem sou. Vou engolir meu umbigo e me cegar ao mundo vigilio. Vou me manter sem me render. Sem me entregar. Sem me vender. Sem te enganar.
Monday, September 19, 2005
Friday, September 16, 2005
JOGOS DE AZAR
Contar até 1.987.132.136.872.324.578.698.413.524.138.719.871.454.132.411.179.841.213.687.198.415.241.387.412.413.876.541.321.41387136
Thursday, September 15, 2005
Wednesday, September 14, 2005
Tuesday, September 13, 2005
TRAGICOMÉDIA
Hoje eu quero que meu ódio seja seu medo. Quero acabar com o teu segredo. Quero gritar a desgraça da insegurança aos fracos e gozar a cólera aos ventos. Não quero tremor, vingança ou temor. É época de caos e de horror. Esqueça o sol, ele queima. Esqueça a chuva, ela afoga. Esqueça o dia, ele acaba. Esqueça a brisa, virou vento. Esqueça. Esqueça que eu existo, sou prolixo. Prenda-me, mate-me, devora-me. Vomite-me. Te darei o gosto da diarréia.
Não agüento mais sua mesmice. Não agüento mais seu discurso. Não agüento mais sua idiotice. Não agüento mais suas mentiras. Você sabe que eu te uso. O que eu preciso fazer para que acredite em mim? Pare de acreditar em mim! Então fuja. Vá para aonde eu nunca mais te encontre. Já foi? Responda... Já foi?
Agora quero paz. Acenderei uma fogueira. Limparei a casa. Mudarei os móveis. Queimarei os arquivos. Visitarei sua lápide. Plantarei flores.
Calma? Pensa que estou calma? Pede calma? Está calma? Quem quer calma? Não me irrite de novo. Não me peça violência. Adoro choro, aflição. Dou risada do seu pedido de perdão. Não, não, não. Negação. Agora vá. Suma daqui. Antes que eu te ame, novamente. Antes que eu perca minha mente. Antes que eu te mate, friamente.
Está rindo do que?
Não agüento mais sua mesmice. Não agüento mais seu discurso. Não agüento mais sua idiotice. Não agüento mais suas mentiras. Você sabe que eu te uso. O que eu preciso fazer para que acredite em mim? Pare de acreditar em mim! Então fuja. Vá para aonde eu nunca mais te encontre. Já foi? Responda... Já foi?
Agora quero paz. Acenderei uma fogueira. Limparei a casa. Mudarei os móveis. Queimarei os arquivos. Visitarei sua lápide. Plantarei flores.
Calma? Pensa que estou calma? Pede calma? Está calma? Quem quer calma? Não me irrite de novo. Não me peça violência. Adoro choro, aflição. Dou risada do seu pedido de perdão. Não, não, não. Negação. Agora vá. Suma daqui. Antes que eu te ame, novamente. Antes que eu perca minha mente. Antes que eu te mate, friamente.
Está rindo do que?
Friday, September 02, 2005
Como não ter remoso por não ter remorso?
Thursday, September 01, 2005
Por que andar de guarda-chuva sob a marquise?
Juro que ainda não tenho esta resposta, mesmo depois de muito estudo. Caso alguém tenha uma tese, favor publicar no comments abaixo.
Em vista disso, na sessão de hoje discorreremos sobre outro tema: Como fazer para inventar um aparelho medidor de pédepanismo, uma unidade de medida da proporção trabalho X gasto / benefício.
Veja o quão complicado esta tecnologia é: primeiramente devemos estudar os fatores influenciadores, tais como níveis de satisfação, de salário, de carga horária e relação profissional no ambiente de trabalho. Também como é aplicado o dinheiro proveniente desta relação, por exemplo, poupança, boteco, lazer cultural, investimento patrimonial, matrimonial ou até mesmo hormonal. Em seguida, estudamos os frutos gerados por estes investimentos, que podem ser concretos ou abstratos. Esta talvez seja a etapa mais complicada do processo, pois generalizar os casos pode acarretar em resultados precipitados.
Exercício:
Um jovem trabalha 8 horas por dia em um emprego que não lhe dá garantia de estabilidade nem de sustento futuro. Contudo, ele abre mão de todo e qualquer gasto que não seja única e exclusivamente voltado ao seu carro. Devemos descobrir o porque ele gasta uma verba X em um som Y, sendo que este som Y extrapola em N vezes a sua necessidade máxima. Meça o nível de pédepanismo existente nesta situação sendo que, ele alega querer mostrar aos outros, porém, os outros se sentem extremamente irritados e perturbados com a ação.
Na próxima sessão, compararemos os resultados e daremos início à próxima aula: Como não sentir remorso por não sentir remorso? Caso alguém tenha uma tese sobre o guarda-chuva sob a marquise, favor trazer também. O primeiro ganhará um ponto.
Em vista disso, na sessão de hoje discorreremos sobre outro tema: Como fazer para inventar um aparelho medidor de pédepanismo, uma unidade de medida da proporção trabalho X gasto / benefício.
Veja o quão complicado esta tecnologia é: primeiramente devemos estudar os fatores influenciadores, tais como níveis de satisfação, de salário, de carga horária e relação profissional no ambiente de trabalho. Também como é aplicado o dinheiro proveniente desta relação, por exemplo, poupança, boteco, lazer cultural, investimento patrimonial, matrimonial ou até mesmo hormonal. Em seguida, estudamos os frutos gerados por estes investimentos, que podem ser concretos ou abstratos. Esta talvez seja a etapa mais complicada do processo, pois generalizar os casos pode acarretar em resultados precipitados.
Exercício:
Um jovem trabalha 8 horas por dia em um emprego que não lhe dá garantia de estabilidade nem de sustento futuro. Contudo, ele abre mão de todo e qualquer gasto que não seja única e exclusivamente voltado ao seu carro. Devemos descobrir o porque ele gasta uma verba X em um som Y, sendo que este som Y extrapola em N vezes a sua necessidade máxima. Meça o nível de pédepanismo existente nesta situação sendo que, ele alega querer mostrar aos outros, porém, os outros se sentem extremamente irritados e perturbados com a ação.
Na próxima sessão, compararemos os resultados e daremos início à próxima aula: Como não sentir remorso por não sentir remorso? Caso alguém tenha uma tese sobre o guarda-chuva sob a marquise, favor trazer também. O primeiro ganhará um ponto.
Friday, August 26, 2005
Maldita Seja – o futuro do pretérito imperfeito
Complexo é o número que vale o dobro quando precisamos de um quarto. Sufixo é a idéia preliminar da idéia na qual se obtém uma idéia. Se vai ou não, o que importa é o destino. Nunca é a data mais fácil para alegar.
De luneta avistei a lambreta na Emiliano Perneta e o cara tinha doletas em maletas. Uma pimenta malagueta do capeta deixou o motorista em marcha lenta. Não entendi a letra, mas acho que era quarenta. “Malacafenta” – disse. A policia rejeita e o bandido foge com a receita das etas.
Parecia que as cordas haviam se enroscado. Descobrimos quando o sujeito tropeçou. Estava dormindo. Mas nunca mais.
Todo o tempo que se passa, você aproveita, principalmente se tem tempo para aproveitar o tempo.Por hoje é só. Na próxima sessão, por que andar de guarda-chuva sob a marquise?
De luneta avistei a lambreta na Emiliano Perneta e o cara tinha doletas em maletas. Uma pimenta malagueta do capeta deixou o motorista em marcha lenta. Não entendi a letra, mas acho que era quarenta. “Malacafenta” – disse. A policia rejeita e o bandido foge com a receita das etas.
Parecia que as cordas haviam se enroscado. Descobrimos quando o sujeito tropeçou. Estava dormindo. Mas nunca mais.
Todo o tempo que se passa, você aproveita, principalmente se tem tempo para aproveitar o tempo.Por hoje é só. Na próxima sessão, por que andar de guarda-chuva sob a marquise?
Tuesday, August 23, 2005
Friday, August 19, 2005
Monday, August 15, 2005
Friday, August 12, 2005
Thursday, August 11, 2005
Tuesday, August 09, 2005
A (nova) ordem do discurso
Cada problema que resolvo
uma depressão eu desenvolvo.
Perder parece minha cina.
Meu álibi é a regra do jogo.
Não há mais fogo em nossa casa,
apenas choro e brasa.
E seu eu morrer...
O mundo explode, o mundo acaba.
Eu aprendi de um jeito o que se faz de outro
e escrevi direito o que se escreve torto.
dedicado à banda Mei Ming
uma depressão eu desenvolvo.
Perder parece minha cina.
Meu álibi é a regra do jogo.
Não há mais fogo em nossa casa,
apenas choro e brasa.
E seu eu morrer...
O mundo explode, o mundo acaba.
Eu aprendi de um jeito o que se faz de outro
e escrevi direito o que se escreve torto.
dedicado à banda Mei Ming
Monday, August 08, 2005
Novela brasileira
Capitulo 3
Jonas conhecia um Bar, freqüentado por aristocratas no final do século XIX, que ficava na esquina da Cel. Roger com a Macapá. Como que um golpe de esgrima do qual faz soar o alarme, indaga: toma uma cerveja, retirante?
Momentaneamente gago, Severino apenas gesticula com a cabeça, um sinal que não se sabe até que ponto era um sim, não ou talvez.
No BarBoza sentam e Jonas pede uma cerveja. O garçom serve os copos e os enche. Jonas promove um brinde: às mulheres!! Severino, ainda gago, põem mais ênfase na crase: às mulheres!! Um primeiro gole de dar nódulo vocal. Trincando de gelada. Jonas, a partir deste instante, começa a se revelar um incessante fumante.
- Então quer dizer que esta vadia lhe traia?
- Calma, pitoco. Disse que eu dormia com ela.
- Não, disse que dormia com você. E não só com você...
- Sim... é... que... mas... não dorme com ninguém, moleque?
- Quantos exames já fez? Acho bom fazer...
- Em que mundo vive, piá?
- Joga xadrez? Claro que joga!
- Xadrez?? Hahahahaha !!! bem... xadrez? Uhumm... jogo...
- Pode ser o branco! Sabe que o branco sempre começa, né?!
- Ah... sim... claro... que honra... não vou desperdiçar nenhuma oportunidade com você!
- Acho bom.
Enquanto rolava o jogo, a cabeça de Jonas funcionava como uma locomotiva carregada subindo a serra.
- Se pudesse ser alguém, quem seria?
- Humm... O Rei da Arábia!
- Sei... dinheiro, mulheres... cavalos
- Droga! Como fez isso? Comeu meu cavalo...
- Sim! E sendo o rei da Arábia, onde seria seu quarto nupcial, majestade?
- Na torre, é claro. Avistando a chegada dos invasores!
- Agora que já tomei seu transporte e sua morada, como se sente?
- Ainda tenho um bravo exército! Droga... pare....
- A quem o Rei pediria ajuda?
- Aos deuses... Meu Bispo... não!!!! Pare com essa palhaçada.
- Palhaçada? Palhaçada é essa vadia da sua Rainha. Como se sente em vê-la em meus braços? Como sabe se é vontade dela ou vulnerabilidade sua?
- Pitoco, é claro que é vulnerabilidade minha. Sem transporte, bens e proteção, qualquer um perde a Rainha...
- Cheque-mate! Garçom, por favor, mais uma cerveja e uma carteira de cigarros.
Naquele momento, a pretendente de Jonas passa na frente do BarBoza passeando com o cão. Severino a vê. Seu olhar chama a atenção de Jonas que está de costas. Ao se virar, pode você lembrar do momento em que o Professor Girafales encontra Dona Florinda. A mesma música, as mesmas feições.
CORTA.
O cão late e quase come a cocha esquerda do desligado Jonas. Severino se parte de rir.
- Garçom!! A conta, por favor. Hoje meu amigo paga. Por sinal, vocês já se conhecem... não preciso apresentar.
- Já! É o cara que rouba minhas revistas e jornais de manhã e fica me vigiando com uma luneta.
No dia seguinte, Severino ainda conseguia fazer piadas com a desgraça de Jonas. Contudo, nunca mais apareceu para trabalhar. Mudou-se para a casa da mãe e planeja matar Jonas no momento em que estiver fazendo amor com a ex-vizinha.
Fim
Jonas conhecia um Bar, freqüentado por aristocratas no final do século XIX, que ficava na esquina da Cel. Roger com a Macapá. Como que um golpe de esgrima do qual faz soar o alarme, indaga: toma uma cerveja, retirante?
Momentaneamente gago, Severino apenas gesticula com a cabeça, um sinal que não se sabe até que ponto era um sim, não ou talvez.
No BarBoza sentam e Jonas pede uma cerveja. O garçom serve os copos e os enche. Jonas promove um brinde: às mulheres!! Severino, ainda gago, põem mais ênfase na crase: às mulheres!! Um primeiro gole de dar nódulo vocal. Trincando de gelada. Jonas, a partir deste instante, começa a se revelar um incessante fumante.
- Então quer dizer que esta vadia lhe traia?
- Calma, pitoco. Disse que eu dormia com ela.
- Não, disse que dormia com você. E não só com você...
- Sim... é... que... mas... não dorme com ninguém, moleque?
- Quantos exames já fez? Acho bom fazer...
- Em que mundo vive, piá?
- Joga xadrez? Claro que joga!
- Xadrez?? Hahahahaha !!! bem... xadrez? Uhumm... jogo...
- Pode ser o branco! Sabe que o branco sempre começa, né?!
- Ah... sim... claro... que honra... não vou desperdiçar nenhuma oportunidade com você!
- Acho bom.
Enquanto rolava o jogo, a cabeça de Jonas funcionava como uma locomotiva carregada subindo a serra.
- Se pudesse ser alguém, quem seria?
- Humm... O Rei da Arábia!
- Sei... dinheiro, mulheres... cavalos
- Droga! Como fez isso? Comeu meu cavalo...
- Sim! E sendo o rei da Arábia, onde seria seu quarto nupcial, majestade?
- Na torre, é claro. Avistando a chegada dos invasores!
- Agora que já tomei seu transporte e sua morada, como se sente?
- Ainda tenho um bravo exército! Droga... pare....
- A quem o Rei pediria ajuda?
- Aos deuses... Meu Bispo... não!!!! Pare com essa palhaçada.
- Palhaçada? Palhaçada é essa vadia da sua Rainha. Como se sente em vê-la em meus braços? Como sabe se é vontade dela ou vulnerabilidade sua?
- Pitoco, é claro que é vulnerabilidade minha. Sem transporte, bens e proteção, qualquer um perde a Rainha...
- Cheque-mate! Garçom, por favor, mais uma cerveja e uma carteira de cigarros.
Naquele momento, a pretendente de Jonas passa na frente do BarBoza passeando com o cão. Severino a vê. Seu olhar chama a atenção de Jonas que está de costas. Ao se virar, pode você lembrar do momento em que o Professor Girafales encontra Dona Florinda. A mesma música, as mesmas feições.
CORTA.
O cão late e quase come a cocha esquerda do desligado Jonas. Severino se parte de rir.
- Garçom!! A conta, por favor. Hoje meu amigo paga. Por sinal, vocês já se conhecem... não preciso apresentar.
- Já! É o cara que rouba minhas revistas e jornais de manhã e fica me vigiando com uma luneta.
No dia seguinte, Severino ainda conseguia fazer piadas com a desgraça de Jonas. Contudo, nunca mais apareceu para trabalhar. Mudou-se para a casa da mãe e planeja matar Jonas no momento em que estiver fazendo amor com a ex-vizinha.
Fim
Monday, June 27, 2005
Novela brasileira
Capítulo 02
Severino era aquele moleque que fazia questão de ser odiado pelas meninas. Sempre estava aprontando alguma para seu vizinho e sua professora de português era seu alvo preferido. Relaxado com os estudos, não tinha muitas perspectivas de futuro se não fosse pro Exército. Depois de um ano no parque de diversões (assim ele definia o Exército), aprendeu todas as piadas, sátiras e grosserias possíveis, além de o tempo todo estar mexendo em armas, lama, água, jeeps velhos, tanques de guerra e mulheres de zona. Após servir o governo, Severino – sem formação – tentou um concurso público e passou. Era o piadista do setor. Ele adorava encontrar um motivo para envergonhar Jonas, aquele rapaz franzino, sempre quieto atrás do monitor, fumante compulsivo, que envergonhava-se facilmente e raramente tinha resposta. Mal sabia Jonas que Severino era um coitado. Que saía do trabalho para a casa da mãe jantar, e depois beber sozinho em um boteco de sempre. Que era piadista somente para chamar a atenção (afinal um ambiente de trabalho não permite traquinagens).
Um dia, Severino assistia televisão como todos os dias, porém um latido de cão lhe atrapalhava absurdamente. Incomodado, foi até a janela averiguar. Não acredita quando depara-se com o franzino Jonas ensopado na chuva na frente do portão da vizinha. Assiste àquela cena como uma comédia. Não resiste e vai tirar com Jonas satisfações daquilo tudo.
Sente um pingo de inveja da história de amor que escuta, e sente-se obrigado a humilha-lo.
Pensa rápido em uma frase de efeito que soasse como a tampa do caixão de Jonase solta a bomba:
- Como confia em mulher que conhece pela net, pitoco? Essa ai faz 6 anos que mora ai e ha 4 dorme comigo. E não só comigo...Jonas engole seco a saliva, fica alguns segundos sem piscar e repirar.
Continua...
Severino era aquele moleque que fazia questão de ser odiado pelas meninas. Sempre estava aprontando alguma para seu vizinho e sua professora de português era seu alvo preferido. Relaxado com os estudos, não tinha muitas perspectivas de futuro se não fosse pro Exército. Depois de um ano no parque de diversões (assim ele definia o Exército), aprendeu todas as piadas, sátiras e grosserias possíveis, além de o tempo todo estar mexendo em armas, lama, água, jeeps velhos, tanques de guerra e mulheres de zona. Após servir o governo, Severino – sem formação – tentou um concurso público e passou. Era o piadista do setor. Ele adorava encontrar um motivo para envergonhar Jonas, aquele rapaz franzino, sempre quieto atrás do monitor, fumante compulsivo, que envergonhava-se facilmente e raramente tinha resposta. Mal sabia Jonas que Severino era um coitado. Que saía do trabalho para a casa da mãe jantar, e depois beber sozinho em um boteco de sempre. Que era piadista somente para chamar a atenção (afinal um ambiente de trabalho não permite traquinagens).
Um dia, Severino assistia televisão como todos os dias, porém um latido de cão lhe atrapalhava absurdamente. Incomodado, foi até a janela averiguar. Não acredita quando depara-se com o franzino Jonas ensopado na chuva na frente do portão da vizinha. Assiste àquela cena como uma comédia. Não resiste e vai tirar com Jonas satisfações daquilo tudo.
Sente um pingo de inveja da história de amor que escuta, e sente-se obrigado a humilha-lo.
Pensa rápido em uma frase de efeito que soasse como a tampa do caixão de Jonase solta a bomba:
- Como confia em mulher que conhece pela net, pitoco? Essa ai faz 6 anos que mora ai e ha 4 dorme comigo. E não só comigo...Jonas engole seco a saliva, fica alguns segundos sem piscar e repirar.
Continua...
Thursday, June 16, 2005
Novela brasileira
Capitulo 01
Jonas conferiu o endereço: Rua Coronel Roger, 1000. Era ali mesmo. Estava parado diante da casa da garota que conheceu pela internet. Estavam muito próximos do primeiro encontro. Havia chego o limite dos contatos virtuais. Trocaram fotos, trocaram presentes, trocaram discursos de amor, trocaram telefonemas ora amistosos ora mais excitantes, trocaram cenas de libidinagem, mas nunca transaram virtualmente. Ambos tinham a consciência de que era algo corporal, espirituoso, enérgico. Algo inarrável por Nelson Rodrigues.
Jonas se aproxima do portão. Percebe que a distância entre o quintal e a casa exigiria um escândalo. Esperto, procura a campainha. Nota que a mesma ficava estrategicamente postada em baixo da caixa de correio e ao lado da placa que avisava residir ali um cão feroz. - Eram raros os trotes com a campainha (geralmente traquinagens) assim como as visitas de pedintes e vendedores (os quais dotam de uma habilidade incrível de aparecer durante as refeições). Passadas as observações, Jonas adianta-se em direção à campainha da casa número 1000 da rua Cel. Roger. Mais rápido que ele, como Bily The Kid, o cão feroz surgiu (sabe-se lá donde), expondo os caninos, com latidos bravos e botes assustadores. Sem créditos no celular, Jonas aguarda alguns instantes, tentando encontrar uma solução, mesmo com o raciocínio bloqueado pelas insistentes demonstrações de braveza do cão.
No desespero, num ato insano, Jonas arremessa a caixa de trufas recheadas com licor de cassis adentro da garagem, adoçando a fúria do cão, que passou os segundos seguintes devorando as deliciosas e caras trufas de sua dona. Agora com espaço, Jonas enfia o braço pelas grades e com o indicador direito pressiona a campainha. Sem sucesso tenta de novo, com mais pressão. Outra com mais força, outra repetidamente. Não adiantava. A campainha estava com defeito. E quase que a mão de Jonas também, se não percebesse o cão voltando a ataca-lo após comer os chocolates. Sem presentes, o dia de Jonas ainda podia ser salvo, caso não fosse a torrencial chuva de verão que despeça do céu sem aviso. Agora molhado, sem ter o q fazer, Jonas chama pela amada, disputando com os latidos do cão o prêmio de mais chato da Rua. Um moleque oportunista, dirigindo o carro do pai, levava alguns amigos para fumar na pacata Rua Roger, e com velocidade superior à permitida ali, passou sobre a poça d’água, elevando uma onda gigante em direção a Jonas. Não era de acreditar, mas na casa da frente, no outro lado da rua, espiava pela janela Severino, o típico sujeito sarrista do setor em que trabalhavam. Mal sabia Jonas que ali era residência fixa de Severino, que se partia de rir com a desgraça de Jonas. O celular de Jonas toca, finalmente seria a salvação. Mas na verdade era a sua operadora de telefonia avisando que seu identificador de chamadas seria bloqueado caso não efetuasse uma recarga em determinado prazo. A chuva parou. O cão voltou. Severino não agüentou e foi conversar com seu amigo, alvo das piadas no dia seguinte. Jonas explica sua história de amor e que aquela epopéia seria o grande encontro de suas vidas.
continua...
Jonas conferiu o endereço: Rua Coronel Roger, 1000. Era ali mesmo. Estava parado diante da casa da garota que conheceu pela internet. Estavam muito próximos do primeiro encontro. Havia chego o limite dos contatos virtuais. Trocaram fotos, trocaram presentes, trocaram discursos de amor, trocaram telefonemas ora amistosos ora mais excitantes, trocaram cenas de libidinagem, mas nunca transaram virtualmente. Ambos tinham a consciência de que era algo corporal, espirituoso, enérgico. Algo inarrável por Nelson Rodrigues.
Jonas se aproxima do portão. Percebe que a distância entre o quintal e a casa exigiria um escândalo. Esperto, procura a campainha. Nota que a mesma ficava estrategicamente postada em baixo da caixa de correio e ao lado da placa que avisava residir ali um cão feroz. - Eram raros os trotes com a campainha (geralmente traquinagens) assim como as visitas de pedintes e vendedores (os quais dotam de uma habilidade incrível de aparecer durante as refeições). Passadas as observações, Jonas adianta-se em direção à campainha da casa número 1000 da rua Cel. Roger. Mais rápido que ele, como Bily The Kid, o cão feroz surgiu (sabe-se lá donde), expondo os caninos, com latidos bravos e botes assustadores. Sem créditos no celular, Jonas aguarda alguns instantes, tentando encontrar uma solução, mesmo com o raciocínio bloqueado pelas insistentes demonstrações de braveza do cão.
No desespero, num ato insano, Jonas arremessa a caixa de trufas recheadas com licor de cassis adentro da garagem, adoçando a fúria do cão, que passou os segundos seguintes devorando as deliciosas e caras trufas de sua dona. Agora com espaço, Jonas enfia o braço pelas grades e com o indicador direito pressiona a campainha. Sem sucesso tenta de novo, com mais pressão. Outra com mais força, outra repetidamente. Não adiantava. A campainha estava com defeito. E quase que a mão de Jonas também, se não percebesse o cão voltando a ataca-lo após comer os chocolates. Sem presentes, o dia de Jonas ainda podia ser salvo, caso não fosse a torrencial chuva de verão que despeça do céu sem aviso. Agora molhado, sem ter o q fazer, Jonas chama pela amada, disputando com os latidos do cão o prêmio de mais chato da Rua. Um moleque oportunista, dirigindo o carro do pai, levava alguns amigos para fumar na pacata Rua Roger, e com velocidade superior à permitida ali, passou sobre a poça d’água, elevando uma onda gigante em direção a Jonas. Não era de acreditar, mas na casa da frente, no outro lado da rua, espiava pela janela Severino, o típico sujeito sarrista do setor em que trabalhavam. Mal sabia Jonas que ali era residência fixa de Severino, que se partia de rir com a desgraça de Jonas. O celular de Jonas toca, finalmente seria a salvação. Mas na verdade era a sua operadora de telefonia avisando que seu identificador de chamadas seria bloqueado caso não efetuasse uma recarga em determinado prazo. A chuva parou. O cão voltou. Severino não agüentou e foi conversar com seu amigo, alvo das piadas no dia seguinte. Jonas explica sua história de amor e que aquela epopéia seria o grande encontro de suas vidas.
continua...
Tuesday, June 07, 2005
Rascunho
Sou seu arquétipo
que não reflete em seu espelho.
Disfarça
E expulsa
Finge não ser o
Tipo que veste a carapuça:
Marcador de páginas
De uma vida de flash e frames.
De sentimentos
Que não passam de momentos.
que não reflete em seu espelho.
Disfarça
E expulsa
Finge não ser o
Tipo que veste a carapuça:
Marcador de páginas
De uma vida de flash e frames.
De sentimentos
Que não passam de momentos.
Wednesday, June 01, 2005
Amor Placebo
É fácil perceber quando tuas vontades são impulsos
Você grita, treme, chora, corta os pulsos.
Quer mostrar ao mundo teu pior lado
Como se pudesse fazer tudo sozinho.
Pede desculpa calado
(a liberdade é teu hino)
Faz de conta que é fantasia
O que não passa de ironia
Cinismo, mentira, hipocrisia
Cuidar da tua vida, fazendo da tua, a minha
Não sei se éramos corpos
Não sei se éramos porcos
Pois no final,
cada um para um lado
dormindo / fumando
(a liberdade é teu hino)
como pobre em cassino
tigre de circo
quero amor, quero amar
não vou trocar o que eu tenho
para te dar
a minha felicidade,
como você, é minha.
Insanidade!
Você grita, treme, chora, corta os pulsos.
Quer mostrar ao mundo teu pior lado
Como se pudesse fazer tudo sozinho.
Pede desculpa calado
(a liberdade é teu hino)
Faz de conta que é fantasia
O que não passa de ironia
Cinismo, mentira, hipocrisia
Cuidar da tua vida, fazendo da tua, a minha
Não sei se éramos corpos
Não sei se éramos porcos
Pois no final,
cada um para um lado
dormindo / fumando
(a liberdade é teu hino)
como pobre em cassino
tigre de circo
quero amor, quero amar
não vou trocar o que eu tenho
para te dar
a minha felicidade,
como você, é minha.
Insanidade!
Tuesday, May 24, 2005
A Ilha da Felicidadetardia
Em terra firme, no continente, avista-se a lendária Ilha da Felicidadetardia. A foto do satélite não consegue captar sua posição no mapa: 34°21’24” latitude sul e 18°29’51” longitude leste. Alguns dizem até, que Camões já tinha conhecimento da Ilha, deixando-a de revelar que ali fora refúgio de Vasco da Gama, atraído por sereias, após vencer a épica batalha com Netuno.
A lenda diz que muitos tentam chegar na Ilha da Felicidadetardia, porém ninguém consegue (pelo menos ninguém voltou para contar). Nestor desde pequeno se via ouriçado em conhecer a ilha. Não sabia bem o porquê, mas algo lhe aguçava. A lenda era como um texto publicitário vendendo a melhor margarina do mercado. A imagem que se tinha era a de um paraíso mais belo que um quadro de Monet. O nome deste lugar era: Ilha da Felicidadetardia.
Nestor tinha uma mãe que o amava, uma namorada linda que o amava, um pai rico que o amava, estudo e inteligência. Mas o que ele realmente amava estava longe dele. O que Nestor amava estava na Ilha da Felicidadetardia. Alguns o chamaram de ingrato, outros lhe deram apoio, mas certo de que estava fazendo a coisa certa para si, Nestor decidiu rumar à Ilha! A despedida melancólica - abençoada por Baco - ecoava os sons que saiam dos tambores, que em ritmo frenético traziam as forças enérgicas do bem para acompanha-lo. A fumaça levava consigo as energias fúteis e negativas para que se purificassem no céu.
No barco (foi Nestor quem descobriu com quantos paus se faz uma canoa, contudo, os números destoam entre as testemunhas embriagadas), Nestor rema sobre as ondas, que insistiam em lhe avisar o arrependimento, tentando de todas as formas fazer com que voltasse.
Nestor sabia que nunca houve relatos de sucesso nesta viagem, mesmo assim investia todas as suas fichas nesta que seria a última viagem da sua vida. Chuvas, tormentas, ondas gigantes, sereias tentadoras, Moby Dick, Tubarão, lulas com tentáculos kilométricos. Nada foi capaz de deter a determinação de Nestor.
Já na bonança, a estibordo, avista uma porção de terra cercada de água por todos lados. Após uma gota de lágrima, Nestor conclui: cheguei a Ilha da Felicidadetardia.
Grita, comemora e aporta em meio ao mangue. Desce, caminha e não demora muito para encontrar outros moradores. Pessoas que eram dadas como mortas ou desaparecidas, estavam ali. Porque uma vez ali, ninguém mais quer voltar. Um lugar no mundo onde todos têm medo ir. Um lugar no mundo aonde só chega quem acredita. Um lugar único no mundo, onde a felicidade nunca é tardia.
Interessados em excursão, entrar em contato pelo comments abaixo!
A lenda diz que muitos tentam chegar na Ilha da Felicidadetardia, porém ninguém consegue (pelo menos ninguém voltou para contar). Nestor desde pequeno se via ouriçado em conhecer a ilha. Não sabia bem o porquê, mas algo lhe aguçava. A lenda era como um texto publicitário vendendo a melhor margarina do mercado. A imagem que se tinha era a de um paraíso mais belo que um quadro de Monet. O nome deste lugar era: Ilha da Felicidadetardia.
Nestor tinha uma mãe que o amava, uma namorada linda que o amava, um pai rico que o amava, estudo e inteligência. Mas o que ele realmente amava estava longe dele. O que Nestor amava estava na Ilha da Felicidadetardia. Alguns o chamaram de ingrato, outros lhe deram apoio, mas certo de que estava fazendo a coisa certa para si, Nestor decidiu rumar à Ilha! A despedida melancólica - abençoada por Baco - ecoava os sons que saiam dos tambores, que em ritmo frenético traziam as forças enérgicas do bem para acompanha-lo. A fumaça levava consigo as energias fúteis e negativas para que se purificassem no céu.
No barco (foi Nestor quem descobriu com quantos paus se faz uma canoa, contudo, os números destoam entre as testemunhas embriagadas), Nestor rema sobre as ondas, que insistiam em lhe avisar o arrependimento, tentando de todas as formas fazer com que voltasse.
Nestor sabia que nunca houve relatos de sucesso nesta viagem, mesmo assim investia todas as suas fichas nesta que seria a última viagem da sua vida. Chuvas, tormentas, ondas gigantes, sereias tentadoras, Moby Dick, Tubarão, lulas com tentáculos kilométricos. Nada foi capaz de deter a determinação de Nestor.
Já na bonança, a estibordo, avista uma porção de terra cercada de água por todos lados. Após uma gota de lágrima, Nestor conclui: cheguei a Ilha da Felicidadetardia.
Grita, comemora e aporta em meio ao mangue. Desce, caminha e não demora muito para encontrar outros moradores. Pessoas que eram dadas como mortas ou desaparecidas, estavam ali. Porque uma vez ali, ninguém mais quer voltar. Um lugar no mundo onde todos têm medo ir. Um lugar no mundo aonde só chega quem acredita. Um lugar único no mundo, onde a felicidade nunca é tardia.
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Monday, May 02, 2005
Sem título
Pela janela do meu quarto
Você entrou
E com seu brilho, ofuscou.
Suas asas ventilavam, o calor que abafava.
E sua magia transformou
O que eu não tinha, no que eu não acreditava.
Naturalmente beleza
Natural, da natureza
Seda, correnteza
Por quê?
Cansei de perguntar.
Porquê?
Cansei de responder.
Por quê?
Cansei de perguntar.
Porquê?
Cansei de responder.
Hipocrisia...
Pesadelo social,
Você
Beleza nua, insegura
Como rosa, corta
E faz chorar...
Sua fuga, é carne crua
E os leões,
Ah!
Vão devorar.
Você entrou
E com seu brilho, ofuscou.
Suas asas ventilavam, o calor que abafava.
E sua magia transformou
O que eu não tinha, no que eu não acreditava.
Naturalmente beleza
Natural, da natureza
Seda, correnteza
Por quê?
Cansei de perguntar.
Porquê?
Cansei de responder.
Por quê?
Cansei de perguntar.
Porquê?
Cansei de responder.
Hipocrisia...
Pesadelo social,
Você
Beleza nua, insegura
Como rosa, corta
E faz chorar...
Sua fuga, é carne crua
E os leões,
Ah!
Vão devorar.
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